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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

13/11/2013 07:12

Aos 90 anos, ela diz ter feito 1.5 mil partos, sem nunca perder uma vida

Anny Malagolini
Dona Gica mostra as mãos que trouxeram 1.5 mil crianças ao mundo. (Foto: Cleber Gellio)Dona "Gica" mostra as mãos que trouxeram 1.5 mil crianças ao mundo. (Foto: Cleber Gellio)

A última parteira de Piraputanga, Maria Conceição, a dona “Gica”, já não trabalha. Com o olhar distante, e o pensamento mais longe ainda - preso no passado, os dias agora parecem ser de espera, sem televisão, rádio ou qualquer tecnologia.

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Surda e enxergando apenas vultos, aos 90 anos dona Gica jura ter feito 1,5 mil partos e mostra as mãos como prova. É uma média incrível de 26 nascimentos por ano. Era a alternativa mais próxima e confiável para quem morava no "vilarejo" e na região que inclui Palmeiras e Camisão.

A lucidez persiste, mas os problemas de saúde que começaram há cerca de 20 anos, afastaram Gica dos partos. "Hoje, se aparecer uma mulher grávida, não consigo fazer nada", comenta.

Filha de trabalhadores rurais, com rotina sofrida, ela conta que aos 14 anos começou a atender as mulheres da região que estavam em trabalho de parto e durante mais de 50 anos permaneceu na ativa. 

Com orgulho de ter trazido todas as crianças com vida, ela relembra que os nascimentos eram feitos nas casas das próprias mães. “Era muito diferente de hoje, que colocam numa ambulância e levam para a maternidade, nascem com médico”.

O nome ficou famoso no lugar e hoje é a única ainda com endereço em Piraputanga das 3 parteiras que o distrito conheceu.

A maioria sabe da história que teve o ofício como principal elemento, aprendido com ajuda de um médico do Exército de Aquidauana, que vendo a dificuldade de acesso à cidade, a ensinou a realizar os partos.

Sem nunca cobrar, ela garante que recebia o que a família da criança achava que era justo. “Já cheguei a receber 100 mim réis”, relembra. 

Ela continua onde passou a vida toda, na região de rios, com cenário de fazendas. Viúva, mora em uma casa simples, ao lado do único filho vivo de 4 irmãos.

O arrependimento que Gica ainda mantém é de não ter "carteira de permissão". Sem saber ler e escrever, já que o pai nunca deixou que aprendesse, ser parteira nunca foi ofício registrado, e por isso, não recebe aposentadoria.

Também não passou a tarefa para frente, por falta de interesse de quem a quisesse substituir no ofício que há décadas tinha importância.

 

Aos 90 anos, ela diz ter feito 1.5 mil partos, sem nunca perder uma vida



Também nasci de parteira e tenho contato com com ela ate hoje, 37 anos depois, valeu em Cidinha, carinho enorme por você. Quando fui ter minha filha a 9 anos atras ela "encaixou" para ter um parto sem complicação, mas tive que ter cesariana. bjssssss
 
Katiuscia Ribeiro em 15/11/2013 16:09:44
Ela é uma guerreira, dos lugares onde tudo tem que ser feito, pelas pessoas da comunidade, pessoas que merecem todo o carinho, por que são cidadão de bem de lugares onde o recurso é difícil ,mas que tem anjos como ela que fazem o bem e ajudam a quem precisar a qualquer hora por amor a vida! Parabéns, que nunca falte esse tipo de pessoas, porque há tantos lugares que não tem como ser diferente, ainda hoje morrem mãe e filho por falta de atendimento!que ela sim receba ajuda do governo porque é uma cidadão brasileira que merece, sim ser amparada pela idade e por ter feito só o bem!!!
 
Ligia Gallarreta Diehl em 15/11/2013 14:45:19
Dona Gica, a sua missão foi cumprida. Obrigada pelo exemplo.
Saiba que todos os cidadãos brasileiros têm direito á aposentaria ao completar 70 anos.
Basta ir ao INSS e solicitar.
 
Noirce Lopes em 13/11/2013 15:49:27
Eu e mais 11 irmãos, nascemos de parteira, era a mesma parteira. Nós a chamava-mos de
"vó". Era uma velhinha muito bacana e bem pobre " a vó Gumercina". Parabnés ao Campo Grande News pela matéria. E felicidades a essa senhora que fez muita mãe feliz.
 
TEREZINHA DE JESUS ANTUNES POMPEO em 13/11/2013 11:35:32
Que linda história. Devemos nos solidarizar com tamanha dedicação e amor ao que faz e garantir a qualidade de vida de uma senhora que tanto fez por inúmeras pessoas. Nos nossos dias a medicina não tem habilidade com o parto natural, apenas sabem comercializar sua destreza com o bisturi e o corte cesariana. Nós mulheres precisamos nos informar mais e entender o que é melhor para o nosso corpo sem contrariar a natureza. Espero que essa história chegue nas mãos de alguém com poder de decisão para aposentar a "Dona Gica". Ela merece!"
 
Ruby Siqueira em 13/11/2013 08:55:09
Parabéns a esta Sra que com certeza deve ter dado a vida a muitos cidadãos e que muitas as vezes nem sequer a visitam para dizer um muito obrigado. Vidas que seguem é assim mesmo.
 
João Antonio em 13/11/2013 08:50:28
Eu e meus 5 irmãos, assim como um punhado de primos, nascemos com a ajuda de parteiras diferentes, porque nascemos em sitios e chácaras diferentes.
Mas nenhuma delas cobrava pelo trabalho realizado.
Me lembro que muitas vezes eram transportadas no lombo de cavalo, porque moravam longe, e não existia outra alternativa de transporte.
Assim que elas chegavam na casa da parturiente, podia se dizer que tinha chegado a solução para o parto, e para a alegria de todos, logo se escutava o nenem chorando.
Muito bonita a matéria do Campo Grande News. Parabéns.
 
VALDIR VILLA NOVA em 13/11/2013 08:48:09
Muito bonito, pena não haver reconhecimento
 
CINTIA DUTRA em 13/11/2013 08:31:15
Podia alguém do Ministério Público pegar esta causa e aposentar esta senhora. Tem político aí aposentado por "serviços prestados" e esta realmente trabalhou.
 
Luiz Fernando em 13/11/2013 08:29:43
essa senhora tem a mão abençoada quantas criatura nasceram através dela é emocionante é vida é tão raro voce ouvir faalr sobre uma parteira, elas deveriam ser reverencidas porque depois de colocar uma criança ao mundo ainda se torna avó e isso é muito bonito eu também nasci através de parteira
 
angelica miranda em 13/11/2013 08:19:42
Ela não pode aposentar e os nossos políticos podem roubar engraçado. Brasil nem
 
Fabiana Alves em 13/11/2013 08:18:22
Esta senhora é um grande exemplo a ser seguido principalmente por médicos, que com frequência vemos dar as costas as parturientes que procuram as maternidades e são mandadas de volta para casa e que por vezes acabam tendo seus bebês pelo caminho e sozinhas. É uma grande demonstração de amor ao próximo.
 
Marcia França em 13/11/2013 07:58:42
Esses exemplos sim são verdadeiros. Nunca recebeu salário e nem está aposentada. E tantos médicos se negam a atender pelas mais variadas desculpas...
 
Humberto Nagel em 13/11/2013 07:25:51
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