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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

22/09/2015 16:45

Briga surge com macumba, mas vontade de tretar é tanta que vai parar no machismo

Ângela Kempfer
Discussão começou por causa de oferendas para santos. (Foto: reprodução Facebook)Discussão começou por causa de oferendas para santos. (Foto: reprodução Facebook)

“Ei você que faz despacho na esquina de casa... Nada contra sua crença, mas cuidados com velas e grama neste tempo seco. Ontem, apaguei um início de incêndio!!”

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O responsável pelo post jura que na inocência fez apenas um alerta diante da baixa umidade relativa do ar e do calor infernal de Campo Grande. Mas hoje todo mundo sabe: basta um estalinho de festa junina que a fogueira ganha proporções gigantescas nas redes sociais.

O dono de uma chácara do Parque dos Poderes fez o comentário e a treta foi pegando um rumo tão estapafúrdio que acabou em manifestação contra o machismo. Oi? Isso mesmo!

A revolta ganhou 109 comentários em poucas horas. Primeiro, graças aos engraçadinhos que aproveitaram a deixa para sacanear quem tem fé nas religiões afro. “Sou a favor do despacho bio degradável!”, disse um.

Depois, veio a reação de pessoas que consideram o discurso um reforço ao preconceito contra os seguidores da Umbanda e do Candomblé. “Como se não bastasse todo estigma e perseguição das religiões afros, a gente ainda tem que ler uma coisas dessas. Pra mim deu, vou denunciar porque eu não sou obrigada.”

Sobre esse tipo de polêmica, um dos seguidores analisou a cena: “Tem gente que fica só na espreita”, chamando os nervosos de “On line predadores.”

De repente, a conversa passou a ficar chula, e na time line surgiu até “Queria ver como é a casa de vocês duas, de certo nem as calcinhas lavam...”. Foi o suficiente para o bate-boca ganhar sustância.

“Nossa, não sei porque ainda me surpreendo? Que os caras 'good vibes' são machistas pra caralho, todo mundo já sabe. Mas reproduzir preconceitos e estigmatizar ainda mais uma religião tão perseguida é o fim. Preciso lembrar que intolerância religiosa com as religiões de matrizes africanas é promovida pelo racismo, mas é esperado que os 'good vibes' em questão digam que é só brincadeira. E assim, vivenciamos o racismo à brasileira: um racismo sem racistas”.

Pronto, mais um tema surgiu na fogueira, agora o racismo...E a velinha da macumba já virou um coquetel molotov, intoxicando Deus e o mundo e transformando em raiva o que poderia ser uma conversa esclarecedora.

O papo ainda deve estar divertido lá no Facebook, com muita energia ruim jogada no ventilador.

Só para ajudar na discussão, mas de forma produtiva, o Pai de Santo Lucas Junot esclarece que há muito cuidado em relação as oferendas. Segundo ele, nem é preciso acender a vela, caso esse tipo de oferenda seja necessária.

“Para os religiosos de matriz africana, a mata, assim como todos os espaços naturais, são considerados sagrados. Preservá-los é o mandamento máximo dos adeptos da Umbanda e do Candomblé. Cultuamos Deus por meio da energia presente nesses espaços sagrados”, diz.




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