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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

19/08/2015 06:34

Com cara de novela das nove, uso de uniformes por babás só vale para ostentar?

Naiane Mesquita
Waldinete cuida das três filhas de Carolina, incluindo Ana Clara, de 8 anosWaldinete cuida das três filhas de Carolina, incluindo Ana Clara, de 8 anos

Waldinete de Souza trabalha há mais de um ano como babá da pequena Alice, mas as outras filhas da patroa Carolina acabam entrando na onda. Como são três meninas, uma de 14, outra de 8 anos, e a menorzinha de 1 ano e 7 meses, a profissional precisa se desdobrar na correria. Para isso nada mais justo que uma legging confortável, tênis e blusa simples.

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“A legging ajuda na flexibilidade para ficar correndo atrás da neném. Prefiro isso a uma calça grossa ou desconfortável”, explica Waldinete.

Quando cita a calça desconfortável, a babá está se referindo aqueles uniformes brancos do tempo do onça, mas que muita gente ainda usa. Semelhantes as encontradas na novela das nove, as roupas ainda são vendidas em lojas específicas da capital pelo preço de R$ 80, o conjunto.

A vendedora Camila Santana, da RU Uniformes afirma que ainda hoje é comum a compra do produto. “Temos vários modelos, de bata, a bata polo e camiseta. Normalmente é a dona da residência que compra os uniformes”, explica. Em outra loja, uma atendente explica que chega a vender mais de 20 conjuntos por mês.

Waldinete, Ana Clara e Carolina, que abomina o uso de uniforme em babásWaldinete, Ana Clara e Carolina, que abomina o uso de uniforme em babás

Waldinete conta que já usou o uniforme em outro trabalho, mas que na casa da mãe da Alice o branco fica só se ela optar para compor o look do dia. “Quando ela começou a trabalhar conosco, tinha o uniforme do último trabalho. Até usou no início, mas eu sempre pedia para ela deixar para lá o uniforme”, afirma Carolina Vissoto Barrinuevo Pereira, 35 anos.

Para a mãe da Alice, o uniforme muitas vezes passa uma imagem de ostentação. “Sempre tive babá, na minha primeira filha eu ainda estava na faculdade, então precisava. Agora tenho três filhas e é uma correria. Eu nunca gostei dessa distinção, claro que não posso generalizar, eu respeito quem tem outra opinião e até usa o uniforme, mas eu nunca gostei”, afirma.

Mesmo levando em consideração que cada um faz o que quer, Carolina aponta que o branco nem é a melhor das cores para um uniforme. “Suja muito, fica horrível com o tempo”, brinca.

Waldinete que já esteve dos dois lados da moeda é decidida ao afirmar que prefere não usar. “Depende muito da patroa, tem umas que exigem, querem mostrar o lugar da gente, tem outras que são mais simples. Algumas nem chamam de babá, preferem funcionária”, explica.

A profissional ainda vai mais longe ao ressaltar que por vezes entra em jogo o quesito beleza. “Dependendo fica constrangedor porque são roupas sem corte, que te fazem se sentir mal, te deixam mais gorda ou mais magra, dependendo da situação a gente se sente bem pequenininha. Quando somos babás tem umas festinhas ou umas reuniõezinhas das coleguinhas das crianças que se você estiver com uniforme ninguém nem te cumprimenta, não oferece nem uma água, oferece para todo mundo, menos para você”, aponta.

Hoje, com liberdade para se vestir, ela afirma que Carolina compra as leggings no mesmo lugar que ela. “Eu trabalho bem vestida. É uma coisa que você observar em qualquer lugar, quando você está bem arrumada as pessoas te tratam bem, mudam o comportamento, não pensam que você uma coitadinha”, diz.

Para Carolina, é difícil separar a relação de funcionário e patroa. “Ainda mais com quem cuida dos seus filhos, quando eu vejo estou falando até mais carinhoso com ela. Ela mima muito as minhas filhas, o que elas querem ela faz. Elas gostam muito da Waldinete”, confessa.




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