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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

06/05/2014 06:22

"Solitários do whatsapp" lotam caixas de locutores com todo tipo de mensagens

Elverson Cardozo
Na profissão há mais de duas décadas, Pedrinho já recebeu de tudo, mas o WhatsApp ampliou o canal de comunicação. (Foto: Bela Vista MS)Na profissão há mais de duas décadas, Pedrinho já recebeu de tudo, mas o WhatsApp ampliou o canal de comunicação. (Foto: Bela Vista MS)

Locutor há 21 anos, José Pedro Spina, 44, o Pedrinho Spina, que comanda o “Bom Dia Capital”, na FM 95,9, em Campo Grande, é do tempo em que o telefone e a correspondência eram as formas mais populares de interação com o ouvinte. Naquela época, já eram comuns as cantadas, os convites para sair e os presentes que chegavam à porta da emissora, como café da manhã, perfume, ovo caipira e até cueca. Esse retorno continua, mas hoje, com tanta facilidade, ficou mais fácil demonstrar o “carinho” a quem está do outro lado do rádio. A moda da vez é o whatsapp.

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O locutar divulga o número, amplia o canal de comunicação com o grupo e, por outro lado, passa a ser mais acessível aos fãs, que enviam declarações e até ensaios sensuais. Não é difícil encontrar histórias de quem se apaixonou pelo profissional que está do outro lado do rádio sem ao menos conhecê-lo. Se falando desse veículo específico, o que encanta os solitários de plantão não é a figura, mas a voz.

E a identificação varia de acordo com o estilo. Os que fazem a linha mais romântica e falam com timbre mais aveludado, por exemplo, parecem tocar o coração desconhecido com mais facilidade, mas quem mantém um tom mais humorado, como é o caso de Pedrinho Spina, também tem uma boa “plateia” de admiradores.

No ar das 8h ao meio dia, o locutor da FM 95,00 recebe, em média, de 1,2 a 1,5 mil mensagens no aplicativo. São informações, opiniões, pedidos para participar de promoções, denúncias e, não raras vezes, cantadas das mais conhecidas.

Locutor garante que leva as cantadas para o lado da brincadeira. (Foto: Divulgaçao)Locutor garante que leva as cantadas para o lado da brincadeira. (Foto: Divulgaçao)

“Confesso que eu já recebi de tudo quanto é tipo. Tem aquela da mulher falar que quer acordar ouvindo sua voz, que quer beijar a boca de quem sai a voz, fazer amor ouvindo você falar...”, conta.

O “tiro no escuro”, como Pedrinho costuma dizer, não tem uma público com faixa etária definida. Vem tanto de jovens quanto de senhoras. Sempre que pode, ele responde às mensagens, mas garante que tenta levar a cantada para o lado da brincadeira.

“Procuro tratar meus ouvintes como amigos e tento quebrar a cantada para que ela não tenha efeito”, disse, ao comentar que o assédio também parte dos homossexuais.

“Mas eles são mais malacos. Já vem querendo sair. Já querem ir para o crime. O negócio com eles é diferente, mais profissional”, suaviza, brincando.

Existe, ainda, a cultura do presente ao locutor amigo de várias horas, cuja voz chega aos locais mais afastados, como as fazendas. “Já recebi perfume, cueca, queijo, carneiro, porco, galinha, ovo caipira...”, relembra.

“Pela voz você deve ser linda” - Mas o “carinho” não é uma exclusividade dos homens que empregam a voz nas rádios. Elas também “balançam” os corações solitários. A jornalista Jéssica Martins, da Mega 94, que participa do “Bom Dia Mega”, é um exemplo.

Jéssica no estúdio da Mega 94. (Foto: Arquivo Pessoal)Jéssica no estúdio da Mega 94. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na empresa há 2 anos e meio, ela já recebeu, no WhasApp, cantadas das mais diversas. Presentes, como café da manhã, entram na lista, assim como visitas pessoalmente à sede da emissora.

“É que, no programa, a gente acaba criando um personagem, né? O meu, por exemplo, é a encalhadona. Até a vinheta de propaganda do programa era assim... ‘Jéssica doidaça’. Daí eu falava: Ai, não, gente! Eu quero casar”, explica.

Jéssica e o café de manhã que ganhou de presente. (Foto: Arquivo Pessoal)Jéssica e o café de manhã que ganhou de presente. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quanto mais tempo no ar, maior a identificação com o público, que rejeita ou “adota” o “personagem” em questão. Jéssica já é “adotada”. A jornalista recebe cantada pelo WhatsApp e ao vivo.

“Sempre tem um. Eu racho o bico. Acho muito engraçado e levo na brincadeira, claro. Mas já me convidaram para ir ao cinema, jantar, almoçar. Também ligam e perguntam como sou, falam coisas do tipo: ‘ah, pela voz você deve ser linda”.

Mas nunca passou disso, ou melhor, já passou: “Uma vez um cara ligou e falo que estava emocionado de falar comigo. Pediu para ir à rádio me conhecer porque era meu fã. Falei que podia ir sim, mas confesso que fiquei com medo. Vai saber se é um doido. Era um senhor. Ele disse que precisava me conhecer porque era fã e me escutava todos os dias. Ele dizia: ‘olha como eu estou nervoso’”, relembra.

Presente é de praxe. Jéssica já ganhou café da manhã, porta moeda e até uma penca de banana no meio da rua. “Não me incomoda. Eu levo tudo na brincadeira. É até bacana esse retorno”, disse.

Até penca de banana jornalista já ganhou. (Foto: Arquivo Pessoal)Até penca de banana jornalista já ganhou. (Foto: Arquivo Pessoal)



* * * O povo do rádio é um companheiro do solitário, principalmente do motorista, dos guardas noturnos, dos estudantes da madruga, da thurma dos bares, da thurma dos hotéis e motéis que trabalham na madruga para atender os nossos clientes da cidade, thurma que perdeu o sono na noite e outros por ai. Precisamos muito desses amigos que também se sentem solitários presos dentro dos estúdios e tentam alegrar pessoas que eles nem conhecem mas conversam como se fossem amigos de muito tempo. sucessos a todos.
 
Joao Antonio de Oliveira em 06/05/2014 08:30:59
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