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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

31/01/2014 06:36

Agenda na parede, escrita com carvão, fica famosa por socorrer clientes e amigos

Paula Maciulevicius
Se alguém pedir ao 'seo' Raimundo mecânico, responsável por horta da prefeitura e a ex-dona de um trenzinho, os números estão todos na parede. (Fotos: Marcos Ermínio)Se alguém pedir ao 'seo' Raimundo mecânico, responsável por horta da prefeitura e a ex-dona de um trenzinho, os números estão todos na parede. (Fotos: Marcos Ermínio)

Na parede laranja do hortifrúti Recanto Verde, no bairro Jardim das Nações, tem telefone que vai do mecânico até da jovem dona de um trenzinho que nem existe mais em Campo Grande. Há seis anos, o agricultor Raimundo Gomes da Silva, de 54 anos, resolveu abrir mão do papel e da caneta na hora de anotar qualquer número. Em substituição, adotou a parede próxima ao banheiro e carvão.

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Antigamente os telefones eram anotados em ‘folhinhas’, os calendários distribuídos por empresas em que cada página correspondia a um mês do ano. Talvez pela extinção do tipo aliado à busca por um espaço mais livre tenha feito ele migrar para uma agenda, digamos, mais imóvel.

A justificativa dele é que quando o celular toca e do outro lado da linha é algum companheiro precisando de um telefone, não é preciso sair da horta para entrar em casa atrás do tal número. O trabalho do agricultor é plantar mudas, colher frutas e verduras no terreno e por à venda no hortifrúti em frente da residência.

“Aonde eu tiver, tiro o celular que toca no bolso. Com a folhinha eu estava sentindo dificuldade, precisava disso e estava na horta. Daí tinha que arrancar as botas, entrar em casa e ainda caçar a agenda”, resume.

Os telefones que o carvão escreve no laranja são essenciais para quem ‘seo’ Raimundo chama de companheiros. Os números são de gente que já o ajudou, clientes, quem já lhe ofereceu serviços e por aí vai...

Quando no bolso o celular toca e alguém em apuros pede ajuda, ele não precisa tirar as botas e entrar em casa. Quando no bolso o celular toca e alguém em apuros pede ajuda, ele não precisa tirar as botas e entrar em casa.

“Essa pessoa aqui é muito importante para mim, a Daniele do trenzinho que andava com as crianças em Campo Grande, mas agora ela vendeu para Santa Catarina. O Jairzinho da prefeitura é o que coordena as hortas das escolas, este aqui poda árvores na cidade”, descreve, se deixar, telefone por telefone.

Questiono se de fato, com a tal agenda na parede, ele virou referência entre os conhecidos. A afirmação é que sim. “Se um companheiro ligar e falar, olha Raimundo, quebrou meu carro, eu tenho o telefone desse mecânico que vai em qualquer ponto. Eles não sabem quem pode socorrer. A mesma coisa é com este aqui, este cara vende cebolinha. Tem cliente que pergunta se eu tenho, digo que não, mas tenho quem tenha”, exemplifica.

E a lista é extensa. São três paredes que junto das folhinhas armazenam mais de 300 anotações. Uma delas é o xodó do ‘seo’ Raimundo. No alto de uma das quinas está o nome da Sherry, sozinho, em destaque, sem dividir seu espaço com nenhum outro 33... alguma coisa.

“Essa pessoa aqui é do Rio de Janeiro, veio estudar aqui e se propôs a vir para me ajudar a produzir mudas nativas para dar para a população plantar nas praças. Por que ela está aqui? Quando você descobre que alguém tem interesse, não visando dinheiro e nem salário, um voluntário para fazer muda, você tem que acolher uma pessoa dessas”, comenta.

Ele sabe que vai chegar o dia que as paredes terão se esgotado. Mas antes até que a data chegue, ele pretende implantar uma placa “visível” no próprio hortifrúti.

O carvão, ele estuda substituir, mas ainda não sabe pelo quê. Giz, avalia ser uma hipótese arriscada. “Um curioso pode chegar lá e apagar”.

Ao final da entrevista, peço a ele que anote então o telefone do Campo Grande News e ele escreve, número por número. O hortifrúti fica na avenida Gabriel Spipe Calarge, 18, no bairro Jardim das Nações.

E a lista é extensa. São três paredes que junto das folhinhas armazenam mais de 300 anotações. E a lista é extensa. São três paredes que junto das folhinhas armazenam mais de 300 anotações.



berlissima materia parabens lado B vou ate la comprar verduras desta figura..................
 
paulodoradinho em 31/01/2014 18:05:34
Bela reportagem! Gente comum, que faz o cotidiano ser mais interessante!
 
Ercy D. Dias em 31/01/2014 12:49:50
gostei dessa matéria muito legal
 
Ricardo Raul em 31/01/2014 09:05:16
Tem mais número que muitos celulares antigos não conseguiam guardar em sua memória.
Já tem algo em torno de 300 registros na "paredemória" hehehe
 
André Castanho em 31/01/2014 08:45:33
Ok..ok... é em sua casa,então o jeito é levantar mais paredes.....
 
juraci callado em 31/01/2014 07:48:11
imagem transparente

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