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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

28/07/2015 08:23

A vida de quem costuma ouvir: "Nossa, você é tão bonita, pena que não anda"

Naiane Mesquita
Lis sacudiu a poeira e levantou a autoestima depois que conheceu o esporte e outras pessoas com deficiência (Foto: Fernando Antunes) Lis sacudiu a poeira e levantou a autoestima depois que conheceu o esporte e outras pessoas com deficiência (Foto: Fernando Antunes)

Lis nunca andou. Um erro no parto fez a menina crescer como uma estranha no ninho. Mas a necessidade de respeito fez a mulher buscar os caminhos que merece, mesmo os mais complicados. A história... ela mesma conta, aqui no Voz da Experiência.

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Me chamo Elisangela, mas conhecida como Lis Loureiro, tenho uma síndrome chamada Artrogriplose, ela dá na terceira semana de gestação e na hora de nascer, minha mãe teve algumas complicações. Nasci sentada e a médica forçou um parto normal o que gerou várias fraturas da cintura para baixo, enfim...

Minha infância foi um pouco traumática, creio que por eu ter morado no interior de Mato Grosso do Sul, em Ponta Porã, sofria muito preconceito e as crianças não aceitavam muito bem a minha deficiência. Em 2000, minha família resolveu se mudar para a Capital para o meu tratamento, e minha vida mudou da água para o vinho. 

Aqui, conheci o esporte e minha independência como mulher. Aprendi a me “virar nos 30”, aprendi que a limitação estava na minha cabeça e não na minha deficiência e que quem quer realmente dá um jeito e não uma desculpa.

Hoje tenho 24 anos e faço parte de uma organização de mulheres com deficiência. Lutamos por melhorias na saúde e educação, por exemplo. 

O que mais acontece com a mulher que tem alguma deficiência é a sua baixa autoestima. A sociedade, que já tem uma visão muito fechada sobre as pessoas com deficiência, acha que por termos alguma limitação física não temos uma vida ativa. Eu, por exemplo, já escutei várias coisas em baladas e até mesmo na rua como: "Nossa, mas você e tão bonita, que pena que não anda". Ou pior: "Você na balada? Você deveria estar em casa, aqui não é seguro para você".

Hoje em dia não é fácil ser mulher, imagina ser cadeirante e mulher...

Por isso, sou mulher e feminista, não luto só pela minha liberdade, mas também pela liberdade de outras mulheres.

A mulher em si já sofre uma grande desigualdade social. A mulher com deficiência sofre ainda mais. E como eu sempre falo: tenho 24 anos, mas tenho uma bagagem de vida longa e cheia de histórias boas para contar. As pessoas que convivem comigo aprendem que a vida é cheia de altos e baixos, mas o que vale mesmo é a sua forma de viver e amar o próximo. Às vezes, reclamamos por tantas coisas que esquecemos de agradecer pela vida e oportunidade que temos.

Uma coisa que aprendi com o esporte é o quanto se reclama e uma pessoa que tem uma limitação física tão grande está com o sorriso no rosto e feliz por estar viva.

Depois que tive um convívio mais direto com as essas pessoas, parei de reclamar e comecei a ver o lado bom da vida, como, por exemplo: eu tinha vergonha das minhas pernas, até conhecer uma amputada das duas pernas que me disse assim: você tem vergonha das suas pernas né? Eu só olhei para ela. E ela me solta a seguinte frase: Se eu tivesse as duas pernas não me importaria se elas fossem finas ou não; eu não teria vergonha nenhuma de mostrá-las.

Depois desse dia comecei a ver a vida de outra forma e comecei uma luta interna constante para melhorar e ajudar a melhorar a autoestima das mulheres em minha volta.

Estou com um projeto em mente para ajudar as mulheres com alguma deficiência a se olharem diferente e verem que elas são lindas do jeito delas e não do jeito que a sociedade impõe.




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