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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

20/07/2015 06:25

Duas identidades separam boliviana da vida em MS, ao lado do pai e dos filhos

Paula Maciulevicius
Antes de viver o sonho, Andreia lida com a burocracia de dois documentos. (Foto: Vanessa Tamires)Antes de viver o sonho, Andreia lida com a burocracia de dois documentos. (Foto: Vanessa Tamires)

Trinta e quatro anos. Dois nomes, duas datas de nascimento, duas línguas e uma história de vida que se divide entre Brasil e Bolívia. Hoje, o enredo do que parece drama de novela está todo em Terenos e tem a  luta, na Justiça Federal, pela nacionalização de três crianças, para que Andreia possa viver o sonho de ser filha.

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No primeiro documento, ela é Silvia Andreia Vargas Mercado. No segundo, Andreia Vargas Mercado. Nascida em agosto, registrada em janeiro. Uma mulher, hoje mãe, com duas identidades que trocou a vida que tinha no país vizinho para reencontrar o pai em Mato Grosso do Sul. O sonho que era só dela, passou a ser de toda família, mas hoje esbarra na burocracia.

Nascida em São Paulo, filha de mãe boliviana e pai brasileiro, Andreia foi levada pela mãe para o país de origem do dia para a noite. “Para ele foi chocante, ele estava viajando e quando chegou, achou tudo vazio”, conta sobre o pai. À época, a menina tinha 2 anos de idade. A troca de documentos e o registro na Bolívia foi feito para que o pai nunca pudesse localizar a menina.

Andreia e o pai, em 2013, no reencontro. (Foto: Reprodução/Programa do Ratinho)Andreia e o pai, em 2013, no reencontro. (Foto: Reprodução/Programa do Ratinho)

“Toda a minha vida eu nunca soube quem era ele”, descreve. Um dia, olhando fotos no álbum de infância, entre os 6 e 7 anos, Andreia viu um homem, estranhou e perguntou quem era. “Ela falou que era o meu pai. Disse o nome dele e mais nada...”

Há quatro anos Andreia entrou em contato com a ONG brasileira “Gente buscando gente”. “Eu só tinha o nome completo dele ‘Adauto Marcelino da Silva’, não tinha noção da idade e só sabia que ele trabalhava com refrigeração, geladeira”, conta. Foram dois anos de procura da ONG pelo pai no Brasil e um tempo que parecia eterno de Andreia a espera de notícias. Até que em 2013 houve o reencontro no palco do Programa do Ratinho.

“Quando eu o vi foi emocionante, eu fiquei muito nervosa. Conheci irmãos, sobrinhos, a minha família”. De São Paulo, seu Adauto, que hoje tem 68 anos, veio morar em Mato Grosso do Sul, a última cidade é a que toda família vive, Terenos. “Era o meu sonho, dos meus filhos e do meu marido, de morar no Brasil”, diz ela.

Andreia deixou a empresa de enxoval de bebê que tinha no Chile, país onde vivia, para ser filha. “Meus irmãos, eles são a minha cara. Igualzinho”, diz olhando as fotos.

Família reunida: irmãos, sobrinhas e a personagem dessa história. (Foto: Arquivo Pessoal)Família reunida: irmãos, sobrinhas e a personagem dessa história. (Foto: Arquivo Pessoal)
Com os irmãos Hudson e Clevson. (Foto: Arquivo Pessoal)Com os irmãos Hudson e Clevson. (Foto: Arquivo Pessoal)
Andreia com marido e as filhas. (Foto: Arquivo Pessoal)Andreia com marido e as filhas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Há dois anos aqui, o problema tem sido um só: a burocracia da documentação. Com duas identidades, Andreia é brasileira, mas no documento dos três filhos é a mãe boliviana. A crise de identidade descoberta junto com a história de vida agora se estende aos filhos. “Dificuldades para colocar os filhos na escola, de ser atendida no SUS...”, explica.

No caminho da nacionalização dos filhos, ela teve de fazer exame de DNA para comprovar, primeiro que era mãe do trio e depois justificar a história que a trouxe aqui, de que era filho de Adauto. "E cada vez me pedem outro documento na Justiça Federal. O Ministério Público mandou matricular as crianças na escola, mas antes a Justiça queria deixá-los num abrigo até eu provar que era mãe deles", narra.

A documentação do nascimento de Andreia no hospital em São Paulo já veio e tudo mais o que pudesse ser exigido. "Não sei mais o que eles podem pedir. Eu deixei toda a minha vida lá para começar de novo. Eu nunca tive pai, faço isso por mim e pelos meus filhos, não acho justo que eles também percam uma família".

A entrada com pedido de registro dos filhos no Brasil tem a data de novembro de 2013. "Todo mundo estava muito emocionado de chegar no Brasil, foi uma luta e ainda é".

Abaixo, o vídeo do reencontro no Programa do Ratinho:




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