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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

11/07/2015 21:53

Com simplicidade, Francisco encanta olhando nos olhos dos fiéis em Caacupé

Paula Maciulevicius e Naiane Mesquita
Papa Francisco acena para os fiéis durante visita ao Santuário de Caacupé no Paraguai (Foto: Paula Maciulevicius) Papa Francisco acena para os fiéis durante visita ao Santuário de Caacupé no Paraguai (Foto: Paula Maciulevicius)

As lágrimas escorriam pelos rostos paraguaios, brasileiros, latino-americanos...O riso surgia logo em seguida, impossível de controlar. Foram 30 segundos em que o relógio parou, eternizados na alma de quem esteve ali e viu, de pertinho, o papa Francisco passar e olhar nos olhos da multidão.

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Sendo fiel, devoto ou não, a admiração que Francisco desperta e seu carisma, capaz de tocar os corações apenas com um aceno, resultam em lágrimas. Durante sua passagem pelo Paraguai, o santo padre foi aguardado, aplaudido e amado ainda mais.

A missa foi realizada na Esplanada do Santuário Mariano de Caacupé, na cidade que fica a 57 km de Assunção. O caminho até a igreja foi aberto pela segurança e a polícia paraguaia.

Mas, nem era preciso. A multidão acenava emocionada, mas tranquila. Nas mãos, as cores vermelhas e azuis vibrantes da bandeira do Paraguai contrastavam com o branco papal. Em alguns pontos, a Argentina com a sua cor do céu também aparecia. Uma homenagem a nacionalidade do pontífice e aos milhares de conterrâneos que o foram visitar durante sua passagem pela América do Sul.

Márcio Castilho, 24 anos, saiu do Paraná para ver Francisco de pertoMárcio Castilho, 24 anos, saiu do Paraná para ver Francisco de perto

O papa móvel seguiu para o santuário entre 10h e 10h30 da manhã, abrindo espaço entre cerca de 800 mil pessoas. Enrolado em uma bandeira verde e amarela, o professor de filosofia, Márcio Castilho, 24 anos, mostrava que ali também havia brasileiros.

"Ele passou a 15 metros de onde eu estava, consegui ver de bem pertinho. É uma emoção indescritível, a paz que ele traz, a alegria, é uma esperança para nós jovens que temos tanta vida pela frente, em um mundo cada vez mais consumista. O entusiamos dele faz com que agente veja o mundo com outros olhos", acredita Márcio.

O professor fazia parte de uma caravana de 45 pessoas da cidade de Salgado Filho, no sudoeste do Paraná. Para ele, a simplicidade do papa, perceptível no aceno, no olhar que parece encontrar o nosso, faz dele, um líder especial.

"Saindo daqui, eu levo muita fé, esperança e renovação para continuar a nossa caminhada. Ele nos incentiva a ter uma igreja cada vez mais humana e acolhedora, ele encanta com a alegria que trás para nós", afirma, emocionado.

Na missa do santuário, que agora é considerado a Basílica de Caacupé, a virgem santa padroeira do Paraguai, o papa falou sobre o prazer de estar perto de sua terra, a Argentina, e muito sobre a figura feminina, a mulher, a pobreza. O sermão de Francisco demonstrava compaixão pela realidade do Paraguai, sobre a fé que surge em meio as dificuldades.

"Refiro-me de modo especial a vocês, mulheres paraguaias e mães, que com grande coragem e dedicação conseguiram levantar um país derrotado, afundado, submerso por uma guerra injusta", disse Francisco, fazendo uma referência à reconstrução do país após a Guerra da Tríplice Aliança, mais conhecida como Guerra do Paraguai.

Esplanada do Santuário Mariano de Caacupé recebeu cerca de 800 mil fieis (foto: Paula Maciulevicius)Esplanada do Santuário Mariano de Caacupé recebeu cerca de 800 mil fieis (foto: Paula Maciulevicius)

O papa citou Maria, mãe de Jesus, como um exemplo dessa força. A virgem santa precisou passar por três situações muito difíceis, a primeira ao gerar um filho, depois ao vê-lo morrer e em seguida, ao aceitar a ressurreição.

Com duração de 20 a 25 minutos, o discurso de Francisco foge dos padrões. A homenagem as mulheres paraguaias que praticamente reconstruíram o país após a população masculina ser dizimada no conflito entre 1865 e 1870 foram bem recebidas pelo povo nacionalista, que não cansava nem um minuto de sacudir suas bandeiras ao alto.

Para o Frei Olivio Marafon, 65 anos, a ansiedade se transformou rapidamente em devoção ao ouvir o papa.

"Nunca estivemos em outra celebração dele, esta é a primeira vez. Essa simplicidade de uma papa franciscano, que aproxima as pessoas é animadora. A maioria das pessoas que estão aqui vem pela fé", acredita. O frei veio em uma caravana com três ônibus, com cerca de 120 pessoas, da cidade de Pato Branco, no Paraná.

Sarah Regina Betiato, 18 anos, de Cascavel, concordo com o Frei. "Eu vim pela fé, ele é um sucesso, a gente vem na esperança da renovação da palavra".

Após a missa, o clima nas ruas ainda era de festa, mas também de reflexão. Há estrangeiros para todos os lados e isso reflete nos hotéis lotados e no trânsito um tanto caótico.

Antes trancadas para a missa, as avenidas são liberadas aos poucos. Nas lojas há souvenires feitos com as bandeiras do Paraguai e do Vaticano. São camisetas, bandeiras, terços e até garrafas térmicas. Amanhã, Francisco segue para Assunção, onde celebra a missa em Ñu Guasu, às 10 horas. 

Veja mais imagens da visita do papa ao Santuário de Caacupé:




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