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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

03/10/2014 08:24

Anos depois, o bem que mãe fez aqui foi retribuído à filha a 1,5 mil km

Paula Maciulevicius
Para Eunice, a personagem central da lei do retorno, tudo tem seu tempo e a hora certa. A retribuição veio quando ela nem mais se lembrava da história.Para Eunice, a personagem central da "lei do retorno", tudo tem seu tempo e a hora certa. A retribuição veio quando ela nem mais se lembrava da história.

Da ajuda no luto à carona para o concurso, o bem que a mãe fez aqui voltou para a filha sete anos depois, a mais de 1,5 mil quilômetros de distância. "Coincidência" nunca existiu para a protagonista da história, dona Maria Eunice Francisco, hoje com 61 anos, agradece e reforça: "eu sempre falo isso, existe a lei do retorno, tudo o que você faz retorna, de um jeito ou de outro. E às vezes, a gente nem percebe".

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Neste caso ela percebeu. O tempo se encarregou de retribuir o bem prestado no início dos anos 2000 às duas jovens, filhas de uma colega do trabalho no banco. A "volta" aconteceu oito anos depois. "A minha filha tinha que pegar um avião daqui até o Rio de Janeiro e depois pegar um ônibus para outra cidade. Houve atraso no voo e não ia dar tempo de ela chegar à cidade a tempo do concurso".

A filha de dona Eunice, Giovana, viajava de Campo Grande ao Estado do Rio com destino a Cabo Frio, onde prestaria um concurso público para o cargo de farmacêutica da prefeitura. "Ela conheceu aqui no aeroporto uma mulher dessa cidade onde ela tinha que ir. Elas conversaram e a pessoa falou que teria um parente dela esperando no aeroporto e que levaria ela até a cidade", descreve.

A preocupação da mãe foi à mil. Ora os pensamentos se concentravam no tempo hábil entre a chegada em Cabo Frio e o horário da prova, ora na carona de uma pessoa desconhecida. "Como que ela ia pegar carona logo no Rio de Janeiro? Não sabe quem é, para onde iam levar ela".

No desembarque no Rio de Janeiro, a passageira levou a filha de Eunice até o hotel em Cabo Frio. Mesmo com o deslocamento do aeroporto até a cidade, a jovem conseguiu chegar a tempo para a prova.

Exemplo ilustra o que dona Eunice sempre pregou, que nada acontece por acaso. (Foto: Marcelo Calazans)Exemplo ilustra o que dona Eunice sempre pregou, que nada acontece por acaso. (Foto: Marcelo Calazans)

Depois que chegou aqui, ela contou à mãe que a ajuda veio de uma desconhecida, mas que tinha laços passados com Campo Grande. "Ela começou a falar que a irmã morava aqui, que tinha falecido, trabalhava no Banco do Brasil e eu fui descobrir que a irmã dessa senhora tinha trabalhado comigo", narra.

Com o telefone dela em mãos, a mãe ligou de Campo Grande para Cabo Frio afim de agradecer a ajuda e a atenção disponibilizada à filha. "A irmã dela, essa que foi funcionária no banco, teve uma embolia pulmonar de um dia para o outro e não tinha parente nenhum aqui. Só duas filhas e o marido que estava viajando. Num dia, eu liguei de manhã para uma das filhas e ela me respondeu que a mãe estava internada ainda. Depois ela me liga chorando, dizendo que a mãe tinha morrido", recorda.

Eunice chamou um colega, deixou o trabalho e foi ficar com as filhas no hospital até que alguém da Assistência Social do plano de saúde chegasse. "Eu fui ficar com elas, não tinha parente nenhum aqui. E essa pessoa, que deu carona para a Giovana, era irmã dessa que tinha falecido. Então, acho que aquela ajuda que eu prestei naquela época, foi a ajuda que a irmã dela deu para a minha filha quando ela precisou", relaciona.

A ligação que era só de agradecimento foi que revelou a coincidência. "Ela ficou super feliz. Nunca ia imaginar que ia encontrar uma pessoa que teria ajudado as sobrinhas dela no falecimento da irmã", lembra.

O exemplo não é de grandiosa proporção, mas ilustra o que dona Eunice sempre pregou. "Nada acontece por acaso e isso não foi coincidência, aconteceu porque teria de acontecer. Por isso eu falo, tudo tem seu tempo certo e a hora certa". O bem voltou quando ela nem mais se lembrava da história para provar que a lei do retorno existe, não importa quanto tempo se passe.




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