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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

27/07/2015 06:12

Com divórcio, marido abre concorrência a 100m e Manjubar vira rival do Crajubar

Paula Maciulevicius
Depois de 11 anos à frente do Crajubar, Ceará deixou o boteco pra Rita, a ex-mulher, mas voltou poucos meses depois. (Foto: Vanessa Tamires)Depois de 11 anos à frente do Crajubar, Ceará deixou o boteco pra Rita, a ex-mulher, mas voltou poucos meses depois. (Foto: Vanessa Tamires)

Depois de 11 anos à frente do Crajubar, Ceará deixou o boteco para Rita. Os 25 anos de casados terminaram num divórcio em novembro do ano passado, algo que até a Rua Joaquim Murtinho sentiu. A 100 metros do bar da ex-mulher, Ceará abriu o "Manjubar" e virou concorrente. Claro que teve barraco e ele foi até chamado de traíra pela ex. A clientela toda seguiu Ceará e, um mês depois, Rita jogou a toalha, pedindo para que ele voltasse para o bar. Se você pensa que a história terminou aí... Pode esperar que tem muito mais episódios engraçados na relação desses dois.

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Ceará é o estado onde Francisco Solano Cruz nasceu, 50 anos atrás. Depois de explicar a origem do apelido (como se precisasse, já que o sotaque entrega), ele emenda "agora pergunta porque esse é o nome do bar? Vou trazer o cardápio para você ver..." 

Cra - Ju - Bar  - "Eu nasci numa cidade que chama Barbalha, no Ceará, aí vem o bar, de Barbalha. Cra vem de Crato e Ju de Juazeiro, são três cidades emendadas assim, igual a Afonso Pena", explica.

Cra - Ju - Bar. A explicação do porque o bar leva este nome. (Foto: Vanessa Tamires)Cra - Ju - Bar. A explicação do porque o bar leva este nome. (Foto: Vanessa Tamires)

A história de Ceará é daquelas de quem chegou aqui só com a roupa do corpo, com 14 para 15 anos, fugindo da fome. Foram 6 anos de faxineiro de padaria, mais a abertura de uma série de estabelecimentos até chegar ao Crajubar ali, na Joaquim Murtinho. Tudo isso tendo só a quarta série do Fundamental. "E foram 25 anos com a Rita, ela sempre me acompanhando", completa.

No divórcio, Ceará ficou com o apartamento, um carro e Rita com o outro carro e o bar. "Eu separei porque vinha muita briga. Aí eu saí daqui, ela ficou com o bar pra ela e o estoque todo", conta Ceará. No pós separação, ele seguiu de volta para terra natal e um mês depois, na volta, resolveu procurar outro ponto para abrir qualquer coisa que fosse.

"Tentei na Maracaju com a Pedro Celestino, não deu certo. Aí consegui esse. Ela me esculhambou, falou que eu era traíra, abri do lado dela. Eu tirei todo movimento dela, mas não fiz para prejudicar, foi uma oportunidade. Sabe como é? Oportunidade", se explica Francisco.

Ceará no 2º bar, Manjubar está fechado desde a retomada do Crajubar. (Foto: Vanessa Tamires)Ceará no 2º bar, "Manjubar" está fechado desde a retomada do Crajubar. (Foto: Vanessa Tamires)

Até promoção de cerveja Ceará se negou a fazer. Não queria praticar a concorrência que ele julgava ser 'desleal'. "Eu tive dois filhos com ela, eu tinha que ter consideração...", reforça. Um mês no Manjubar e a aprovação de Rita num concurso público, foi o suficiente para ela pedir para eles trocarem.

"Francisco, eu não sei o que eu faço, eu não aguento tocar o bar. Aí eu perguntei, você não quer arrendar? Eu arrendei para ajudar a Rita". Resolvida questão, ele voltou para o Crajubar, fechou o Manjubar e ainda contratou a ex-mulher para ajudá-lo, sob a justificativa de que precisava de uma ajudante. O trabalho não deu muito certo não e não foram 20 dias até que Rita saísse. "Ela ficou sentida, os clientes falavam pra mim: 'ainda bem que você voltou pra cá'"...

Sobre o Manjubar, o ponto continua sendo de Francisco, só que está fechado. "Não está aberto porque não tem gente pra cuidar e a universidade está de férias. E eu não consigo cuidar aqui e lá..." Mas a ideia é vender ou arrumar alguém para tocar ali. A concorrência que um novo dono faria não chega a assustar Ceará. "Eu fico feliz, porque o meu bar, o Crajubar não comporta todo mundo", explica.

São mais de 200 pessoas que passam todo dia pelo Crajubar. Se não é férias da universidade então, o número mais que dobra. A tal promoção oferecida a ele na época da concorrência com Rita hoje estampa a propaganda no bar: de litrão por R$ 5,00. De resto, as cervejas começam em R$ 4,50 só a "Heik" como ele chama a "Heineken" que custa R$ 7,50.

"Agora me pergunta do porque Manjubar?" Pede Ceará, mais uma vez. "Vem de Missão Velha, Juazeiro e Barbalha, na verdade eu só tirei o Crato, são quatro as cidades emendadas que eu te falei... É inteligência ou não? E isso porque eu sou quase analfabeto", brinca...

Sobre Rita, Ceará só ri... "Eu amo ela, mas ela é muito briguenta, mas eu amo ela"...




Tomei muita cerveja no Crajubar na época da faculdade, o único bar mais próximo da Uniderp, o preço das cervejas era convidativo, mas o atendimento e a limpeza do bar deixava a desejar
 
wild em 27/07/2015 21:12:40
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