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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

17/12/2012 06:58

Dança do bate-pau e anel de coco em casamento coletivo

Anny Malagolini
Rosa e Reginaldo oficializam união, 20 anos depois. (Fotos: Luciano Muta)Rosa e Reginaldo oficializam união, 20 anos depois. (Fotos: Luciano Muta)
Rute Poquiviqui é terena e se casou com o advogado Weiner BondarczukRute Poquiviqui é terena e se casou com o advogado Weiner Bondarczuk

A timidez misturada com o nervosismo de subir ao altar pela primeira vez toma conta de Rosa Reginaldo, aos 44 anos, mesmo depois de 20 anos vivendo com o pedreiro Sergio Paulo Ferreira. “Essa é a primeira oportunidade que tivemos de nos casar na igreja”, justifica a noiva.

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Detalhes da roupa e os pés descalços revelam ainda mais o que os traços já demonstram, eles são índios. Uma característica comum a outros 15 casais que fizeram no sábado o 1º casamento coletivo indígena de Campo Grande, na igreja evangélica do bairro Jardim Imá

O culto evangélico há muito já faz parte da rotina das aldeias rurais e também das urbanas. Virou religião para diferentes etnias.

Mas algumas tradições eles fazem questão de lembrar, como respeito à origem e uma forma de mostrar a todos o valor de ser índio. A maioria trocou os ternos e os grandes vestidos brancos por roupas mais simples, com elementos da cultura que veio da aldeia.

Rute Poquiviqui é terena e após 16 anos de união com o advogado Weiner Bondarczuk, oficializou o casamento perante Deus. O romance começou há 16 anos, graças ao irmão de Rute, aluno de Weiner. O “branco” foi parar na aldeia e os dois se conheceram. “Foi amor à primeira vista” afirma Rute.

O casamento no civil já aconteceu há alguns anos, mas o sonho de casar na igreja sempre ficou em Rute, que agora pode realizar um desejo do jeito que achava ser importante. “Nosso povo veio para cidade e essa é uma forma de resgatar nossa cultura”.

Ao invés da tradicional marcha nupcial, os noivos entraram na igreja ao som da dança do guerreiro, o bate-pau terena. É festa, alegria, como a música exige, já que originalmente foi criada para marcar a volta dos índios das caçadas. A troca de aliança de ouro também deu lugar ao anel de coco e a comemoração teve bolo e refrigerante.

O casamento foi conduzido pelo pastor Sidney Bichofs, que há 15 anos realiza esse tipo de cerimônia só para indígenas. “Esse casamento coletivo é para entrar na história por ser o primeiro, mas não a diferença na hora da benção, independe da etnia”.

A índia de olhos verdes, Lidiane Torres Franco, de 29 anos, é meio italiana, meio terena, mas decidiu marcar o casamento com Marco Vinicius Amorin, de 25 anos, aos moldes indígenas. “Fui criada na cidade, mas pelas raízes indígenas por parte da minha família materna resolvi me casar de novo”.

Para o pastor Jonatham José, 60 anos, mais do que reunir o povo terena, a igreja comemora o fato de fazer casamentos. “Está perdendo o significado”, comenta”.

Sem sinais de ansiedade e nervosismo, a noiva de segunda viagem Flavia Paula Barbosa explica que já subiu ao altar de véu e grinalda, há 16 anos, com Ricardo Poquiviqu. “Mas fiz as unhas e comprei um vestido novo para a ocasião”, revela.

Para Ricardo, a confirmação do matrimônio não tem nada mais importante que a valorização da cultura terena, “Estamos afirmando que somos índios e não temos vergonha disso”.

Filha pronta para participar da cerimônia.Filha pronta para participar da cerimônia.
Índia dos olhos verdes é um pouco italiana, mas fez homenagem à mãe terena.Índia dos olhos verdes é um pouco italiana, mas fez homenagem à mãe terena.
Detalhe do bolo, nos moldes indígenas.Detalhe do bolo, nos moldes indígenas.



Muito obrigado a Anny pela matéria, nossos agradecimentos a todos que puderam participar, aos noivos, FUNAI,Igreja Uniedas.
 
WEINER BONDARCZUK em 20/12/2012 10:01:58
Parabéns aos noivos, para os organizadores da Uniedas do Jardim Imá nas pessoas do Weiner e Rute Poquiviqui, assim com a belíssima matéria.
 
Daniel Poquiviqui em 18/12/2012 14:08:18
Que lindo! E muito importante a valorização cultural. Parabéns, Anny, pela bonita matéria!
 
Paula Siebeneichler em 17/12/2012 17:57:37
a dança do bate-pau na verdade simboliza a participação dos índios terenas durante a guerra do paraguai e nao com o retorno da caça como diz a matéria. a dança do bate-pau simboliza sim a luta, a guerra e no final da dança (guerra) os caciques das tribos sao levantados como sinal de mais uma vitória. no mais ótima materia.´parabens..
 
everson souza em 17/12/2012 17:48:56
Parabens à igreja que faz a inclusão dos indígenas, sem que eles percam a sua cultura.
 
Valter Oliveira em 17/12/2012 11:07:40
Parabens Reginaldo e Rosa que Deus continue iluminando suas vidas e abençõando sua familia e que suas filhas continuem lindas como são,felicidades ao casal.
 
Teresa Moura em 17/12/2012 10:49:58
O simbolismo sagrado da aliança seja de que material for, é que casados os noivos tem a partir de agora a ALIANÇA COM COM DEUS.O que se vê é apenas apologia a pratica dos nossos avôs e avós,nossos ancestrais terenas.O casamento deveria ser na igreja com as bençãos divinas e com toda pompa do homem branco e a cerimonia indigena, na aldeia de origem dos noivos,na presença do pajé e com danças tipicas.Mas, o que os evangelicos pensam hoje em dia, de nossos pajés.Que isso é coisa ruim,que pajés só representa o mal.Em todo caso valeu pela iniciativa em manter nossa cultura em evidencia,mas o cocar usado pelo pastor Jonathan é de indios Caiapó...
 
samuel gomes-campo grande em 17/12/2012 09:41:33
Veja o casamento indígena
 
Alice Echeverria em 17/12/2012 09:35:36
parabens ao portal campograndenews,pela matéria e cobertura jornalistica, deste evento,e que presta um excelente trabalho de informação ao nosso estado.
 
inacio poquiviqui em 17/12/2012 08:02:47
Parabéns... Devemos mostrar também alegrias e conquistas do nosso povo.
Aprecio os indígenas e creio que eles devem continuar professando a fé deles, sempre se lembrando de quem são e sem vergonha disto.
 
Viviane Caetano em 17/12/2012 07:59:53
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