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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

28/01/2015 06:47

A luta de quem pode morrer se não tiver a ajuda de cinco pessoas por dia

Paula Maciulevicius
Desde o dia 2 deste ano, Cristina Zotti passou para o outro lado. De profissional do Hospital Regional de Campo Grande, ela se tornou paciente.Desde o dia 2 deste ano, Cristina Zotti passou para o outro lado. De profissional do Hospital Regional de Campo Grande, ela se tornou paciente.

Para viver mais um dia, eles precisam de pelo menos cinco pessoas. Como se não bastasse depender de um número, o calendário também corre sem trégua e pode por a perder todo esforço. Nos bancos de sangue do Estado, a luta dos pacientes é contra a doença e o tempo. A meta diária pode chegar a sete bolsas de sangue que duram até cinco dias. Uma conta que se multiplica com o passar dos dias em todos os hospitais. 

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Desde o dia 2 de janeiro deste ano, a enfermeira Cristina Zotti, de 33 anos, passou para o outro lado. De profissional do Hospital Regional de Campo Grande, ela se tornou paciente. Depois que percebeu manchas roxas pelo corpo, solicitou aos médicos um pedido de exame. O resultado apresentou alterações e três dias depois ela foi diagnosticada: leucemia. 

"Imediatamente me ligaram e eu comecei o tratamento e uma campanha para doação. Porque no início do ano, é muito difícil de as pessoas doarem, o pessoal viaja de férias, então a gente começou a divulgar nas redes sociais", conta. 

A entrevista precisa ser por telefone. Cristina está numa área de isolamento justamente porque o organismo está com baixo número de leucócitos. Na prática, a enfermeira não pode ter contato com outros pacientes estando com a imunidade tão baixa.

A repercussão do pedido na internet foi muito boa a ponto de a família precisar organizar o número de doações. A repercussão do pedido na internet foi muito boa a ponto de a família precisar organizar o número de doações.

Ela que deu a notícia aos familiares e também a informação do número de doadores que precisava por dia: de cinco a sete bolsas de sangue.

"Cada bolsa dá uma quantidade pequena de plaquetas na hora de filtrar, às vezes eu tenho que receber sete bolsas para dar a quantidade que precisa e assim, se eu não tiver sangue para transfundir, eu posso baixar ainda mais as minhas plaquetas". 

Os primeiros efeitos colaterais seriam: sangramento, fraqueza, dor de cabeça, segundo a enfermeira. "É essencial para mim e que as pessoas tenham consciência de que não sou só eu aqui", diz. Para ela, os fatos que seguiram desde o dia 2 de janeiro estão correndo naturalmente. A repercussão do pedido de bolsas de sangue impressionou pelo alcance. Mas ele não pode parar.

"Pessoas de outros estados, amigos querendo saber se podiam fazer alguma coisa pada dor... Gente que tem pavor de agulha, que fala que não vê sangue, mas vieram e fizeram a doação mesmo assim", agradece. A solidariedade foi tamanha que os bancos de sangue pediram que ela organizasse a fim de não perder. "Achei incrível mesmo, muito bonito". 

O número de doadores necessários, Cristina diz que não chegou a se assustar, mas que gostaria de ver repassado a outros pacientes o que às vezes lhe pode sobrar. "Se tiver excesso de doadores, vai para outras pessoas. Acho fundamental colocar no lugar dos outros. Só se pode doar de três em três meses e fica muito escasso se for todo mundo doar de uma vez".

Cristina diz que está otimista, sabe do preparo e da estrutura do Hospital Regional, onde está internada. E mais ainda que, ao lado de dezenas de pacientes, depende das cinco bolsas para ganhar mais um dia. 

No mesmo dia do diagnóstico, Cristina já começou com a medicação via oral para medula e também a transfusão de plaquetas. No mesmo dia do diagnóstico, Cristina já começou com a medicação via oral para medula e também a transfusão de plaquetas.

A repercussão do pedido na internet foi muito boa a ponto de a família precisar organizar o número de doações. "A adesão foi bem boa, mas no começo da semana passada teve uma queda, eu não estava muito bem e não falei mais nada nas redes sociais. Fiquei sabendo ontem que o pessoal do banco estava solicitando para o servidores doarem. Foi quando eu comecei a falar com os amigos de novo", descreve Cristina. 

As plaquetas vencem em cinco dias, então não adianta aparecer todo mundo para doar de uma vez só. "Como eu estou na fase ainda de plaquetas e leucócitos tão baixos, tenho de ficar recebendo plaquetas todos os dias", justifica a enfermeira.

No mesmo dia do diagnóstico, Cristina já começou com a medicação via oral para medula e também a transfusão de plaquetas. "Eu estou há 25 dias internada, nestes, apenas quatro eu não recebi plaqueta. Tudo depende muito do paciente. O meu tipo de leucemia tem um bom prognóstico, mas essa primeira internação é demorada assim mesmo", afirma. 

Serão no mínimo 30 dias para que as células do corpo possam se renovar, aumentar e se estabilizar no organismo dela. "Eu fiquei um pouco assustada, com medo. Senti que seria sério, sabe? Eu conhecia um pouco e foi como se eu tivesse uma revelação. Deus mostrou para mim que seria sério... E eu tenho uma filha, ela tem 4 aninhos". Cristina começa a chorar. Interrompe a fala. Respira e retoma as palavras aos poucos. 

"Eu lembro que eu ajoelhei e pedi para que Deus me mostrasse se seria uma coisa muito grave ou se seria mais um obstáculo que a gente tem na vida. Eu tive aquele momento e não senti mais medo, me foi mostrado que ia ser passageiro", sustenta. 

Para doar -  É preciso ter entre 16 e 68 anos, estar bem de saúde, ter se alimentado e não ter consumido algum tipo de bebida alcoólica nas últimas 12 horas. A pessoa deve ir até o banco de sangue com um documento com foto (carteira de identidade, trabalho ou habilitação) no ato da doação. Jovens menores de 16 anos só podem doar mediante autorização dos pais ou responsáveis.

No Hospital Regional, o Hemonúcleo funciona no horário da manhã de segunda a sexta, das 7 às 12 horas, na Avenida Engenheiro Luthero Lopes, 36, no Bairro Aero Rancho. O telefone de contato é o 3378-2500. Já a Santa Casa de Campo Grande e Hospital Universitário atendem de segunda a sexta das 7 às 17 horas. O banco de sangue da Santa Casa funciona na Rua Eduardo Santos Pereira, 88. O telefone é 3322-4126 e o Hospital Universitário fica na Avenida Senador Felinto Müller, ao lado da UFMS. O contato para informações é o 3345-3000.




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