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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

02/03/2016 06:45

Após 35 anos, ninho vazio mostrou ao casal que eles ainda têm muito para amar

Paula Maciulevicius
Num momento de felicidade, Joaquim e Lúcia no casamento do filho caçula. (Foto: Deivison Pedrê)Num momento de felicidade, Joaquim e Lúcia no casamento do filho caçula. (Foto: Deivison Pedrê)

Um casal digno de porta-retrato. Fora das fotografias, eles são exatamente o sorriso e a cumplicidade que estampam nelas. Joaquim e Lúcia estão juntos há 35 anos e agora se reinventam numa casa de onde os três filhos já partiram. O ninho vazio e uma parada cardíaca repentina, um ano e meio atrás, ensinaram a eles que os dois ainda têm muito para se amar.

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A foto que fez com que o Lado B chegasse até o casal foi a do casamento do filho caçula, Lúcio, em 2015. "Foi um momento de felicidade", resume seu Joaquim Sebastião Pereira, de 61 anos. Não tem palavras que definam melhor o que eles construíram até aqui, do que o próprio retrato. 

Junto dessa foto, eles separam tantas outras, a primeira deles como casal, no dia 27 de dezembro de 1980, 35 anos atrás. Se eu pudesse, os adotava como pais, padrinhos, tios. Quando bati à porta, o casal voltava de uma viagem ao Rio Grande do Sul, terra onde Lúcia nasceu. Depois das malas saírem do carro, eles brindavam a bela viagem. Talvez as taças representassem mais que os 10 dias fora, uma vida que deu motivos e ainda dará muitos outros, que valham brindes. E tudo isso em plena terça-feira.

Quando se casaram, 35 anos atrás. Quando se casaram, 35 anos atrás.

Ele se aposentou depois do problema de saúde, ela, sempre foi "rainha do lar", como Joaquim descreve. Sem trabalho e sem filhos, os dois têm vivido, no último ano, o que a nova vida pode oferecer. Momentos em que se veem sozinhos, pela primeira vez, desde que o poeta se tornou engenheiro...

A história deles começou assim. Joaquim precisou encontrar Lúcia para se reencontrar na vida. Aos 20 anos, numa "crise existencial", ele foi ser vizinho de Lúcia. Ela, três anos mais velha que ele, havia chegado a Campo Grande depois de perder um amor no Sul, num acidente de carro. O ano era 1977.

"Éramos duas pessoas com problemas, dificuldades e a aproximação foi automática. Éramos duas pessoas que se encontraram....", resume Joaquim. "Nossa, ele era tão inteligente. Se tu perguntares para mim qual foi o ponto crucial para um relacionamento? Vou dizer: foi a inteligência dele. Eu sempre gostei de papo cabeça, de falar de livro e ele foi falando que gostava dos caras da minha terra", conta Maria Lúcia Pereira, de 63 anos.

E nessa década, num jantar de Dia dos Namorados, Lúcia, a eterna namorada do poeta. E nessa década, num jantar de Dia dos Namorados, Lúcia, a eterna namorada do poeta.

Érico Veríssimo para lá, Carlos Drummond para cá, até que ele deu o ultimato. "Eu era um poeta que virou engenheiro", brinca Joaquim. "Os opostos se atraem... Até que um dia ele disse que não queria mais ser um simples amigo. Queria que eu fosse a eterna namorada dele", completa Lúcia. Ele voltou para o curso de Engenharia Civil, se formou e os dois casaram em dezembro de 1980.

A vida trouxe obstáculos. Três filhos para sustentar e uma profissão que era prejudicada com as crises no País. Quando o profissional deslanchou, depois da aprovação de Joaquim num concurso da Caixa Econômica, 10 anos se passaram e a saúde o tirou dessa conquista. "Foi um choque..." se limita a dizer Joaquim.

Hoje, o poeta que virou engenheiro quer voltar a encontrar a poesia. Também quer aprender a tocar violão. Lúcia tem o sonho de por as malas no carro e sair sem destino.

Para a pergunta "clichê", eles já têm resposta na ponta da língua: qual o segredo do casamento? "Estamos vivendo esse segredo agora, estamos tendo que nos reinventar, depois de 35 anos..." considera Joaquim.

"Por um lado, eu fico muito feliz de ele estar em casa. Você vive um casamento de 35 anos, mas se somar, a porcentagem que ele fica ao seu lado é pouca. A gente não repartiu muito", avalia Lúcia. "E agora estamos vivendo isso, estamos tendo tempo para compartilhar", completa a esposa.

Ser dono do próprio tempo é uma novidade na vida de Joaquim e também deve ser o segredo. Aos olharem as fotos antigas, a gente vê amor e a cumplicidade que sonha viver também. Para eles, é o sentimento de que tudo valeu a pena. "São momentos. Podemos construir momentos. E agora é hora de criar um novo", resume Joaquim.

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Seu Joaquim, dona Lúcia, a filha Mariana e a neta, o troféu da vida deles, Maria Luísa. (Foto: Deivison Pedrê)Seu Joaquim, dona Lúcia, a filha Mariana e a neta, o "troféu" da vida deles, Maria Luísa. (Foto: Deivison Pedrê)



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