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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

07/10/2012 15:17

Apesar de muitas eleições, votar exige melhor roupa

Ângela Kempfer
Dona Valdir, lindinha na sessão eleitoral. (Fotos: Minamar Júnior)Dona Valdir, lindinha na sessão eleitoral. (Fotos: Minamar Júnior)

Dona Valdir Ribeiro Trindade já não se incomoda diante da surpresa com o nome que na maioria das vezes batiza os homens. “É Valdir sim”, mostra o título de eleitor.

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Talvez por ter sido sempre assim, desde a infância, ela não tem preguiça com o capricho. Para votar neste domingo,  saiu de casas com brincos enormes, brilhantes, pulseiras, colar, óculos escuros e blusa cor de rosa. Na boca, o batom vermelho, é claro. Nos olhos, a sombra e o iluminador. “Gosto de ser assim, faceira, na beca”, conta.

Há oito eleições a senhora só vota por “respeito”, não aos outros, mas à ela mesma. “Tenho 86 anos, nem precisaria estar aqui, mas a vida ensinou que a gente tem de fazer tudo certo. Se eles errarem depois, o pecado é deles”, analisa.

A gaúcha, nascida em Alegrete, a terra de Mário Quintana, está aqui há tanto tempo que já comprou até o túmulo em Campo Grande, conta com a gargalhada de quem leva a vida muito sorridente e maquiada. “A gente não pode é querer a morrer. Tem de ser da vida, não da morte”, ensina.

Já no ponto de ônibus distante dali, depois de votar cedinho com a namorada, a coincidência é encontrar Altino Brum, também com 86 anos e completamente "embecado" para um dia que aprendeu a reverenciar quando era político, vereador em Sidrolândia. “Fui o mais votado no Brasil em 72, consegui 61% dos votos na cidade, mais que o prefeito”, lembra entusiasmado.

As histórias vão surgindo, sob o olhar da namorada Maria Afonso, de 74 anos. Os dois começaram a namorar em 2010, outro sinal do vigor dos eleitores que não votam mais por obrigação. “Só é obrigatório até os 70 né? mas quem é velho tem poucas importâncias, tem de aproveitar”, diz Altino.

São muitas primaveras, tantas outras eleições e vários desgostos, mas eles insistem. “Não dá para virar as costas. Jogador de futebol e político é tudo pilantra mesmo, mas não é por isso que eu também vou ser”, justifica Altino. 

Altino e a namorada, depois da votação.Altino e a namorada, depois da votação.



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