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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

27/09/2014 07:58

Em algumas conversas, a descoberta da história do bairro Villas Boas

Lenilde Ramos
Foto do casal Magnólia e João Villas Boas, do acervo da família.Foto do casal Magnólia e João Villas Boas, do acervo da família.

Um dos personagens de meu livro “História sem Nome” é o Dr. Orestes Rocha, na época com 96 anos, que perguntou aonde eu morava. Falei do bairro Villas Boas, entre o Portinho Pache, Mansur e Rita Vieira. Ele sorriu e disse: "Eram todos meus amigos e vou te contar essa história". A partir daí encontrei também outros personagens que me auxiliaram a conhecer um pouco mais dessa região tão bonita da cidade.

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João Villas Boas foi um advogado paulistano, conhecido pela coragem com que defendia humildes e lutadores de causas sociais. Deixou São Paulo na época dos conflitos que antecederam a Revolução de 1932 para se radicar em Campo Grande, pequena cidade de terra vermelha, que se expandia no ritmo dos trilhos da Noroeste e tornou-se proprietário das terras que formam hoje o bairro com seu nome. Casou-se com Magnólia Vieira de Rezende, primogênita de Antônio Vieira Menezes, e sobrinha de dona Rita Vieira. Magnólia tinha dois irmãos: Nicomedes e José Vieira de Rezende, o Zezinho Vieira. Nicomedes casou-se com Joaquina e teve quatro filhos: Vespasiano, Iracema, Nair e Nicomedes Filho.

A fonte dessa história foi dona Iracema, segunda filha de Nicomedes, que guarda preciosas lembranças dos tios João Villas Boas e Magnólia, que não tiveram filhos e tratavam os sobrinhos com carinho especial. A casa do Dr. Villas Boas ficava onde hoje é a Perkal. Seu cunhado, Nicomedes, morava em frente, na área entre o Posto Gueno e a Pizzaria Itapuã. Dona Iracema se lembra da bica d´água que passava na varanda, vinda de um córrego que nascia onde hoje é a Escola Hércules Maymone. A família se reunia na fazenda que ficava um pouco adiante, na Avenida Três Barras. As crianças da época tinham medo de um personagem que circulava pela região em uma carroça com dois cavalos, fazendo um barulho assustador que se ouvia de longe: o Geraldo Carroceiro.

O Dr. João Villas Boas faleceu jovem em 1942, aos 42 anos, e a viúva, dona Magnólia, dividiu suas terras com os irmãos Nicomedes e Zezinho. Na década de 60, com a expansão da área urbana para a região Sudeste da cidade, Nicomedes loteou sua propriedade, registrando-a com o nome de Villas Boas, em homenagem ao cunhado.

Nicomedes foi um homem generoso, interessado na preservação de áreas verdes, preocupado com a educação de crianças e jovens e com o bem-estar dos trabalhadores. Por isso, fez incluir na planta original do bairro, diversos espaços destinados a praças, escolas e creches.

Em algumas dessas áreas localizam-se hoje a Escola Emygdio Campos Widal, a Capela Nossa Senhora das Graças, as sedes da Sanesul, de uma Loja Maçônica e da Associação de Engenheiros e Arquitetos, além de quadras para praças, entre elas a Praça do Peixe, que fez aniversário dia 26 de setembro e será tema de nossa próxima crônica.

*Lenilde Ramos e escritora, sanfoneira e adora contar histórias




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