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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

29/05/2016 07:20

A mania de filmar e jogar tudo na rede contra o limite do respeito às pessoas

Mariana Monge
A mania de filmar e jogar tudo na rede contra o limite do respeito às pessoas

Esses dias, duas publicações no Facebook me deixaram muito pensativa e irritada. A primeira foi de um vídeo, no qual aparecia um homem por volta de seus 50 anos que aliciava uma menina de mais ou menos 10.

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A outra, foi o comentário de uma mulher, relatando que viu uma criança sozinha parada em frente ao portão de uma escola e o pesar dela foi de não ter pensado rápido o suficiente para ter tirado uma foto da cena.

Vamos lá para o primeiro caso. Não condeno a pessoa ter filmado todo o abuso, afinal, ela precisaria de provas para denunciar o abusador. Mas fico, realmente, perturbada com a possibilidade de o autor do vídeo não ter segurado o cara e chamado a polícia.

Mas suponhamos que estamos falando de uma pessoa consciente e responsável, que colheu provas e denunciou, levou todo o material à autoridade que competia. Poderia ter virado herói, mas, ao jogar este vídeo na rede, caiu na armadilha da audiência e dos "views".

No segundo caso, temos o seguinte texto: "Não pensei rápido o suficiente pra tirar uma foto e não faço ideia dos motivos que o deixaram nessa, mas sei que nosso bairro não é mais o mesmo e essa situação é muito perigosa". E o que ela fez?

A) Foi conversar com a criança, ver se estava tudo bem, se precisava de algo;
B) Tentou achar o responsável pela criança, tentou contato com a escola ou, em último caso, ligou para a polícia;
C) Só viu a cena, se indignou, jogou na rede e ficou por isso mesmo. (Mas sentiu muito pela foto que não aconteceu).

Até quando vamos despejar uma caralhada de coisas nas redes sociais sem nos preocuparmos o quanto estamos expondo o outro? Nestes casos que citei, a situação é ainda mais grave, pois em ambos o centro é a criança.

A impressão que tenho é que tudo se resume a um registro de foto ou vídeo no celular para ser despejado em alguma dessas mídias sociais e gerar inúmeros compartilhamentos. Divulga-se muito. Pouco se faz.

A minha irritação se mistura à tristeza. Até quando? Até onde? Será tão difícil assim enxergar que o respeito ao próximo deve sempre vir antes da pretensão de sermos os donos da razão? Seja qual for o motivo, a exposição da fragilidade de uma pessoa tem apenas um destino final: a desgraça. Até quando? Até onde?

Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página da autora.

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