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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

04/06/2016 07:10

Ao som do trompete, Dhara encontrou no francês viajante a paz de um amor maduro

Paula Maciulevicius
Dhara e Antoine: Por trás dos óculos, olhares apaixonados que carregam a cumplicidade e a vontade de amar. (Foto: Charles Requena)Dhara e Antoine: Por trás dos óculos, olhares apaixonados que carregam a cumplicidade e a vontade de amar. (Foto: Charles Requena)

Quase um ano atrás, a vida de Dhara mudou no compasso do trompete. Era feriado em Campo Grande, 13 de junho, dia de Santo Antônio. Na data, a jovem foi com uma tia e uma amiga ao Sarobá, manifestação cultural do grupo Maracangalha, onde se apresentava uma banda até então desconhecida. Curiosa pelo ritmo e visual, ficou de frente para um dos integrantes. O francês que tocava trompete ao lado dos amigos mochilando pela América do Sul veio descobrir em Campo Grande que Dhara era sua alma gêmea.

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Os dois são bem parecidos. Por trás dos óculos, olhares apaixonados que carregam a cumplicidade e a vontade de amar. Os últimos 12 meses mostraram à Dhara que o amor pode chegar tocando trompete, quando a gente está distraído, só tentando ver a banda passar.

"Amor à primeira vista? Talvez... Não sei bem como é isso. E naquele tempo eu estava mais na minha, não estava muito pra amor, muito menos me apaixonar", conta Dhara Scaffi Duchêne, de 31 anos.

Os dois no café, na primeira saída juntos. (Foto: Arquivo Pessoal)Os dois no café, na primeira saída juntos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Bacharel em Direito, Dhara que é mãe de Eric (12 anos) e Rosana (9), estava focada na profissão e em criar os filhos. "Fui naquela festa para distrair um pouco e quando já estava indo embora, ouvi eles tocando e fui ver o que era a música diferente", recorda. Como tava cheio de gente, foi a tia quem a colocou cara a cara com o grupo. "E eu não consegui mais tirar o olho dele", completa.

Ele, no caso, é Antoine. Que para ela se apresentou como Antônio. O francês já estava há pouco mais de um mês no Brasil e havia passado por algumas cidades. Isso ela soube depois que eles pararam de tocar e sem resistir, Dhara se achegou puxando assunto e agradecendo a música ouvida. A conversa saiu um pouco em português e outro pouco em inglês.

"Eu me apresentei, agradeci o show, disse que ele salvou minha noite e perguntei se eles iam tocar em algum lugar no dia seguinte. Ele disse que não sabia, mas que eles tinham uma página no Facebook que postariam lá e me deu um cartão", conta. Na hora de ir embora, a amiga que a acompanhava tinha acabado de convidar um dos integrantes da banda para comer alguma coisa. E no fim, todos foram parar no Burger King.

Motorista da rodada, foi Dhara quem deixou todo mundo em casa, inclusive Antoine. "Quando os deixei, ele pediu meu telefone, pediu pra eu ir vê-los tocar no dia seguinte, na feira. Eu disse que sim, que queria levar meus filhos pra ir assistir também".

Quando o dia amanheceu, a jovem já acordou pensando nele. O encontro no domingo aconteceu e no dia seguinte também. Data em que o primeiro beijo foi dado. Mesmo com o inglês 'precário', Dhara se virou bem e os dois se entenderam. "O primeiro beijo foi durante o café... Como ele mesmo disse: sweet".

Casamento foi na casa da mãe de Dhara e reuniu pouco mais de 10 pessoas. (Foto: Charles Requena)Casamento foi na casa da mãe de Dhara e reuniu pouco mais de 10 pessoas. (Foto: Charles Requena)

A banda precisava de um local para ensaiar e foi então que ela ofereceu a casa da mãe, era um momento a mais para ficar ao lado de Antoine. No dia seguinte, o grupo seguia viagem, mas a despedida foi marcada com uma noite de video game dele com os filhos dela. "Foi uma noite muito gostosa, simples e natural. E na hora de ir embora, ele não queria ir! Estava triste", recorda.

Ciente de que o francês precisava seguir o mochilão, ela disse que se o universo já tinha conspirado para que se encontrassem daquela forma, com certeza estariam juntos novamente.

"Disse que ele viajaria e veria coisas lindas e eu continuaria ali no meu propósito e quando nos encontrássemos novamente, teríamos coisas bonitas pra compartilhar. Não me lembro de ter sido tão madura antes em minha vida. Mas é que ele me trouxe uma paz tão grande, que aquelas palavras fluiram sem eu fazer esforço", afirma.

Foram dois meses de conversas pelo Facebook, momento em que o músico viajante, que de profissão é engenheiro, revelou que desde as primeiras notas, já tinha reparado nela e o quanto queria ter iniciado a conversa. Ela não sabe dizer quando foi que virou paixão, até porque estava tão longe desse propósito.

"Mas com ele eu tive paz, desde a primeira conversa. Eu senti segurança. E no dia que ele seguiu viagem, parecia que tudo o que eu já tinha sentido, todos os relacionamentos que não deram certo faziam sentido naquele momento. Porque eu tinha entendido o que era "a perfect mach"", descreve.

Em agosto ele voltou e o reencontro foi simples e natural, como da primeira vez. Só que passado os dias, a curiosidade apertou: como seria dali por diante? E ele também queria saber a resposta. "Aí ele disse que quando terminassem a viagem, existia a possibilidade de ser transferido para o Canadá e se fosse assim, ele teria condições de cuidar de mim e as crianças."

Os noivos junto de Eric e Rosana. (Foto: Charles Requena)Os noivos junto de Eric e Rosana. (Foto: Charles Requena)

Aí ela se sentiu segura para perguntar: "você está me pedindo em casamento? E ele disse sim", narra. No mês seguinte, via skype, o noivado foi oficializado e ela apresentada aos sogros. O noivo voltou à França para retornar em dezembro e mudar o status.

A dois dias do Natal, 10 pessoas, incluindo os pais dele e a avó de 85 anos, foram testemunha da troca de votos na casa da mãe de Dhara. Apesar dos filhos e de já ter dividido a casa com o pai deles e planejado se casar, foi a primeira vez que Dhara vestiu branco e disse "sim". 

A conversa toda acontece por escrito. Daqui a gente pergunta, de lá, Dhara responde. Tem 15 dias que ela e os filhos chegaram ao Canadá. O período ainda está sendo de adaptação, mas algo lhe diz que era para ser... "Eu não me sentia em casa assim desde os 18 anos, quando saí da casa dos meus pais", compara.

Se lhe contassem a história dela um ano atrás? Dhara não se veria no papel de protagonista, embora sempre tenha sonhado.

"Acho que todo mundo imagina, não é? Só que eu achava que com o tanto de responsabilidades que eu já tinha, não era assim tão fácil de encontrar alguém que esteja disposto a compartilhar. As pessoas normalmente pensam nas dificuldades, mas não enxergam que sempre para uma colheita boa, é preciso esforço e trabalho.

O Antoine me trouxe paz, porque eu vivi algumas coisas até encontrar ele e a vida não foi nada fácil em alguns momentos. E quando ele chegou, eu entendi que a vida estava é me preparando para eu saber o que é viver um amor de verdade. Foi como se quando a gente se encontrou, a gente tivesse se reconhecido".

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Essa é uma sugestão de pauta da amiga e jornalista, Mariana Monge. 

Foto atualizada, da família que se mudou há 15 dias para o Canadá. (Foto: Arquivo Pessoal)Foto atualizada, da família que se mudou há 15 dias para o Canadá. (Foto: Arquivo Pessoal)



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