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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

30/03/2014 07:16

Desde que o lugar existe, velho Baiano está lavando carro no Parque dos Poderes

Paula Maciulevicius
O velho Baiano é figura fácil de se encontrar. Reveza entre a Governadoria e a Secretaria de Administração até hoje, mesmo tendo sido aposentado pelo INSS há 8 anos. (Foto: Marcos Ermínio)O velho Baiano é figura fácil de se encontrar. Reveza entre a Governadoria e a Secretaria de Administração até hoje, mesmo tendo sido aposentado pelo INSS há 8 anos. (Foto: Marcos Ermínio)

Ele é daqueles personagens que merece o registro. Não tanto pelo trabalho, pela dedicação ou pelas histórias que acumulou e sim por acompanhar no decorrer de cada lavagem de carro, quem entrou e saiu do Parque dos Poderes, em Campo Grande.

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O velho Baiano é figura fácil de se encontrar. Reveza entre a Governadoria e a Secretaria de Administração até hoje, mesmo tendo sido aposentado pelo INSS há 8 anos. Ex-funcionário do Estado, ele prestava os serviços gerais. O ofício de "lavador de carro" veio daí. Das lavagens aos carros oficiais.

“Meu nome é Alcides, mas ninguém conhece não. É só Baiano”, diz. O nome completo é Alcides Cláudio de Souza. Aos 72 anos ele usa um óculos de sol e um chapéu diariamente. Fala que é para fugir do sol, mas creio que seja para dar vida a um personagem que vive de pedir e cobrar favores. O Baiano, pelo que dizem, é destes que não tem vergonha não. Chega chegando e talvez por isso tenha até conseguido por o filho Júnior no mesmo cargo que pertenceu a ele.

O apelido baiano veio do pai, que era baiano. Já o Baiano do Parque dos Poderes nasceu em Mirandópolis, interior de São Paulo e chegou a Mato Grosso do Sul passando primeiro por Três Lagoas.

“Aqui é só procurar o Baiano que todo mundo sabe”.“Aqui é só procurar o Baiano que todo mundo sabe”.

E foi na região do Bolsão que conta ter feito história. Lá lavou os carros de Ernesto Geisel, João Figueiredo, Castelo Branco, Marcelo Miranda, Harry Amorim e do “velho” Wilson, como nomeia o ex-governador Wilson Barbosa Martins.

Quando a gente pergunta há quanto tempo ele está por lá, ele só diz “ah, isso faz tempo. A vida toda”. Hoje, aposentado, continua fazendo do ponto onde foi o trabalho, um bico. Os carros dos últimos governadores já foram destinados aos postos de combustíveis. Nem de Zeca do PT, nem o Uno vermelho de André Puccinelli passaram pelas suas mãos.

“Faço lavagem de carro e lustro. Aonde tiver água eu pego o importante é levar o carro”, diz. Cada lavagem sai em média R$ 20 a R$ 30, relata. Por semana, são dezenas de carros que saem do Parque limpíssimos.

“Aqui é só procurar o Baiano que todo mundo sabe”. E sabe mesmo. Ele continua batendo o ponto das 8h até 16h.

Sobre os fregueses, ele se resume a dizer que tem muita gente aí boa, mas não entra em detalhes. Sobre o que encontra nos carros... A risada dá margem a muita coisa. “Tem muita novidade, às vezes algumas coisas diferentes”.




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