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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

15/09/2015 06:12

Ainda tem muito homem que decide qual roupa e até o batom que a mulher vai usar

Naiane Mesquita
Vendedores simulam cena clássica de namorados em loja (Fotos:  Gerson Walber)Vendedores simulam cena clássica de namorados em loja (Fotos: Gerson Walber)

Nos classificados da internet, uma publicação chama a atenção: “Comprei um vestido essa semana, mas meu marido não gostou”. A moça em questão queria informações sobre o seu direito em relação a troca do produto, mas enquanto alguns a ajudavam, muitos questionavam o porque dela se importar tanto com a opinião do companheiro.

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Ana Cláudia mostra um dos exemplos de roupas normalmente barradas pelos companheiros Ana Cláudia mostra um dos exemplos de roupas normalmente barradas pelos companheiros

Da publicação no Facebook a unanimidade entre os vendedores, a questão é que os homens ainda dão muito palpite no que as mulheres usam. “Eles reclamam mais de roupas curtas ou decotadas. Uma vez atendi um casal que a mulher queria uma calça, ele achou que estava muito apertada e ela acabou nem levando. Teve outro caso de uma outra moça que acabou escolhendo a que o marido achou melhor”, afirma a gerente Ana Cláudia Seles da Silva, 29 anos.

Ela diz que os palpites são comuns em ambos os sexos, mas que muitas vezes a opinião não é em relação a estilo ou moda. “Tem muita mulher que é submissa mesmo”, acredita.

Valesca de Souza Costa diz que já viu as mulheres desistirem de levar peças por causa da censura dos companheiros Valesca de Souza Costa diz que já viu as mulheres desistirem de levar peças por causa da censura dos companheiros

Em outras lojas de roupas da rua 14 de julho, a opinião de Ana Cláudia se repete. “Os homens falam sim e como elas querem agradar acabam seguindo o que eles querem. As roupas curtas são o que mais eles reclamam. São poucas que conseguem dobrar o namorado ou marido”, afirma Valesca de Souza Costa, 18 anos.

O gerente da loja em que Valesca trabalha, Flávio Vasques, 30 anos, tenta amenizar as coisas. “Aquele cara que fala não vai levar, só esse daqui é difícil. As vezes, o cara tenta fazer, mas a mulher leva do mesmo jeito. É do homem, não tem jeito”, justifica, mesmo com os outros vendedores afirmando o contrário, que o companheiro pressiona e muito a mulher na hora da decisão.

Susi conta que mesmo quando compram sozinhas, as mulheres já imaginam que o companheiro vai reclamar Susi conta que mesmo quando compram sozinhas, as mulheres já imaginam que o companheiro vai reclamar

Algumas lojas até temendo o comportamento masculino pede que eles sentem em bancos mais afastados dos provadores. “Eles dão muito palpite, alguns até ajudam, mas outros atrapalham, reclama do preço ou que está curto demais”, afirma Susi Melo de Jesus, gerente e vendedora de uma loja de moda feminina.

Susi conta que muitas vezes as mulheres fazem compras sozinhas, mas imaginam com antecedência a censura dos namorados. “Talvez o cara nem se importa e elas ficam falando que ele não vai gostar ou aprovar, acontece muito, o homem parece um chato”, acredita.

O comportamento não acontece somente em lojas de roupas. No salão de beleza o palpite masculino chega forte. A maquiadora Nanda Tavares está há quatro anos no mercado e afirma com todas as letras que muitas vezes precisa mudar a produção pela opinião masculina.

“Eles influenciam em tudo, reclamam de olhos muito fortes, de cílios postiços, cabelo cacheado, batom vermelho, já vi de tudo. Elas pedem para não fazer porque senão quando chegar em casa, o companheiro vai mandar tirar. É uma dominação”, explica.




Se o marido ou namorado diz que a roupa está curta ou muito apertada, é "machista" e "chato", ou "não é homem" como comentaram aí, mas se algum outro homem mexer com ela na rua, falar alguma obscenidade, exatamente por causa da roupa, o namorado/marido será cobrado justamente em sua masculinidade a defender sua amada. "Você não vai fazer nada?!. Seja homem, oras!". Se não o fizer, será considerado frouxo pela companheira, e mesmo que não diga isso, ela vai pensar. O recado é claro: a masculinidade é via de mão única em prol da mulher, para lhe servir de alguma forma. "Mostre que é cavalheiro, e deixe-a se sentar aí". "Seja homem e abra a porta do carro pra ela". "Homem de verdade faz isso, faz aquilo" e assim por diante. Mas falar da roupa dela? De jeito nenhum!
 
Dean_Winchester em 15/09/2015 08:00:44
Engraçado que vejo muitos homens por aí (pra não dizer todos) chamando a esposa ou namorada de "patroa", fazendo tudo o que elas mandam, e se orgulhando de serem submissos. Propagandas na TV vendem esse comportamento numa boa. Basta lembrar da Bombril e da Tigre. Quem assiste o programa Trato Feito, no canal History Channel, certamente já percebeu a grande quantidade de homens que vão até a loja para vender seus pertences (às vezes coisas com valor sentimental) porque a esposa "mandou". Caras que trocam de carro, ou vendem uma moto que gostam, porque vão casar, e a futura esposa assim determinou.
 
Dean_Winchester em 15/09/2015 07:45:41
Quem tem esse tipo de comportamento não poder ser chamado de homem.
E besta é a mulher que convive com um sujeito desses.
 
Critico em 15/09/2015 07:17:27
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