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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

09/01/2014 06:25

A casa bege de madeira que não está à venda nem por meio milhão

Paula Maciulevicius
Eles querem o preço, quando para ela, a casa vale tudo. Eles querem o preço, quando para ela, a casa vale tudo.

Na esquina da avenida Fernando Corrêa da Costa com a rua José Maria, uma faixa anuncia um ‘vende-se’. Quem passa os olhos depressa acha que é a casinha de madeira bege que está sendo ofertada. Mas não. A casa não tem preço.

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“Quanto vale? Essa casa vale muito. Minha casa é única, meu pai que fez pra mim”, diz a simpática e bem humorada senhora que atende à porta, a costureira Rosa Faustino Fogaça, de 63 anos.

Os dois quartos, uma sala, cozinha e um banheiro são dela há 39 anos. Construída pelo pai, à época funcionário da prefeitura, no loteamento do “Dr. Henrique Pires de Freitas”, na área que um dia se resumia à fazenda dos Rosa Pires, a história dela está nas paredes de madeira pura, sem nenhum sinal de cupim.

A casa antes tinha um jardim à frente, mas parte do terreno foi desapropriada para a abertura da avenida, quando o prefeito era Lúdio Coelho. Juntos, os cômodos não tem nem 80 m², mas a boa localização faz o terreno ter um valor de pelo menos R$400 mil reais, estima o presidente da Câmara de Valores Imobiliários, Ronaldo Ghedine.

Há 39 anos, as paredes de madeira na esquina da Fernando Corrêa da Costa acompanham o riso da costureira. (Fotos: Marcos Ermínio)Há 39 anos, as paredes de madeira na esquina da Fernando Corrêa da Costa acompanham o riso da costureira. (Fotos: Marcos Ermínio)

Mas quando se trata de um pedaço de chão e uma casa de tábua que sempre foram seus, não tem dinheiro que pague, nem quase meio milhão de reais é preço.

“Já me perguntaram várias vezes se eu queria vender, falaram para eu colocar o preço, mas a minha casa não está à venda”, decreta Rosa.

A igreja do fundo já quis incorporar o terreno, mas sem sucesso. Pela proximidade com a Anhanguera, também quiseram fazer dali, uma central de xerox. E a resposta sempre foi não, sem importar qual fosse a oferta.

“E eu vou mudar para um apartamento? Ficar fechada? Aqui todo mundo me conhece, eu saio varrendo e as pessoas passam me cumprimentando. Meu irmão brinca que aqui, só patrola”, comenta aos risos.

E não é que no meio da entrevista o telefone toca e é o irmão? Ela só responde “eu estou dando uma entrevista sobre a minha casa. Só você acha ela feia, viu?” e desliga. Ela conta que o irmão peleja para que ela venda e saia dali.

De fato, é de se estranhar, com o avanço todo de uma ‘capital’ que Campo Grande ainda guarde casas de tábua. Mas que bom que pelo menos em pedacinhos da cidade, existem lembranças do passado.

“Hoje em dia quase não existe e se você for fazer, é capaz de ser mais cara que de alvenaria, não é? Aqui querem o preço, mas para mim, vale tudo. É bom a gente ser feliz no lugar onde mora”.

Ah! E sobre a faixa de vende-se, no cantinho do portão, dona Rosa explica que é uma mãozinha para vender um terreno de 288m² na rua da lateral. "Como lá ninguém vê, me perguntaram se podia ficar aqui. Eu disse que sim. Mas volta e meia liga alguém, perguntando se está tudo bem comigo e por que vou vender, aí digo que não. A minha casa não está à venda".

Ela já quase perdeu as contas que quantas vezes já disse a minha casa não está à venda.Ela já quase perdeu as contas que quantas vezes já disse "a minha casa não está à venda".



Isso é mais uma prova d que dinheiro pode ajuda e muito, mas não compra felicidade, amor e boas lembranças e que ao meio de tantos arranha-ceus de concretos e vidros nesse mundo materialista de hj ainda existe a simplicidade.
 
Margarida Odakura em 10/01/2014 09:28:50
400 mil??? Fala sério! Essa casa vale mais de 1 milhão...
 
