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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

12/09/2013 06:56

A vida de uma africana e muçulmana num curso de Engenharia da UFMS

Paula Maciulevicius
Embora não admita pela timidez, jovem fala e muito bem o português. (Fotos: Cleber Gellio)Embora não admita pela timidez, jovem fala e muito bem o português. (Fotos: Cleber Gellio)

Mais do que a língua e os quilômetros, a distância deixa de ser geográfica e passa a ser racial, social e cultural. Do continente africano ingressam nos bancos de universidades federais de todo país, estudantes beneficiados por convênios entre o governo brasileiro e os países de origem. O resultado é, muitas vezes, aquelas olhadas nos corredores na direção de quem destoa do que a gente entende por normal.

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Há dois anos, na UFMS, uma mulher, negra, africana e muçulmana divide a sala de Engenharia da Computação com outras duas mulheres. Elas são apenas três em uma sala de mais de 30. E ela, a única de véu.

A jovem fala o português muito bem, embora não admita pela timidez. Volta e meia, ela faz uma pausa maior que uma vírgula e outra, mas é só para por os pensamentos em ordem para a entrevista seguir. Mais pelo estilo recatado do que pela busca de palavras.

O Lado B entrou um pouquinho na história da vida da estudante do quinto semestre de Engenharia, Nafissa Ibrahim, 20 anos. Nigeriana, a menina foi escolhida para fazer o exame de admissão para o convênio. Processo que mais do que burocracia, exige uma adaptação até mais cansativa que a papelada.

Nafissa, apesar da timidez esconde um sorriso lindo. Aberto, brilhante, e aquele branco que contrasta com a dor da pele. Os olhos, na mesma proporção em que ofuscam, também carregam peso. Natural de quem vem com selo da África e que carrega profundidade no olhar. Gente que mesmo longe da vida do lado de lá, carrega a dor que seu povo já passou.

Nafissa Ibrahim, tem mais 3 anos de estrada na Federal até voltar com sua contribuição à Nigéria;Nafissa Ibrahim, tem mais 3 anos de estrada na Federal até voltar com sua contribuição à Nigéria;

A língua portuguesa foi aprendida seis meses antes da vinda ao Brasil. E se para a gente que estuda a vida inteira o idioma já é difícil, imagina para quem veio de passagem. Isso porque terminado o curso, ela sabe que precisa voltar para levar a contribuição ao seu país.

A escolha pela Engenharia também foi influenciada pela gramática. Foram pelas regras que ela achou que com números não teria erro e descartou a primeira opção, de cursar Medicina. “Eu gosto das exatas e meu pai é engenheiro”, disse.
Assim como a maioria dos africanos que vem estudar em Mato Grosso do Sul, ela não vê os pais desde que trocou a Nigéria pelo Brasil, há dois anos. Ano passado, quando pensou que voltaria, não teve férias por conta da greve.

No entanto essas idas a casa, pelo menos na Nigéria, são arcadas pelo país de nascimento. Ela tem ajuda de lá para ir e vir, enquanto muitos vivem apenas da bolsa de estudos paga pelo Brasil e só encontram o abraço de casa quando voltam com as malas e o aprendizado daqui.

A primeira pergunta que vem à cabeça é como ela pode deixar o país com uma população muçulmana tão expressiva para vir se aventurar por aqui. De prontidão ela responde “a coisa vem mudando, a mulher pode fazer Engenharia, pode viajar para fora para estudar, ter conhecimento”.

Num calor de mais de 30 graus, ela sempre está de véu, calça e uma blusa que esconda os braços. Força do costume e também uma das condições da religião. “Não é preconceito, mas as pessoas olham sim para as minhas roupas. Elas falam por que ela usa roupa assim? Não sente calor? Eu digo que é a minha religião. As pessoas são muito simpáticas e me tratam muit bem”, explica. Ela garante que nunca sofreu preconceito algum e até atribui ao número de muçulmanos na Capital e a existência da mesquita em Campo Grande.

A janela das aulas ‘casa’ com as cinco orações diárias que ela cumpre.Das 4h30 da manhã ao entardecer, enquanto está fora de casa, ela consegue encerrar as atividades na universidade e correr para casa.

As saudades do que para ela é casa mesmo acabam com um abraço que está por vir. Fim deste ano Nafissa encontra os pais e irmãos. Mas até lá, as conversas entre a diferença de 5h pelo fuso horário, são via internet e pelo WhatsApp.




Estudo com ela ;DDDDDDD
 
Clovis Silva em 13/09/2013 08:05:50
INCRÍVEL A FORÇA DE VONTADE DESSA MOÇA. SUPEROU AS BARREIRAS PARA REALIZAR SEU SONHO DE SER UMA ENGENHEIRA. QUANTOS NÃO VALORIZAM AS FACILIDADES QUE OS "PAPAIS" LHES OFERECEM. PARABÉNS NAFISSA IBRAHIM!
 
Patricia Cabreira em 12/09/2013 18:03:52
Mais uma ótima reportagem sobre a vida dos muçulmanos pelo Campo Grande News. Estou de parabéns pelas palavras bem escolhidas. Conheçi a Nafisa desde quando vim da Nigéria, e uma moça muito simpática e religiosa. Para saber mais sobre os muçulmanos em Campo Grande, curtem a nossa página no Facebook https://www.facebook.com/Islam.Cidade.Morena
 
Nassim Dhaher em 12/09/2013 15:16:26
Smalla'Alik
 
luxemburgo luxa em 12/09/2013 08:29:19
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