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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

13/07/2015 06:12

Aos 80 anos, ele alegra a vida de muita gente com músicas que lembram o sertão

Aline Araújo
Seu Pedro é canhoto e toca um forró desde os 16 anos. (Foto: Fernando Antunes)Seu Pedro é canhoto e toca um forró desde os 16 anos. (Foto: Fernando Antunes)

A alegria de seu Pedro Oliveira Meneses, 80 anos, ao tocar o violão encanta logo nos primeiros acordes. Canhoto, ele aprendeu a dominar o instrumento de forma invertida, mas sem mudar as cordas de lugar, aumentando ainda mais o nível de dificuldade. Mas, para quem tem a música pulsando no coração não há obstáculos suficientes para impedir a paixão de artista. “Acho que eu nasci gostando”, afirma.

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Hoje uma vez por mês ele alegra o dia dos aniversariantes do Asilo São João Bosco e das pessoas que estão na quimioterapia do Hospital Regional. A filha prepara sempre um café da manhã e ele leva o violão para fazer o show.

Ele conta que a música sempre fez parte da sua vida. (Foto: Fernando Antunes)Ele conta que a música sempre fez parte da sua vida. (Foto: Fernando Antunes)

Nascido no sertão de Sergipe, Pedro conheceu a música cedo, ao escutar o pai cego cantar. “Eu com oito anos batia o pandeiro quando escutava meu pai. Eu via o violão e eu queria muito ter um, mas a gente não tinha dinheiro naquela época e foi só aos 16 que consegui comprar o primeiro”, relembra. Hoje, Pedro está no décimo quarto violão, o dá foto, vermelho vibrante, o acompanha há 20 anos.

De uma família de sete irmãos, ele faz parte do trio que o pai nunca pode ver, só em sonhos. “Meu pai sonhava com a gente, e quando ele descrevia acertava certinho como a gente era, sem nunca ter visto a gente. Ele acordava chorando”, lembra. 

Em Campo Grande, Pedro veio parar em 1988 por conta dos filhos que já moravam aqui. Ângela Maria Meneses, de 51 anos, foi a primeira a se aventurar em Mato Grosso do Sul. Com o nascimento da netinha, a esposa de Pedro se ofereceu a ajudar nos cuidados iniciais e ele logo seguiu a família. Ao lado deles, o agora avô se firmou na Cidade Morena e a adotou como cidade do coração. 

No repertório, seu Pedro gosta de seguir os mestres. Tem muito forró, xôte e baião. De Luiz Gonzaga a Jorge Vaqueiro do Sertão e Flávio José. Nem a lida do campo o impediram de seguir adiante com a arte, o violão foi seu companheiro durante a adolescência e boa parte da vida adulta nas festanças do interior. 

O repertório tem muita música nordestina. (Foto: Fernando Antunes)O repertório tem muita música nordestina. (Foto: Fernando Antunes)

Foi carroceiro por 35 anos, e nesse tempo conseguiu recolher o dinheiro para se aposentar. Já escreveu algumas músicas que falam sobre a infância e o lugar onde ele viveu. “Nossa casa era no meio do mato, cercada por árvores, eu me lembro como se fosse hoje. A gente criou ovelhas, depois gado, as coisas foram melhorando”, recorda.

A cantoria de Pedro já é certa nas festas da família, ele também já se apresentou na Feira Central e sempre que é convidado da uma canja, principalmente nos Bailes do Centro de Conivência do Idoso Vovó Ziza, que frequenta toda sexta-feira.

Ele começou a participar dos projetos de levar música ao São João Bosco junto com a filha Angêla. Ela teve um câncer no estômago e foi assim que conheceu o setor de quimioterapia do Hospital. Hoje, já curada, ela se organiza com algumas amigas e o pai para levar alegria para as pessoas lá.

Há um ano, Pedro resolveu aprender a tocar teclado. (Foto: Fernando Antunes)Há um ano, Pedro resolveu aprender a tocar teclado. (Foto: Fernando Antunes)

“Eu via as coisas que as minhas amigas faziam por mim que me fazia bem quando eu estava lá, então penso em fazer isso para as pessoas”, comenta. Ela vê no pai um exemplo de como encarar a vida de maneira alegre e assim os dois são companheiros nos afazeres da casa e nos compromissos sociais.

“Ele me ajuda muito aqui, acorda as 5h da amanhã para fazer café, quando a gente acorda, o café já está pronto. Três vezes por semana ele pega a bicicleta e vai participar de um grupo de atividades físicas, não perde um baile”, conta.

Uma vez por ano, ele volta para Sergipe para visitar a família e passear pelos lugares que guarda na memória e no coração, além de fazer um som pelas festas de lá.  

Na mão direita uma aliança, compromisso de noivado feito com Regina, namorada há três nos. Eles se conheceram no baile e desde então estão juntos. O casamento ainda não tem data, mas já está nos planos.

Há um ano ele resolveu aprender a tocar teclado e ampliar os instrumentos na apresentação. Pedro se mantém em movimento e mesmo com oito décadas vividas, a mocidade está estampada no sorriso. Daquelas histórias que nos mostram que a velhice não é nenhum peso para quem sabe viver.




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