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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

01/02/2015 07:23

Aos 18 anos, ela "treina" para se transformar em uma boneca humana perfeita

Ângela Kempfer
Carol com grandes lentes rosadas. (Reprodução Facebook)Carol com grandes lentes rosadas. (Reprodução Facebook)

Carol ainda está no caminho, mas é uma aluna aplicada. Na internet, vai buscando referências para um dia ser a boneca perfeita, como a ucraniana Valéria Lukyanova, conhecida como "Barbie Humana" e recordista em operações plásticas, o que inclui até remoção de costelas. Por aqui, Carol não pensa em ir tão longe, diz que apenas afinaria o nariz para incorporar melhor a personagem japonesa de grandes olhos, com boca e nariz pequenos. "Acho meu nariz grande, atrapalha na hora das fotos", explica.

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Confesso que é um desafio diário não meter pitaco na vida alheia de outras pessoas ou ficar questionando as escolhas de terceiros. Por isso decidi entender o que leva garotos e garotas a investir nesse tipo de mudança, que vira até estilo de vida.

Aos 18 anos, ela treina para se transformar em uma boneca humana perfeita

A entrevistada é uma "fofa". Meiga, atenciosa e de saída soluciona minha maior dúvida. "Com o human doll, eu consigo ser a pessoa que sempre quis ser, diferente do padrão. Sou mais feliz com maquiagem do que sem. Depois que comecei com a caracterização, fiquei mais próxima de outras pessoas. Fiz muito mais amigos", explica.

O gosto começou com cosplay, as fantasias inspiradas em animes. São tantos os tutoriais sobre o assunto, que logo ela passou a praticar e hoje acha que está "quase perfeita". Carol diz que recorre à personagem quando algum evento é marcado pela turma que curte cosplay ou quando está "inspirada" para tirar fotografia.

No bairro Jóquei Clube, uma das felicidades da universitária de 18 anos é encontrar o carteiro. Demora meses para receber da China as lentes coloridas, muito maiores que as normais, e item fundamental para a transformação. A família inteira ajuda com dinheiro, para a realização da menina de cabelos castanhos encaracolados que, graças as perucas, brinca de ser loira, morena, ruiva...

Nos últimos dois anos, reuniu 8 mil seguidores em página no Facebook, criou canal no Youtube e periodicamente organiza "duelos" via internet para a escolha das melhores caracterizações, envolvendo candidatas de todo País. Agora, por exemplo, pede a ajuda aos amigos para ganhar concurso de Miss Gothic, um estilo mais pesado de human doll.

A menina, até os 16 anos bem mais tímida, agora é estudante de Publicidade e tem um quarto cheio de posters de filmes, animações e bandas coreanas e japonesas. O guarda-roupas ganhou também as cores vibrantes das roupas das bonecas asiáticas, confeccionadas por uma costureira aqui da cidade.

Na lista de itens para a transformação, coleciona 5 lentes de contato (rosa, azul, vermelha, verde
e castanho escuro), além de 4 perucas (loira, castanho curto, loira mesclada com marrom, preta com Maria Chiquinha). "Pago entre 20 e 30 dólares pelas perucas, mas cheguei a esperar até 71 dias para receber a encomenda", lembra.

No início, quando os amigos da escola viram as primeiras fantasias, a reação não foi das mais saudáveis. "Muitos achavam estranho, faziam brincadeira de mau gosto e até xingaram na internet", conta.

Mas, para ser diferente, Carol resiste firme. "Agora tenho muitos amigos que gostam e respeitam", comemora.

Como não há muitas como ela em Campo Grande, a estudante passou a incentivar as amigas e algumas estão começando a treinar a maquiagem e os trejeitos necessários a uma anime doll. Até a irmã menor, de apenas 11 anos, já se arrisca pela curiosidade. "Já peguei ela experimentando minhas lentes, escondida", comenta.

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