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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

26/08/2015 07:23

A natureza que resplandece em Mato Grosso do Sul, nunca encontrei em lugar algum

Mariana Monge
senti uma pontinha de orgulho por ser de uma capital que está entre as mais arborizadas do país (Foto: João Garrigó)"senti uma pontinha de orgulho por ser de uma capital que está entre as mais arborizadas do país" (Foto: João Garrigó)

Já era julho, final da tarde, eu estava na rua Arthur Jorge, na região do Monte Castelo, e esperava na calçada o fotógrafo do jornal fazer as últimas imagens que ilustrariam a matéria, quando avistei um tucano no alto de uma árvore. Eram os meus últimos dias em Campo Grande, e logo me peguei pensando: "Será que em Belo Horizonte terei o privilégio de ter a natureza assim, tão pertinho de mim?"

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Senti o gosto da nostalgia mesmo antes de partir. Comecei a pensar que todos os dias eu acordava com uma “gritaria” sinfônica de araras que logo cedo visitavam o condomínio onde morava. E lembrei também que não era raro avistá-las voando, de par em par, pelo céu da cidade.

“Moça, na sua terra tem jacaré e onça andando na rua?”

Em algumas viagens pelo Brasil, já ouvi perguntas como essa e já me senti ofendida por elas. Mas, depois de observar tantos arranha-céus por aí, pensei cá com meus botões: “sou privilegiada por não ver arara e tucano atrás de grades de gaiolas”.

Também senti uma pontinha de orgulho por ser de uma capital que está entre as mais arborizadas do país. E logo lembrei do corredor de árvores de tantas avenidas de Campo Grande. Ah, sem falar nos ipês, que quando florescem, dão um show bem diante de nossos olhos.

Me lembrei das estradas para Corumbá, onde muitas vezes pude ver de perto jacarés, veados, tamanduás, tuiuiús, garças, diversas espécies de pássaros que sequer sei o nome, e, acredite, até onças. E tudo livre. Sem grades. É o Pantanal que oferece suas belezas de graça para nós.

A recordação do Morro do Paxixi, próximo a Aquidauana, também me veio à memória. Contemplei uma imensidão de terra com paisagens desenhadas por Deus. E tudo ali, no “quintal da minha casa”.

E como não lembrar das tão doces capivaras que desfilavam pelos corredores da UFMS? Em fila, elas seguiam em um ritmo invejável de tranquilidade, rebolando os quadris. E muito mais organizadas do que os próprios estudantes, diga-se de passagem.

Ao terminar este relato, confesso que estou com um sorriso no rosto e o coração ansioso. Até aqui, gastei tudo o que tinha de saudade dentro de mim com família e amigos. Mas hoje, pela primeira vez em um ano, sinto saudades da minha terra, da “bela Serra de Maracajú”, eternizada na música de Almir Sater...

Ah, e respondendo à pergunta que fiz a mim mesma no início deste texto: Não! Aqui em Belo Horizonte não tenho o privilégio de ter a natureza tão pertinho de mim. A única vez que vi uma arara aqui foi dentro de uma gaiola. E até o a gritaria dela me parecia diferente.

Por isso, encerro com um clamor aos meus conterrâneos: Preservem a natureza, por favor!

*Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página Mariana Monge.




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