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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

20/11/2012 08:29

A realidade mudou bastante, mas o preconceito não

Elverson Cardozo
Maria Neci diz que muita coisa mudou, mas os negros ainda são discriminados. “Às vezes você chega em algum lugar e olham torto para você”, disse. (Foto: Minamar Junior)Maria Neci diz que muita coisa mudou, mas os negros ainda são discriminados. “Às vezes você chega em algum lugar e olham torto para você”, disse. (Foto: Minamar Junior)

Uma conversa rápida na rua, com qualquer um que se habilite a falar do assunto, é o suficiente para mostrar que a realidade mudou bastante, mas o preconceito contra negros ainda existe, apesar dos anos e dos discursos de inclusão.

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Celebrado nesta terça-feira (20), o dia da Consciência Negra tem o objetivo de promover uma reflexão acerca da inserção do negro na sociedade. A data lembra o dia da morte de Zumbi de Palmares.

Casada com um negro há 7 anos, a bloquista Patrícia Salina Vitorino, de 33 anos, espera que o dia sirva para que as pessoas passem a encarar o negro como ser humano. E não é exagero querer isso, garante.

O preconceito, enraizado na sociedade, ainda é presente e está por toda a parte. “Hoje em dia melhorou bastante, mas ainda existe”, disse.

Outro dia, contou, o marido foi abordado por policiais, durante um passeio à noite. Ela, que seguia atrás, não chegou nem a ser revistada. “Eu também poderia ser bandido. Por que não me abordaram?”, questionou.

Para a bloquista, esse tipo de situação reforça que muita gente ainda não conseguiu aprender que a cor não elimina a condição de pessoa, não tira o caráter, nem as qualidades. “É gente como a gente”, afirmou.

Maria Garcia Ferreira, de 63 anos, é casada com um negro há 50 anos e pensa da mesma maneira que a bloquista. Acredita que os negros, hoje, estão se destacando, sendo valorizados. Apesar disso, a discriminação ainda é uma realidade.

Elizeu Riquelme acredita que o preconceito às vezes vem do próprio negro. Elizeu Riquelme acredita que o preconceito às vezes vem do próprio negro.

“Tem que mudar porque todos nós somos iguais. Eles são humanos. Só a cor é diferente. O sangue é igual”, disse.

As duas defendem políticas públicas voltadas aos negros. As cotas em universidades, por exemplo, se fazem necessárias porque o preconceito pode não existir no discurso, mas é velado.

Negro, Elizeu Riquelme Rodrigues, de 58 anos, vai na contramão de todos esses argumentos e explica o porquê: “A discriminação começa aí, porque você está qualificando o branco e o negro”.

Para o representante comercial, a raça não dita competência e as disputas deveriam ser de igual para igual. O preconceito, declarou, às vezes parte do próprio negro. “Isso manda muito da cabeça da pessoa. Eu nunca fui discriminado”, contou.

Esta terça-feira, para ele, representa apenas um dia para os negros que devem se manter com “a cabeça erguida” e “pensar positivamente”.

Na comunidade Tia Eva, remanescente de quilombo, a discussão se prolonga. A dona de casa Neide Ferreira, de 34 anos, concorda que alguns exageram, enxergam preconceito em tudo, mas ele existe sim, disse. Houve mudanças, pontuou, mas ainda falta muita coisa. “Não está como a gente quer”.

Neide Ferreira e o filho de 1 ano. (Foto: Minamar Junior)Neide Ferreira e o filho de 1 ano. (Foto: Minamar Junior)

A irmã, Maria Neci, de 26 anos, sabe bem o que isso significa, porque sente na pela a discriminação. Atitude que, para ela, demonstra a falta de amor pelo próximo. “Às vezes você chegam em algum lugar e olham torto para você”, comentou, ao dizer que já enfrentou situações desagradáveis no comércio, por exemplo.

A amiga, a diarista Lucileia Cassia, de 34 anos, espera uma mudança, mas sabe que isso não vai ocorrer do dia para noite. É um processo demorado de conscientização.

Casada com um negro há 15 anos, ela tem opinião formada sobre o assunto: “Penso que o negro deveria ser igual o branco, porque todo mundo é de carne e osso”.

Percentual de  pretos aumentou 4,9%, segundo IBGE. (Foto: Minamar Junior)Percentual de pretos aumentou 4,9%, segundo IBGE. (Foto: Minamar Junior)

Estimativa - Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2000 para 2010, apontam que Mato Grosso do Sul foi o terceiro Estado brasileiro com maior queda no número de pessoas que se declaram brancas (7,4%).

O percentual de pardos e pretos aumentou, automaticamente. Em 2010, o número de brancos declarados caiu para 47,3%, o de pretos aumentou para 4,9% e o de pardos aumentou para 43,6%, o que leva à soma de 48,5%.

A metodologia do instituto usa a palavra preto para indagar as pessoas sobre sua cor. Pela convenção do IBGE, no Brasil, negro é quem se autodeclara preto ou pardo. A população negra é o somatório dessas duas populações.

