A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

19/04/2016 06:06

A decisão de seguir casada, mesmo após descobrir a amante com uma filha

Adriano Fernandes
“Você só perdoa realmente algo ou alguém, quando se lembra do que ela te fez no passado e aquela lembrança não dói”. (Foto: Fernando Antunes) “Você só perdoa realmente algo ou alguém, quando se lembra do que ela te fez no passado e aquela lembrança não dói”. (Foto: Fernando Antunes)

A segurança que a professora Graciele Martinez Ferreira, de 39 anos, demonstra ao contar sua história é o reflexo de uma personalidade que foi moldada a partir de uma traição. Após dez anos casada, ela descobriu a amante do marido e também uma filha da relação deles. A entrevista com Graciele abre mais uma série de reportagens do Lado B, agora sobre "Corações Partidos" e as descobertas que seguem depois de uma desilusão amorosa.

Veja Mais
Despedida dominou a web na semana em que todo mundo coloriu de verde o coração
Datilografado, pedido de casamento revelou primo apaixonado em 1980

No caso dela, o relacionamento extra conjugal foi mantido por seis anos. Quando foi descoberto, ela entendeu que é preciso ter coragem para por fim a uma vida a dois, quando a confiança é quebrada, mas que maior ainda tem de ser a determinação de quem decide “esquecer” em nome do amor.

Ela parece ter saído forte da desilusão. Graciele não quer mostrar o rosto, por todas as cobranças que costumam surgir contra uma mulher que relevou uma traição, mas conta que o perdão não é a melhor palavra para definir sua decisão. “Você só realmente perdoa alguém quando se lembra do que ela te fez no passado e aquela lembrança não dói”, comenta. Não é o caso da professora.

 

A aliança nunca saiu dos dedos de Graciele, mesmo após a descoberta da traição do marido. (Foto: Fernando Antunes) A aliança nunca saiu dos dedos de Graciele, mesmo após a descoberta da traição do marido. (Foto: Fernando Antunes)

A descoberta ocorreu ainda no ano de 2009, mas antes disso Graciele conta que já desconfiava das atitudes do marido. “O homem é muito peculiar, metódico nas suas ações dentro de um casamento, e acaba dando sinais quando algo está diferente na relação. E toda mulher sempre percebe quando algo está errado”, comenta.

Apesar das desculpas para as inúmeras viagens e reuniões, que iam até altas horas da noite, a professora garante que nunca questionou o marido.

“Eu sempre privei pela liberdade individual, mesmo no casamento, porque eu acredito que essa é a base de qualquer relação. Apesar da minha desconfiança, eu nunca fui incisiva em questioná-lo, eu jamais quis impor algo que ele não estivesse disposto a me contar por conta própria. Mas eu conhecia ele, seus hábitos melhor do que ninguém e já imaginava que tinha algo errado. A gente sente as diferenças de comportamento de uma pessoa quando ela está te traindo”, desabafa.

A confirmação ocorreu durante uma viagem do casal para Pernambuco. Uma transação bancária deu início as revelações que Graciele até então desconfiava, mas não queria acreditar. “Ele transferiu um certo valor da nossa conta e eu quis saber o porquê. Ele inventou uma série de desculpas, que não faziam o menor sentido, e então eu cobrei a verdade. Foi quando ele mesmo me contou tudo o que estava acontecendo. Que o dinheiro era para pagar o tratamento da filha que ele teve com esse outra mulher e que tinha ficado doente. Na época, a menina já tinha um ano de idade”, lembra.

Graciele diz ter sentido um misto de emoções: dor, decepção, revolta. Mas garante que apesar de não estar preparada naquele momento, também não se surpreendeu com a verdade. “Eu não estava preparada para uma confissão dele, mas como era algo que já acontecia há muito tempo e eu sabia que mais cedo ou mais tarde viria à tona, eu me fortaleci. Tanto que quando ele admitiu eu não derramei uma lágrima”, conta.

 

A decisão de estudar ele tomou após o casamento e após a traição. (Foto: Fernando Antunes) A decisão de estudar ele tomou após o casamento e após a traição. (Foto: Fernando Antunes)

Ainda de acordo com a professora, quando ela descobriu a traição do marido, ele já havia rompido com a amante. “Nesse intervalo de tempo, ele me garantiu que o único contato que mantinha com ela era por causa da menina. Ou seja, ele não tinha que fazer uma ´escolha`, porque eles já tinham terminado, há um ano. Todo homem gosta de ter uma segunda opção, mas no caso dele, ele rompeu com ela porque essa filha apareceria, mais cedo ou mais tarde, e não porque tinha sido descoberto”, explica.

