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Campo Grande, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

07/09/2015 10:35

Em falta, desfile não tem a figura da baliza, sonho de muita menina no passado

Paula Maciulevicius
Figura da baliza foi extinta dos desfiles, sob a justificativa de que meninas treinadas estão em falta. (Foto: Fernando Antunes)Figura da baliza foi extinta dos desfiles, sob a justificativa de que meninas treinadas estão em falta. (Foto: Fernando Antunes)
Linha de frente agora é tomada por quem leva a bandeira. (Foto: Fernando Antunes)Linha de frente agora é tomada por quem leva a bandeira. (Foto: Fernando Antunes)

No desfile de 7 de setembro nas ruas de Campo Grande, o que faltou foi a figura da "baliza". Escolas e entidades estão quase colocando anúncio de "procura-se", sob justificativa de que meninas treinadas estão em falta no "mercado". Protagonista do desfile, as balizas são, geralmente, meninas que ficam em frente da fanfarra apresentando coreografias no ritmo da música, levando nas mãos um bastão.

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No lugar delas, a linha de frente é tomada por quem leva a bandeira ou o símbolo da entidade que estão representando. Professor de Música da escola municipal Tertuliano Meireles, no bairro Taveirópolis, Arthur Souza de Oliveira, de 29 anos, explica que o motivo é a grande dificuldade de encontrar crianças.

"A gente, por exemplo, com a greve, muitas alunas saíram para a escola estadual. A professora de ginástica fez então uma coreografia específica, em cima do que a banda faz, para a linha de frente", descreve Arthur.

A beleza, na visão dele, não fica comprometida com a falta da baliza. "A beleza é o desfile, eles ensaiam tanto, esperam tanto por isso. A escola não desfila por nós, mas por eles. Os pais fotografam, quer ver quando batem palmas, aí eles se realizam", resume o professor.

Na linha de frente da escola, puxando o nome e a banda, Rayanne Silva, de 14 anos, tinha nos ombros a responsabilidade da bandeira. Saindo no desfile pela segunda vez, a estudante do 8º ano diz que foram treinos intensos, durante três meses de ensaio.

Meninas levam a responsabilidade nas mãos. Porta-símbolos da banda de música do Colégio Militar. (Foto: Fernando Antunes)Meninas levam a responsabilidade nas mãos. Porta-símbolos da banda de música do Colégio Militar. (Foto: Fernando Antunes)

"O mais difícil é quando eu perco o ritmo, por isso eu fico contando. Aí eu tenho que fazer o passinho com o pé, para pegar de novo", explica a menina. Para ela o nervosismo perde para a diversão do momento. "É bastante divertido, vem todas as minhas amigas", conta.

Porta-símbolo do Colégio Militar, Gabrielly Juliana Ferrandin, de 13 anos, não escondia a tensão. Era a primeira vez a carregar algo que ela classifica como tão importante. "Estou nervosa, é um símbolo que representa muita coisa para a escola, nos preocupada e nos dá orgulho", diz.

Apesar de não fazer coreografias e só marchar levando o nome, ela fala que ainda assim é preciso muito coordenação motora. "É um pouco complicado sim, a gente precisa estar concentrada e acostumada com o ritmo".

Andrea fotografa a filha Ana Vivian. Mãe sempre quis, mas nunca foi baliza. Andrea fotografa a filha Ana Vivian. Mãe sempre quis, mas nunca foi baliza.

Comandante do Colégio Militar, Wilson Nascimento explica que a escola sai sem baliza porque está passando por uma reformulação. "Tem que treinar ainda, estamos reformulando a banda para todos os alunos participarem", completa.

Apesar de nunca ter saído como baliza em desfile, o desfalque da protagonista não passou despercebido pela contabilista Conceição Rodrigues, de 54 anos. "É verdade menina, não tem mesmo. Nossa associação tinha há uns 4, 5 anos. Também não vi nos outros, está aí, um pedido e uma sugestão, de balizas no desfile", avalia.

Fotografando a filha, a servidora pública Andrea Patrícia do Nascimento, de 39 anos, também já tinha reparado. "Realmente não tem, eu acho que estão tentando ser diferentes, mudar o desfile", opina. Em comparação com a sua época de escola, ela diz que haviam tantas meninas.

"Eu nunca fui, mas sempre quis ser. Por que? Porque eu era gordinha, eu até tinha coordenação, mas não me achava boa na ocasião. Dá saudade de ver as meninas da baliza", brinca.

Rayanne leva a bandeira, com coreografia ensaiada na linha de frente da escola onde estuda. (Foto: Fernando Antunes)Rayanne leva a bandeira, com coreografia ensaiada na linha de frente da escola onde estuda. (Foto: Fernando Antunes)



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