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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

25/11/2016 06:55

Crianças emocionam ao torcer por colega que andou sozinho pela 1ª vez aos 6 anos

Sala de aula para quando Davi, aluno com paralisia, anda sozinho pela primeira vez e crianças gritam em coro: vai Davi

Paula Maciulevicius
Em casa, Davi só quer andar sem se apoiar. Levou consigo a emoção que os coleguinhas lhe passaram em sala de aula. (Foto: Paula Maciulevicius)Em casa, Davi só quer andar sem se apoiar. Levou consigo a emoção que os coleguinhas lhe passaram em sala de aula. (Foto: Paula Maciulevicius)
Vai Davi, vai Davi, vai Davi, gritavam as crianças. "Vai Davi, vai Davi, vai Davi", gritavam as crianças.

"Vai Davi, vai Davi!" 

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Em 40 segundos, alunos da escola municipal Vanderlei Rosa de Oliveira, no bairro Novos Estados, em Campo Grande, emocionam ao vibrar pelo coleguinha que deu os primeiros passos sozinho aos 6 anos, na sala de aula. Davi nasceu com paralisia cerebral, usa cadeira de rodas, não anda sem se segurar e nessa terça-feira (22), levantou e foi até o quadro.

Quando as crianças viram, o caminho se abriu. Mesas e cadeiras foram para o lado e a professora começou a gravar. Apoiando bem pouco, Davi sorri, feliz da vida, vai até a lousa e termina a caminhada num abraço na professora Josi. Uma ida e volta digna de registro, não só pelos passinhos, como também por toda emoção que os colegas passam. "Vai Davi, vai Davi". 

Davi estuda o 2° ano em uma sala de 26 crianças. Está há dois anos na escola, para onde vai de cadeira de rodas com a irmã mais velha, Júlia, todos os dias. O penúltimo de quatro filhos, o menino abre o sorriso com uma janelinha de cativar qualquer um. A maior felicidade dele hoje é falar dos passos na sala de aula.

E sempre que chega nos braços de alguém, os passos terminam num abraço. (Foto: Paula Maciulevicius)E sempre que chega nos braços de alguém, os passos terminam num abraço. (Foto: Paula Maciulevicius)

E por que havia toda aquela torcida na sala? Davi ri e diz: "porque eu andei sem segurar". O motivo de andar "segurando", ele não sabe explicar certinho. "Eu não sei, é porque eu não consigo. Mas eu não fui na cadeira, fui andando igual a minha mãe", descreve. 

O vídeo chegou na tarde de quarta-feira para a mãe, pelo WhatsApp e fez Rose desmoronar em lágrimas. "A hora que eu vi, danei a chorar. Ainda mais vendo as crianças", conta a manicure Rosirlei Matos, de 46 anos. 

"E eu fiquei só um tiquinho feliz", emenda Davi. Os olhinhos brilham ao dizer que ele foi até o quadro e voltou, por saber das limitações que a paralisia infantil lhe trouxe. 

Davi nasceu prematuro, de 7 meses e passou dois no hospital para ganhar peso. Quando estava próximo de completar 1 ano, a mãe percebeu que havia algo errado, porque quando colocava o filho no chão, Davi só chorava. "Parecia que estava apanhando. Levei ele no pediatra e depois na neuro que explicou tudo. Ele ia ter dificuldade para andar e ia demorar. Aí comecei a correr atrás de tudo", narra.

Ao longo dos anos, foram procedimentos acompanhados pela Pestalozzi e cirurgia para abrir as perninhas e "baixar" o tendão. "Ele tinha o pé de bailarina, ficava nas pontas o tempo todo", explica a mãe. Foram também várias injeções que Davi tomou que faziam Rose chorar.

O maior medo da família era de que houvesse alguma consequência que pudesse comprometer fala ou desenvolvimento, mas Davi só tem mesmo a dificuldade de andar. 

Na sala de aula, a professora que o acompanha este ano perguntou à mãe se podia tirar o menino da cadeira de rodas, o colocá-lo mais no chão. "Ela ficou com medo de eu achar ruim ele voltando sujo, sabe. E eu não, não, pode colocar", conta Rose.

Vídeo abre sorrisão no menino a cada visualizada. (Foto: Paula Maciulevicius)Vídeo abre sorrisão no menino a cada visualizada. (Foto: Paula Maciulevicius)

O vídeo está correndo o Facebook a pedido de mãe. Júlia, a irmã que estuda na mesma escola também só sente emoção pela cena. "Todo mundo ficou surpreso, tiraram as mesas para dar espaço e ele começar a andar". Com a voz embargada e ao mesmo tempo orgulhosa, Rose agradece a reação das crianças. "Você vê? Eles mal conhecem o meu filho e olha o que fizeram? Tem essa força de vontade de vê-lo andando", enxerga.

Em casa, Davi costuma andar se apoiando nas paredes e também na mãe, pai ou nos irmãos, mas depois de registrado os passos na escola, Rose já vê o esforço que o filho faz para andar sozinho. O menino repete para si o que ouviu dos colegas a cada passinho 'vai Davi, vai Davi. "Antes ele tinha medo, agora que começou a desenvolver, se soltar, querer andar. Eu sabia que ele ia andar e é tudo pra mim ver isso, é a alegria de uma luta desde os 2 anos dele", completa Rose. 

Davi viu não só o vídeo, como a repercussão no Facebook. A mãe pediu que Júlia lesse todos os comentários da postagem para ele, que ficou ainda mais feliz. O que as crianças, sem perceber, fizeram por Davi vai levá-lo a andar muito mais longe e quem sabe, até correr. 

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Davi ainda não entende a proporção da torcida, mas sente a felicidade no Vai Davi. (Foto: Paula Maciulevicius)Davi ainda não entende a proporção da torcida, mas sente a felicidade no "Vai Davi". (Foto: Paula Maciulevicius)



Fiquei muito emocionada ao ler essa reportagem.
Parabéns Davi, que Deus te abençoe grandemente.
 
MC em 25/11/2016 16:02:06
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