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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

04/02/2016 06:23

Casal queria poetizar como se conheceu e rimas se encontraram no amor ao ruivo

Paula Maciulevicius
O sentimento das duas vai do ruivo do cabelo à fotografia. O sentimento das duas vai do ruivo do cabelo à fotografia.

Esta é uma matéria sobre amor. Sentimento entre duas meninas, que passa pela fotografia e é compartilhado no tom de cabelo. Júlia e Bruna são ruivas desde os 13 e 14 anos e namoradas há 1. A história de como se conheceram, elas sempre quiseram poetizar, dizer que foi dando comida aos pássaros no parque. O tempo e o amor as ensinaram que se conhecer já foi a própria poesia.  

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Júlia tem 17 anos, é estudante e fotógrafa. No final de 2014 ela havia acabado de sair de um namoro, instalou o Tinder, aplicativo de relacionamentos para tentar seguir a vida. Do outro lado do "match", Bruna, de 19, só pensava em zoar as fotos das candidatas que apareciam. 

As duas se gostaram ali. A atração foi imediata pela cor do cabelo. "Acho que ele combina com a minha pele, todo cabelo meio que puxa para um cor, o meu, é o laranja", se explica Bruna Luciana Valle. Da parte de Júlia, a alma já nasceu daquela cor. "O cabelo me descreve bastante, depois que eu conheci a Bruna então, foi uma paixonite mútua pelo ruivo e a descoberta de tons", diz Júlia Palandi Gayoso.

Bruna é modelo, quando Júlia vira fotógrafa também em casa. Bruna é modelo, quando Júlia vira fotógrafa também em casa.

Do Tinder, Júlia adicionou Bruna no Facebook. Partiu para uma rede social onde pudesse conhecer de fato quem era a outra ruiva. "Eu não sabia como conversar, perguntei então onde vendia colar de hippie aqui em Campo Grande", lembra aos risos.

A ingenuidade na hora da conversa não está só na idade, como também no modo transparente que elas resolveram encarar a vida. Assumidas para a família, as duas moram juntas na casa de Júlia, com os pais. Os amigos todos sabem, apoiam e gostam "da duas". Forma carinhosa como elas são chamadas em casa, mesmo que esteja só uma, Júlia ou Bruna ouvem o "duas".

"Tem um texto que eu li esses dias sobre o jeito que um casal se conhecer, que foi no Tinder e a mulher fala que no começo queria inventar um encontro bonito e não no Tinder para depois na vida real. Mas a única coisa que importa é que a gente se conheceu", sustenta Júlia.

E elas teriam se encontrado de qualquer forma. Uma amiga já tinha mandado uma foto e o perfil de Bruna à Júlia, dizendo para ela puxar assunto, porque achava a ruiva a cara dela. Coisa de um ano atrás. "Se a gente não tivesse se conhecido assim, a gente ia se conhecer de outra maneira, temos muita coisa em comum, amigos em comum. Só não a fotografia", descreve Bruna. Esta é exclusiva de Júlia. Descoberta em meio à depressão.

Sobre poetizar encontros? a única coisa que importa é que a gente se conheceu.Sobre poetizar encontros? "a única coisa que importa é que a gente se conheceu".

"Se for parar para analisar, eu sempre gostei dessa possibilidade de você tirar uma foto daquela coisa, naquele momento. Eu sempre quis explorar outros ângulos, além da coisa óbvia. A fotografia se intensificou no meu período de depressão e foi o modo pelo qual eu consegui me conectar", descreve.

A namorada completa dizendo que é o jeito pelo qual Júlia consegue se expressar e de modo perfeito. "As pessoas se surpreendem com a idade dela e o dom que ela tem para a fotografia", elogia Bruna.

Em uma semana de conversas pela internet, para elas se encontrarem. "Foi instantâneo, intenso", concordam as duas. "É estranho falar, mas parecia que era uma necessidade conhecer a Bruna pessoalmente", conta Júlia. A inversão de horários da rotina era o primeiro obstáculo delas. Júlia estudava de manhã, Bruna trabalhava a madrugada toda. Quando uma chegava em casa, a outra saía para estudar. E por esse desencontro é que Bruna passou a morar, com uma semana de namoro, na casa de Júlia.