Filipe Alberto em 10/01/2014 00:28:59
Com o aumento do IPTU lá nos píncaros...
 
Eva Espíndola em 09/01/2014 23:03:34
Muitas coisas da nossa vida, principalmente as que nos trazem alegrias e bons sentimentos, ficam guardadas - como sempre diz uma certa professora de Civil - no recôndito do Ser. Dessas coisas, não nos compensa abrir mão. Parabéns pela sua escolha. Ser feliz é sempre a melhor escolha. Todavia tome cuidado com um novo tipo de cupim que surgiu aqui em Campo Grande nos últimos tempos. São extremamente vorazes. Estão se espalhando pela cidade. Sua principal característica é que produzem uns móveis cuja matéria prima é chamada de "Madeira de Demolição"
 
Aldo Rocha em 09/01/2014 18:27:38
Essa é uma bela reportagem! Num mundo de posses, essa pessoa nos ensina que a felicidade é bem mais além e bem mais simples!
 
Mauro da Cunha em 09/01/2014 18:00:10
Essa é a minha linda madrinha, minha mãe de coração sua casa sempre foi o local de encontro de nossas famílias, cresci ali... tenho muito orgulho de sua humildade e carinho com todos que por lá passam... Obrigada Campo Grande News pela linda homenagem.
 
Karine Fogaça em 09/01/2014 14:18:18
Bela matéria!!! adoreiiii...
Concordo com todos os colegas leitores, a VERDADEIRA felicidade, encontramos nas pequenas coisas e grandes gestos.
Acho uma graça casa de madeira, hoje praticamente em extinção na capital . Já no interior do Sul, ainda conseguinhos vizualizar essas belas relíquias.
Um Feliz 2014, a dona Rosa com muita paz, saúde, FELICIDADE e realizações...que viva muitos e muitos anos no seu lindo cantinho.
 
Neyde de Oliveira em 09/01/2014 12:24:53
Amiga da minha mãe de infância e nossa amiga, pessoa super alegre e agradável, sempre nos visita em datas comemorativas ... ta famosa em Rosa rsrs ... bjsss
 
João Vitor em 09/01/2014 11:39:47
"Antes o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro onde há inquietação."
Linda matéria. Parabéns à Dona Rosa!
;-)
 
Tulio Oliveira em 09/01/2014 11:39:00
ESSA É A MELHOR PROVA QUE DINHEIRO NÃO TRAZ E NUNCA VAI TRAZER FELICIDADE. OLHA QUE SORRISO ALEGRE E SIMPÁTICO NO ROSTO DE SENHORA.
 
JOSÉ CARLOS FERNANDES em 09/01/2014 09:02:52
Ja morei em casa assim na minha infancia . E fico feliz por essa senhora ser daquelas que não tem o dinheiro como a coisa mais importante da vida,pois lembranças e gratidão não se vende.
Bonito gesto.
 
Juarez Delmondes em 09/01/2014 08:47:01
É verdadeiramente um prazer saber que ainda tem gente que é feliz, independentemente das circunstâncias da matéria. Perceber o verdadeiro valor da vida e das coisas é coisa muito rara... continue Rosa a espargir seu perfume nesse mundo tão conturbado e violento. Deus te abençoe!
 
Cleber Borges em 09/01/2014 08:44:43
Acho que isso é uma das coisas que encantam ainda mais Campo Grande, encontrar casas simples (mas cheias de vida) em plena área com prédios e casas imensas.
 
Sonia Silva em 09/01/2014 08:24:52
A felicidade consiste nas coisas simples da vida.
 
Valquiria Costa em 09/01/2014 08:08:35
Fico feliz em ver que o dinheiro não compra tudo!!! Não compra lembranças, nem amor e muito menos felicidade!!! Adorei a atitude!
 
Kelly Paes em 09/01/2014 07:46:17
É isso aí, querida. O dinheiro não vale tanto, não é? Continue feliz na sua casa que foi o paizinho que fez. Isso não tem preço.Felicidades.
 
Maria Angelina de Sandre Duenha em 09/01/2014 07:08:53
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