Graciele conta que a partir do momento em que descobriu a traição, ela optou por tentar dar início ao processo de reconstrução do casamento. Ela e o marido nunca se separaram, mas se adaptaram a nova realidade que envolvia uma filha fora do casamento. 

“Não é só uma traição que acaba com um casamento, mas também a falta de respeito, companheirismo, afetividade e isso sempre mantivemos um pelo outro. Só que eu ainda precisava de uma certeza de que aquela história tinha mesmo chegado ao fim. Eu tinha ouvido uma versão dele, em que ele me assegurava que aquele caso tinha sido uma aventura sem importância. Mas você não mantém uma relação sem importância por seis anos e ainda tem um filho com essa pessoa”, diz.

Graciele contratou até um detetive particular para levantar tudo sobre o caso. “Foi quando eu descobri que a relação deles já existia há muito tempo. Que eles não só trabalhavam juntos, mas também as rotinas dos encontros, as viagens e inclusive que ela mantinha outras relações, além dele. Também confirmei que o único contato que eles mantiveram depois dela ter engravidado, foi para saber da criança. E isso tudo eu confrontei em uma conversa entre nós três. Eu precisava dessas verdades esclarecidas”, conta.

Eu simplesmente deixei essa história, que para mim já não tem a menor importância de lado, para viver a minha vida com a minha família”. (Foto: Fernando Antunes) Eu simplesmente deixei essa história, que para mim já não tem a menor importância de lado, para viver a minha vida com a minha família”. (Foto: Fernando Antunes)

A professora jura que não guarda rancor ou muito menos culpa a amante pela crise que enfrentou no casamento. Simpática e dona de uma confiança que impressiona, Graciele compara a sua história a de muitas outras mulheres, que também tiveram o coração partido.

“Em momento nenhum eu a culpo porque talvez ela tenha sido tão enganada quanto eu durante todos esses anos, com as promessas de que um dia ele iria se separar para ficar só com ela. As mulheres também tem mania de achar que ´a outra seduziu`. Mas o compromisso por ser fiel é de quem é casado e não a pessoa que é solteira. Trair é uma opção de quem tem um compromisso sério com outra”, pondera.

Longe da hipocrisia, Graciele explica que as lembranças da traição são inevitáveis, mas hoje em dia perderam a importância. “Não posso dizer que eu simplesmente esqueci, porque não. Mas para mim já não tem mais importância. Tenho um filho de 6 anos, uma de 12 e eles adoram a outra irmãzinha deles e a amam. Inevitavelmente ela frequenta nossa casa e eu convivo com ela perfeitamente bem, mas claro, ainda é forte aquela imagem da convivência com a filha que foi fruto de uma traição. Um elo que é para o resto da vida”, resume.

Antes e Depois – Perdoar uma traição foi um ato que por si só atraiu todo tipo de criticas e situações embaraçosas, que Graciele aprendeu a lidar com o passar do tempo. O “porque de uma segunda chance?” é questionamento recorrente.

“Eu optei por seguir a diante uma história ao lado de uma pessoa que sempre me fez feliz e me faz até hoje. Mas a partir do momento em que ele não me prover mais felicidade, acabou. Nada é eterno e meu casamento também não é, mas vai durar enquanto existir amor, cumplicidade. Eu simplesmente deixei essa história, que para mim já não tem a menor importância, de lado, para viver a minha vida com a minha família”, conta.

Graciele brinca que o clichê do “divisor de águas” acabou se concretizando durante o que foi a pior crise de seus 17 anos de casamento.“A traição fez cair a minha ficha de que eu deveria me redescobrir como mulher. Da Graciele limitada e submissa de antes, eu decidi voltar a viver, estudar, me formei, passei a ser mais independente e a confiança e a lealdade de certa forma se fortaleceram. A gente se respeita mais e eu continuo amando ele, e a forma dele me amar é ainda mais intensa do que antes”, conclui.

Topa contar a sua história? Envie o contato pela página do Lado B no Facebook.




imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.