O pedido de namoro surgiu no mesmo tempo, junto das alianças de compromisso. As famílias se juntaram bem, segundo o casal. "A mãe dela tem uma atitude bem engraçada quanto à vida", elogia Júlia e Bruna emenda dizendo que tem uma sogra maravilhosa.

Por telefone, conversamos com Luciana, mãe de Júlia, que não só torce e acolhe as duas, como vê o amor sublime das duas, como uma coisa linda. "As pessoas conhecem meu pai, ele é militar e acham que nossa, vai rosnar...", antes que Júlia termine, Bruna defende: "mas o pai dela é a pessoa mais tranquila do mundo".

Cumplicidade além do vermelho: está na risadaCumplicidade além do vermelho: está na risada
E o beijo na testa numa bela paisagem. E o beijo na testa numa bela paisagem.

Descobrir o amor uma na outra foi rápido, dizem. Os planos de se casarem existem desde sempre e até nome dos filhos elas já têm. "Benjamin e Valentina". "A gente não tem dúvida de que queremos seguir a vida juntas, mas temos o pé no chão. A gente quer economizar, ter a nossa própria casa".

O vermelho dos cabelos e mais a convivência quase que por 24h as deixaram, em parte, como irmãs. "Você pega um pouco das manias da outra pessoa quando fica muito tempo junto. O cabelo, a cor da pele, a única diferença é a altura", enxerga Bruna. Quem as vê andando com a família tem a impressão de que são irmãs, até gêmeas. Elas levam na brincadeira até quando a reação das pessoas é de surpresa, se os pais apresentam a namorada da filha como nora.

Para as fotos das duas, Júlia costuma usar tripé, ou então posicionar os amigos, ajeitar ângulo, escolher a luz perfeita, para então elas posarem juntas e serem clicadas por alguém. O que elas enxergam sobre si quando se veem? O reflexo de um amor real.

"Passa um filme, porque quem nunca pensou, nunca quis um namoro bom, legal e de verdade? Tem muito casal que só posta foto bonitinha...", responde Bruna. "E todo mundo que conhece e convive com a gente sabe da tranquilidade do nosso relacionamento", completa Júlia.

Assumidas para a família, as duas moram juntas na casa de Júlia, com os pais.Assumidas para a família, as duas moram juntas na casa de Júlia, com os pais.
A atração foi imediata pela cor do cabelo. A atração foi imediata pela cor do cabelo.

As duas aprendem, dia a dia, uma com a outra. Vão se "moldando", como preferem dizer. "A gente não se completa, se transborda. Eu acredito que cada um é completo do seu jeito e você procura o outro para transbordar", imprime Júlia.

Como saber, tão cedo, tão rápido e tão evidente que é amor? Elas dizem que só um casal sabe quando é de verdade. Mas a rotina de dois longos cabelos ruivos também ensina.

"A Bruna andava de mototáxi todo dia para me ver e você usa o capacete que todo mundo usa. Ela não só pegou piolho, com o também passou para mim", ri Júlia. 

"Foi vergonhoso. Mas a gente percebeu que se amava de verdade ali, quando uma começou a tirar os piolhos do cabelo da outra. Passar o pente fino. Isso é amor. É tenso, é horrível e é engraçado ao mesmo tempo", resume Bruna.

Para o amor, elas ensinam que não existe receita pronta. Nem para o sentimento e nem para acertar o tom do cabelo. "Depois de uns dias a gente vê que isso é amor. Cuidar dela doente é amor, ela ir de madrugada para a minha casa é amor", Júlia. 

"Amor não é aquela coisa cinematográfica que a gente tem na cabeça, de sufocante. É aquilo que é tranquilo. Que quando ela me abraça, eu estou curada", Bruna. 

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