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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

19/05/2016 06:20

Descobri um mundo fora da zona de conforto ao construir casas para sem teto

Paula Maciulevicius
Helena Paixão e seu time aprontando a uma das casas em Córdoba. (Fotos: Arquivo Pessoal)Helena Paixão e seu time aprontando a uma das casas em Córdoba. (Fotos: Arquivo Pessoal)

Helena Paixão tem 26 anos, é engenheira civil, "quase" pós-graduada em Infraestrutura de Rodovias e Transporte e uma aventureira no voluntariado. Da Argentina, ela que mora em Campo Grande, relatou no Voz da Experiência o que vem fazendo e aprendendo neste intercâmbio. A jovem descobriu um mundo mágico lá fora não por ter saído do País, mas ao mudar a realidade dos sem-teto.

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Cerca de um ano venho fazendo trabalho voluntários através de uma organização a AIESEC, atualmente estou morando na Argentina, na cidade de Cordoba, através de um intercâmbio deles. Nos dias 14, 15 e 16 de maio, participei da construção massiva do Techo no assentamento Bajada San José.

A organização que está presente na América Latina e Caribe busca superar a situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas nas comunidades precárias, através da ação conjunta de seus moradores e jovens voluntários. Com a implementação de um modelo de intervenção focado no desenvolvimento comunitário, buscamos através da execução de diferentes planos, construir uma sociedade justa e sem pobreza, onde todas as pessoas tenham a oportunidade de desenvolver suas capacidades e possam exercer plenamente seus direitos.

No início da montagem. No início da montagem.
Estrutura vem de caminhão, em kits. Estrutura vem de caminhão, em kits.

Se entende por "comunidade precária" um grupo de oito ou mais famílias que vivem em um terreno que possui uma situação irregular em termos legais e que carece de pelo menos um serviço básico, como eletricidade, água e esgoto.

As casas de emergência, como são conhecidas, são pré-fabricadas de madeira com durabilidade de cinco anos, é um prazo em que se espera incorporar toda a sociedade mobilizando os recursos necessários para uma solução definitiva.

Para a construção, são “gerados” vários times e cada um fica responsável para construir uma casa e inaugurá-la, além de nós voluntários, a família também nos ajuda a construir.

O que mais me tocou foi que toda a família, ou seja os futuros moradores, são pessoas muito humildes e que compartilhavam com abundância da sua melhor comida e nos ajudaram do começo ate o final da construção. O projeto da casa não é nada luxuoso, pelo contrário, bem simples. São 18m² feitos de madeira pré-fabricada.

Quando a casa começa a tomar forma. Quando a casa começa a tomar forma.
E chega a vez das janelas e portas. E chega a vez das janelas e portas.

O material chega separado em um caminhão, contendo um kit para casa, com os principais materiais que serão usados. Existe um manual de construção que deve ser seguido passo a passo e com tempo para cada etapa.

Participar do projeto foi e tem sido a melhor experiência da minha vida. Aprendi muito, não só com técnicas da construção. Aprendi compartilhar o meu melhor e buscar a excelência sempre. Antes de fazer trabalho voluntário, não dava muito valor ao próximo. Na verdade a nada até então, mas poder contribuir e ver o sorriso da pessoa é a melhor coisa deste mundo.

E foi morando longe dos meus pais, saindo da zona de conforto, que me fez crescer muito como pessoa. Assim eu pude me conhecer. Dar valor, amar mais ao próximo e sempre, sempre, sempre ajudar as pessoas. A melhor parte de tudo isso? Ela não fica comigo, ela vem da inauguração da casa: quando os futuros moradores cortam a fita. O que levo daqui? A constatação de que deveria existir mais trabalho voluntário como este, na área de Engenharia, no Brasil.

Quer contar sua história também? Manda sua experiência para a gente no Lado B. 

A entrega é, para ela voluntária, a melhor coisa do mundo! A entrega é, para ela voluntária, a melhor coisa do mundo!



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