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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

08/05/2015 06:12

Após um susto, ele saiu do Canadá e chegou a Campo Grande dirigindo uma Kombi

Aline Araújo
De Kombi ele quer rodar o mundo e a vigaem começou nas Américas. (Foto: Fernando Antunes)De Kombi ele quer rodar o mundo e a vigaem começou nas Américas. (Foto: Fernando Antunes)

O sinal estava vermelho para o carro, mas o motorista não parou. Foi numa fração de segundo, e o canadense Aaron Neilson-Belman, hoje com 28 anos, acabou atingido quando dirigia sua moto. O acidente mudou a forma de olhar a vida para sempre. Depois de se recuperar, ele percebeu o quanto viver é valioso e decidiu aproveitá-la ao máximo.

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Então nasceu o “Hippie Van Man”, um estilo de vida, uma maneira corajosa de passar os dias, retratada em um site para inspirar mais pessoas a viverem intensamente. “É sobre compartilhar a experiência, inspirando as pessoas a viverem os seus sonhos e viverem no agora. É sobre viver o espírito de aventura, e espalhar sorrisos e boas vibrações um quilômetro de cada vez”, diz ele na descrição do portal.

Aaron  tem 28 anos e trabalha em qualquer lugar. (Foto: Fernando Antunes)Aaron tem 28 anos e trabalha em qualquer lugar. (Foto: Fernando Antunes)
Na Kombi ele criou uma casa. (Foto: Fernando Antunes)Na Kombi ele criou uma casa. (Foto: Fernando Antunes)

Hoje ele roda o mundo em uma Kombi 79, toda colorida, e trabalha ao mesmo tempo que viaja, conhecendo lugares e pessoas, vivendo novas experiências. Em um desses roteiros pelo mundo, sem planejamento, chegou a Campo Grande para mostrar que é possível viver sem planos e um dia de cada vez.

Aaron nasceu em Toronto, no Canadá, é programador de sites, web designer e fotógrafo. Descobriu na carreira de freelancer o jeito de transformar o sonho de morar pelo mundo em realidade.

Mas antes de sair por ai ele se preparou bem. Seu primeiro mochilão foi aos 23 anos, quando passou quatro meses viajando pela América do Sul. Para isso, trancou a faculdade. Depois, foi morar na Ásia, trabalhou por lá um ano, voltou e quanto estava terminando o curso superior o acidente aconteceu.

Já passou por 12 países.  (Foto: reprodução)Já passou por 12 países. (Foto: reprodução)

Naquele momento ele tomou a decisão de colocar o sonho em prática, mas resolveu fazer as coisas com calma. Então, em 2011, zapiando sites de e-commerce, no estilo Mercado Livre, ele encontrou uma oferta de Kombi.

“Aqui no Brasil é mais comum, mas lá no Canadá não é fácil de ver esse carro nas ruas, eu sempre achei legal, via no Scooby Doo”, comenta. Ela estava em bom estado, com um preço baixo e com uma boa história também. Era de um peruano, que morava no Canadá mas queria voltar para o Peru.

“ A mulher dele dizia para ele vender logo a Kombi, então estava anunciada a 4 mil dólares canadenses e no final eu comprei por 3 mil”, conta.

Depois de comprar a van, ele levou mais de um ano para deixar o veículo como queria e seguir viagem. Na reforma, ele chamou um grupo de amigos artistas para pintar e garantir o visual meio psicodélico, que chama atenção por onde passa.

A lataria ganhou vários desenhos coloridos. Por dentro, Aron montou quase que uma casa, com colchão, recipiente térmico para armazenar a comida, tudo muito bonito, bem planejado e funcional. Até placa de captação de energia solar o veículo tem.

Artistas pintaram a kombi para a a aventura. (Foto: arquivo pessoal)Artistas pintaram a kombi para a a aventura. (Foto: arquivo pessoal)

O rapaz investiu na Kombi durante todo o Verão e então foi com um casal de amigos de Toronto para Black Rock City, em Nevada, nos Estados Unidos, para o festival Burning Man. A experiência foi suficiente para ele resolver ir mais longe e seguir a viagem sozinho.

As vezes dando algumas caronas, no caminho qualquer nova amizade, alguma sugestão ou facilidade pode mudar o percurso. A passagem pelo Brasil e por Mato Grosso do Sul é um exemplo disso. Ele estava indo para o Chile, mas conseguiu um visto brasileiro e resolveu passar por aqui. Entrou por por Corumbá e a próxima parada seria Bonito, mas a Kombi começou a falhar e ele resolveu para por aqui para fazer alguns reparos.

A maioria das vezes, quem resolve os problemas mecânicos da Kombi é o próprio dono, com as dicas que aprendeu no Youtube, mas as vezes, quando a treta é maior, há necessário de visitar uma oficina. 

 festival Burning Man nos EUA. (Foto: arquivo pessoal) festival Burning Man nos EUA. (Foto: arquivo pessoal)
Foto tirada no Equador. (Foto: arquivo pessoal)Foto tirada no Equador. (Foto: arquivo pessoal)

Durante a viagem que começou em 2013 ele já passou por 12 países incluindo o Brasil, colecionando amigos e histórias

Na Colômbia diz que viveu um dos episódios mais engraçados até agora. Ele estava dormindo na Kombi quando escutou um barulho, olhou pela janela e viu um cara tentando roubar o tanque extra de combustível, então pensou no que poderia fazer, ali, sozinho.

A gasolina era o de menos, mas como o carro é antigo se ele arrancasse poderia estragar. Então, pegou uma machadinha que tinha dentro da van e olhou para o homem lá fora com "cara de maluco", diz. Como o ladrão não arredou o pé, resolveu dormir. No outro, nada havia sido levado e ele seguiu viagem.

Vive como a maioria dos mortais gostaria. Para nas praias para surfar, nos campings para conhecer gente e cada vez fica mais apaixonado pela natureza e por aventura.

O bom, é que também leva a profissão nas costas. Nos lugares com internet, faz tudo no computador, desde os contratos, até a execução do trabalho. 

Com a ajuda das redes sociais, também mantém as amizades. Do futuro, não sabe e nem quer saber nada, quer mesmo é aproveitar o presente e é essa mensagem que ele pretende espalhar por ai.

“Para começar, você não pode enxergar o seu sonho como algo grande demais. È preciso dividir em partes e fazer uma coisa de cada vez. Quando você se der conta, já vai ter feito muito”, ensina.

Na placa, uma mensagem para guiar os viajantes. (Foto: arquivo pessoal)Na placa, uma mensagem para guiar os viajantes. (Foto: arquivo pessoal)



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