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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

19/03/2015 06:12

Em casa de botões dos anos 90, prateleira e atendentes não mudaram até hoje

Aline Araújo
Família trabalha junto há 24 anos. (Foto: Marcelo Calazans)Família trabalha junto há 24 anos. (Foto: Marcelo Calazans)

A história da Casa dos Botões, na Rui Barbosa próximo a Afonso Pena, começou em 1991 e tudo se mantém quase igual desde aquela época, até o carinho em ter a família inteira trabalhando no mesmo lugar. O comércio tradicional tem o muro pintado de verde, já conhecido de quem é cliente ali, seja para comprar linha e botão, ou até mesmo um passe de ônibus.

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As paredes carregam a história das décadas vividas naquele trecho. A trajetória dos donos começou pelo paulista Dari Fidélis, de 66 anos, ao se casar com a cearense Maria Nogueira Fidélis, em 1978, cinco anos depois de se mudarem para Campo Grande. Depois vieram os filhos Cid Nogueira Fidélis, de 35 anos e Ciro Nogueira Fidélis, de 31 e a loja, que é a relíquia e o ganha pão de toda a família.

Por um tempo a família tocou uma lanchonete ao lado da Casa de Botões. (Foto: Marcelo Calazans)Por um tempo a família tocou uma lanchonete ao lado da Casa de Botões. (Foto: Marcelo Calazans)

O direcionamento para este ramo veio de trabalhos iniciais de Maria. A matriarca da família passou em uma das primeiras lojas de aviamento de Campo Grande, foi lá que pegou experiência para dar a segurança necessária para investir na área. A empresa deu tão certo que hoje faz parte da história do centro e da família.

Os filhos começaram a trabalhar cedo, como ajudantes dos pais, mas sem nunca deixarem os estudos e nem as carreiras, e principalmente, sem nunca deixar a loja. Cid fez Rádio e TV, hoje cursa o mestrado em Comunicação e leciona aulas de audiovisual, enquanto Ciro é formado em Publicidade e também ministra aulas. Paralelo às profissões, a dupla ainda trabalha durante o dia na empresa da família, por escolha e por amor.

“O comércio sempre foi forte na família e como meus pais moram no fundo da loja, a gente cresceu aqui. Acordava para para trabalhar e vinha naturalmente. O retorno financeiro é satisfatório, além de ter a vantagem de trabalharmos todos juntos”, conta Cid, que pontua como parte positiva o fato de não ter formalidades como poder trabalhar de bermuda e receber os amigos para um tereré, quando a loja está menos movimentada, além de, principalmente, estar perto dos pais.

O retorno financeiro é satisfátório, além de ter a vantagem de trabalharmos todos juntos”, conta Cid."O retorno financeiro é satisfátório, além de ter a vantagem de trabalharmos todos juntos”, conta Cid.

Os filhos casaram e se mudaram, mas continuam trabalhando todos os dias na Casa. Os horários também variam de acordo com os outros compromissos profissionais de cada um, mas os dois nunca pensaram em deixar o comércio. “A gente sabe o valor de se trabalhar aqui. Por mais que a gente se aventure em outras áreas, a gente sempre volta”, comenta Ciro.

E eles já passaram por situações engraçadas atrás do balcão. "Algumas clientes não botavam muita fé na gente vendendo. Não sei se por ser homem, mas elas estranhavam", comenta Cid. Só que o preconceito acabava rápido, assim que a cliente fazia o pedido. Por crescerem na loja, os meninos conhecem cada item que existe ali, para que serve e até sabem costurar um pouco.  

Com o tempo, cada um desenvolveu sua personalidade, mas nunca interferiram no visual da loja. As história, com o passar das décadas, acabou presenteando o comércio com o título de "tradicional". Desde sempre, o que se procura está exatamente no mesmo lugar e seu Dari explica o porque deixar as coisas onde sempre estiveram. “O segmento é esse, não dá para mudar demais se não as pessoas acham que mudou de dono, descaracteriza, e somos nós que cuidamos de tudo”, comenta.

Ele conta que gosta muito de ter os meninos por perto, e agora também o neto, Matheus Barros Nogueira, de 12 anos, que trabalha na loja todos os dias antes de ir para o colégio. “Ele chega sempre 6h40 da manhã. Nunca falta!”, comenta Ciro, sobre o desempenho do menino.

Maria trabalhou em uma das primeiras casas de aviamentos de Campo Grande. (Foto: Marcelo Calazans)Maria trabalhou em uma das primeiras casas de aviamentos de Campo Grande. (Foto: Marcelo Calazans)
Dari fala com carinho sobre trabalhar com os filhos (Foto: Marcelo Calazans)Dari fala com carinho sobre trabalhar com os filhos (Foto: Marcelo Calazans)

A alegria de Maria é ter os filhos e o neto por perto. “É muito gostoso. Eu sou apaixonada por eles. A loja para mim é tudo e ter eles comigo me faz muito bem”, comentou a empresária.

Além do comércio ser familiar, os clientes também já passaram gerações, Dari lembra que a mãe que vinha grávida comprar, hoje traz a filha gestante. Por um tempo, eles tocaram também uma lanchonete ao lado da Casa de Botões, do outro estabelecimento só restou recordações em caricaturas na parede e a herança de continuar vendendo bala, chicletes, sorvetes e passe de ônibus.

Dessa época Cid lembra de coisas engraçadas, como o escambo com um fornecedor que vendia roupas. "Nós trocávamos calça jeans por pastel", recorda. 

No sorriso de cada um da família Fidélis está estampado a alegria de trilhar um caminho junto, com a tranquilidade e a certeza de estar bem acompanhado e cercado de amor.

A loja fica na rua Rui Barbosa, 2427, próximo a Afonso Pena.A loja fica na rua Rui Barbosa, 2427, próximo a Afonso Pena.



Deviam fazer uma materia da Casa dos Aviamentos na 13 de maio, eles são muito, mas muito mais antigos, se não me enganam abriram na década de 70 e estão no mesmo lugar até hoje.
 
Max em 19/03/2015 12:17:44
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