Data – Instituída pela lei 10.639, de 9 janeiro de 2003, o Dia da Consciência Negra é uma homenagem a Zumbi de Palmares, um dos líderes dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, na divisa entre Alagoas e Pernambuco.

Zumbi nasceu livre em Palmares, em 1655. Foi capturado e entregue a uma família portuguesa. Aos 15 anos, fugiu para seu local de origem e tornou-se o mais famoso do quilombo por ter lutado contra a opressão portuguesa. Ele morreu no dia 20 de novembro de 1695.




O preconceito existe por causa da linguagem e do mau comportamento imoral e indecente da maioria, fora a falta de educação, falta de civilidade, abuso de poder por causa do sentimento de vingança e descaso de alguns pelos brancos por causa do sofrimento que já passaram.....e muitos outros diversos e distintos motivos.
 
Aline Moraes em 28/09/2013 16:48:56
Sou negra e tenho muito orgulho disso, filha de mãe branca e pai negro, minhas irmãs são claras, só eu nasci negra, não poderia ser melhor, me amu, me admiro, só tenho a agradecer a Deus, já fui discriminada, sim, mas sei me defender...
 
Adriana Araujo em 21/11/2012 08:38:45
Eu acho uma verdadeira piada esse pessoal que defende a igualdade racial o fim do preconceito e é a favor de cotas RACIAIS, bando de hipócritas, cotas só reforçam o preconceito, alias, preconceito todos sofremos ou sofreremos seja por ser gordo, baixo, alto, magro, pobre, ter nariz avantajado, orelha de abano, testa grande, gay, pardo, índio, japonês, ''turco'', judeu, gaúcho, baiano.. etc etc.. é da natureza humana rebaixar o próximo, cabe a cada um demonstrar o seu valor e sua capacidade, infelizmente o governo só estimula medidas populistas que realçam a síndrome de vira lata em pleno sec 21, esse papinho furado de coitadismo, dívida histórica, vítima do universo nunca levou nem levará ninguém a nada,.
 
Roberto Inzagaki em 21/11/2012 08:22:40
Eu acho que aquilo quanto mais mexe mais fede; sou negro, filho de negro e vejo que quem mais discrimina é o próprio negro da cidade. Ser pobre já é o principio de muitos preconceitos: cor, deficiencia, saber, classe e outros. Ninguém discrimina um negro bem sucedido. Cada um tem que lutar para vencer, se não nasceu já hedeiro de Trono.
 
luiz alves em 21/11/2012 08:05:59
Há pouco tempo atrás eu pensava que a maioria era como eu, que não se baseia em cor, raça, credo religioso, deficiências ou não para "amar", respeitar e ajudar as pessoas. Até que minha amiga me disse que saiu de seu antigo emprego (uma rede de supermercados de Campo Grande) pois por mais que realizasse seu trabalho de forma exemplar, sempre era inferiorizada devido a sua cor... Achei um absurdo este tipo de tratamento preconceituoso. Tem muita gente que se acha muita coisa por sua cor, posição social etc... Mas por dentro é mais sujo que qualquer cão de rua...
 
Helen Rangel em 20/11/2012 15:47:15
O peconceito existe, isso é fato. Quem não o sente é porque, provavelmente, não é negro ou não tem amigos e familiares próximos que o sejam. Mas estipular uma data para a reflexão sobre essa situação para mim ainda soa demagógico. A "consciência" negra deve ser todo dia, entender que todos somos humanos, independente da cor da pele é tarefa diária. Ainda soa estranho para mim esse "Dia da Consciência Negra", como se nos outros dias fosse permitido não ter consciência. enfim... Salve Zumbi dos Palmares, o dia do agradecimento aos irmãos negros que ajudaram a contruir a nação brasileira, isso sim deve existir.
 
Rosana Sant'Ana de Morais em 20/11/2012 11:39:38
Parto do principio que todos somos iguais, não existe detalhe nem de credo, raça, cor etc ...Deus nos fez igual a sua imagem e semelhança portanto amados não se sintam dessa forma, aos olhos do Pai é que vale a avaliação.
 
Hosana Lima em 20/11/2012 10:43:53
O tratamento deveria ser o mesmo para todos,mas a realidade esta bem longe de acontecer,começa pelas próprias autoridades que deveria dar exemplo independente de cor ou raça.
Quem sab um dia as pessoas se torne mais ricos de espirito,porque isso é pobreza de espirito e falta de Deus.
 
Fabiana Alves em 20/11/2012 09:45:46
Eu acho que existe uma grande confusao sobre o preconceito hoje em dia, atualmente o preconceito racial é mínimo, o que existe é um preconceito referente a posicao social, economica, aparencia e orientacao sexual. Tem negro rico que discrimina branco pobre, gente ``bonita`` que discrimina gente feia, heterosexual que descrimina gay e agora é comum gays que discriminam heteros.. etc..
 
willian justi em 20/11/2012 09:43:48
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