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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

26/02/2014 06:57

Eles venderam a casa, doaram os móveis e agora vivem estacionados por aí

Ângela Kempfer
Motorhome virou casa para Maria de Lourdes e Aparecido.Motorhome virou casa para Maria de Lourdes e Aparecido.

A casa de 120m², no bairro Cophavilla 2, é passado na vida do casal Maria de Lourdez e Aparecido. Os dias agora têm moradia em 11m², em um motorhome comprado há 3 anos. "A gente resolveu viver o  mundo", justifica a esposa. Hoje, aonde os dois chegam, encontram algum posto de combustível, quintal ou varanda de amigos para estacionar. "Digo para quem quer ser meu vizinho que é só providenciar uma tomada e uma torneirinha"

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A troca do certo pelo duvidoso ocorreu aos poucos. Depois de anos passeando por aí de moto, um acidente obrigou os dois a optarem por algo mais seguro. "Acabei com a minha perna em uma viagem para encontro de motos em Porto Murtinho. Depois disso, resolvi que não ia mais viajar e um mês depois meu marido resolveu comprar o motorhome", conta Maria.

Com os 2 filhos já adultos, e muita vontade de aproveitar os anos de aposentadoria, a residência sobre rodas começou a ser a principal parada para os dois. "Primeiro ficava estacionada em frente de casa. Daí começamos a tomar banho e fazer tudo no carro, abandonamos o lugar. Tinha gente que perguntava se o imóvel estava à venda ou para alugar. Por isso resolvemos vender", lembra ela. 

Os móveis e tudo o que não cabia mais na nova vida foram doados. "Sempre gostei de muitas roupas de cama, por exemplo, mas agora a gente vive com o suficiente. A gente tem de desapegar", lembra. O marido Aparecido confirma: "com duas bermudas e duas camisas eu vivo bem".

Caminhoneiro na juventude, ele e a esposa criaram as crianças acampando e pescando por aí. Depois abriram uma empresa de móveis, que agora é administrada por um dos filhos.

Sem compromisso, mas com internet para se comunicar de qualquer canto do Brasil, os dois já foram para Bahia, Ceará e qualquer outro lugar que represente desafio. "São muitas horas na estrada, mas a gente não cansa. Ruim seria se não tivessemos para onde ir", diz Aparecido.

Motor home do casal tem motor de 78 e lataria de 1990.Motor home do casal tem motor de 78 e lataria de 1990.
Maria de Lourdes diz que tem todo o conforto da antiga casa.Maria de Lourdes diz que tem todo o conforto da antiga casa.

Como não pagam mais IPTU, nem o IPVA - já que o motor é de 78, agora os gastos são apenas com diesel, oficina e alimentação. "Gostamos de comer bem, mas o dinheiro que a gente gasta na estrada é o mesmo que a gente gastaria na cidade", comenta Maria.

Aos 60 anos, ela só para por mais de uma semana em Campo Grande quando é para fazer exames. "Daí a gente estaciona lá na casa do meu filho", detalha.

No fim de semana passada, outros 6 motorhomes vieram ao encontro do casal, para "um churrasquinho" em centro comunitário cedido na Coopharádio.

"É assim, a gente vai se encontrando por aí. Campo Grande não tem camping com estrutura mínima para a gente fazer mais esse tipo de coisa. Então apelamos para algum que disponibilize o espaço para estacionar e aproveitar o dia", reclama Maria. 

Para eles, não têm tempo ruim. Quando não há espaço cedido, é nos postos que os dois param e fazem a festa. "Já temos amigo em todos os cantos. Paramos nos postos e já fazemos uma macarronada e chamamos todo mundo para comer", diz ela.

Agora, por exemplo, o casal segue para Dourados, para retribuir a visita da semana passada. "A gente tem espírito cigano", resume Aparecido.

Bandeira do grupo Tô a Toa, de proprietários de veículos de recreação.Bandeira do grupo Tô a Toa, de "proprietários de veículos de recreação".



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