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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

25/05/2016 08:54

Com doação surpreendente de juiz, João conseguiu se libertar do corpo de mulher

Thailla Torres
João se recupera e comemora as cicatrizes que são a marca da conquista. (Foto: Marcos Ermínio) João se recupera e comemora as cicatrizes que são a marca da conquista. (Foto: Marcos Ermínio)

Aos 22 anos, João Felipe Meira Damico vive os primeiros momentos de uma nova vida. O homem transexual conquistou o direito de se olhar no espelho e enxergar quem ele realmente é. Há muito tempo, o rapaz que nasceu mulher lutava para conseguir dinheiro e fazer a cirurgia de retirada das mamas. O valor necessário veio de maneira surpreendente, graças a doação de um desconhecido.

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João conseguiu realizar o sonho no dia 18 de maio. A cirurgia custou R$ 9,7 mil e o juiz federal Odilon de Oliveira bancou a maior parte dos custos, sensibilizado com a história de João. Arrecadou R$ 5 mil junto com outros dois amigos para garantir o procedimento. “Vi uma entrevista que ele deu e telefonei para ele. Me chamou atenção porque isso deve causar um desconforto muito grande, tendo em vista a discriminação”, explica o juiz.

João encontrou o juíz federal após uma ligação. João encontrou o juíz federal após uma ligação.

João nem conhecia Odilon, por isso a boa surpresa foi ainda maior. O juiz lembra que normalmente ajuda, principalmente, contra qualquer tipo de preconceito. “A sociedade ainda não está instruída para entender as diferenças, há preconceito de tudo nesta vida. Eu, que ando muito e quase diariamente, percebo que os outros não são instruídos para compreensão da sociedade”, comenta Odilon.

Ás 7 horas da manhã do dia 18 de maio, João encarou a porta de entrada do Centro Cirúrgico. Deitou na cama e, nervoso, começou a conversar assuntos aleatórios com a anestesista. Recebeu a medicação para, finalmente, dormir. Mas antes ouviu o início de uma música que adora, letra que o anestesista costuma ouvir quando trabalha. Desde então, João renasceu.

“Não consigo achar uma palavra exata para descrever o que eu senti naquele momento. Eu paralisei e olhava para o teto, sem acreditar que finalmente estava acontecendo”, lembra.

João e as marcas de 52 pontos no local da retirada da mama.João e as marcas de 52 pontos no local da retirada da mama.

O corpo que João tinha e não se reconhecia foi o que lhe machucou a alma durante muito tempo. “Minha vida era uma. Na primeira vez que encontrei o médico, disse que podia ter uma barba enorme e um nome masculino, mas ainda me sentiria preso por causa dos seios”, relata.

A cirurgia durou cerca de 4 horas e ele foi liberado do hospital no mesmo dia. Ao se olhar pela primeira vez no espelho, sem as mamas, a emoção tomou conta. “A primeira vez que eu me olhei no espelho sem camisa, eu senti um frio, afinal começou a bater um vento onde tinha algo, mas só senti muita felicidade”, conta.

Mesmo com aparência delicada e com 52 pontos no local da retirada das mamas, as cicatrizes que farão parte para o resto da vida são o troféu pela conquista. “Não me incomodo de jeito nenhum com a cicatriz, é a marca da conquista e eu costumo falar que toda cicatriz é porque alguma coisa foi superada”.

Ao lado da família, ele se recupera e agradece o apoio, principalmente, a doação inesperada, vinda do juíz. “A gente não conhece e acaba tendo uma visão conservadora dele, mas eu vi que ele fez de coração e eu só tenho muito a agradecer”, finaliza.

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