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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

17/04/2016 07:25

Cada um compõe a sua história, inclusive, trabalhando em um bordel

Lenilde Ramos
A noiva (Lenilde) descendo a alameda dos eucaliptos com seu pai, todo cheio, levando consigo o livro de Fernando Pessoa.A noiva (Lenilde) descendo a alameda dos eucaliptos com seu pai, todo cheio, levando consigo o livro de Fernando Pessoa.

Minha irmã e eu fomos criadas em internato de freiras e meu pai tinha ataques ao imaginar as filhinhas namorando, Por isso, apelou para uma atitude drástica. Isso em 1966.

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Botou nós duas num táxi e tocou pro Jardim Paulista, na época, famoso pelas casas de prostituição. O motorista estacionou em frente de um prédio com luz vermelha na varanda e, quando saíram algumas “moradoras”, meu pai disse: “É aqui que vem parar moça que arruma namorado”.

Não teve jeito: namorei, casei, tive três filhos e mudei para um bairro novo, recém loteado, onde havia por perto um bordel.

Naquela época, um amigo nosso estava namorando e nunca trazia a moça pra gente conhecer, até que meu marido falou: “Ele está de rolo com uma das garotas do bordel e parece que é sério”.

Falei então pro amigo: “Venham nos visitar”.

Um belo dia, apareceram meio sem jeito e eu conheci a famosa namorada: ela tinha dois braços, duas pernas, uma cara boa, uma conversa legal e, pensando melhor, resolvi me desarmar.

Logo depois, a moça foi morar com ele e fizemos amizade. Que esposa prendada! Sua casa era um brinco. Cozinhava que era uma beleza e, quando podia, ficava com meus meninos para eu trabalhar.

No dia de seu aniversário ela nos chamou e, quando chegamos, as convidadas eram todas as colegas da sua antiga casa. Rapaz... que festa!

Elas me rodearam com perguntas, rolou o maior crochê, adoraram meus filhos e meu marido lindo chamou a atenção. Fiquei de butuca pensando: “qualquer coisa, dou porrada”... porque eu confiava no meu muque de sanfoneira. Mas não foi preciso.

A festa foi uma delícia e pensei: “Se meu pai visse isso, caía duro pra trás!!!”

Cada um de nós compõe a sua história.




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