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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

04/03/2015 06:53

Em tempos de bandeiras feministas, como viver sendo a bonequinha do papai?

Mariana Monge
Quero só fazer o que gosto, ser mulher, esposa, amiga, jornalista, escritora, filha, mãe, irmã, sapeca, atrapalhada, desorganizada, engraçada... E por que não a bonequinha do papai? (Foto: Nandah Marcondes)Quero só fazer o que gosto, ser mulher, esposa, amiga, jornalista, escritora, filha, mãe, irmã, sapeca, atrapalhada, desorganizada, engraçada... E por que não a bonequinha do papai? (Foto: Nandah Marcondes)

Ser mulher sempre foi muito difícil. Antigamente, éramos criadas para sermos mães e donas de casa. Até que um episódio histórico começou a mudar o rumo do nosso lugar no mundo e aos poucos fomos conquistando nosso "lugar ao sol". Não rasgamos apenas sutiãs... Rasgamos o verbo e mostramos que somos capazes de chegar aonde queremos (com nossas próprias pernas e em cima de um salto 15).

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Passamos a ter que lidar, então, com o papel de mãe, dona de casa, profissional, esposa... Além de mais uma infinidade de "deveres", como ter o corpo durinho (desafiando a lei da gravidade independente dos anos que passam), ser antenada e bem informada, e ainda conciliar uma vida social saudável. E claro que não podemos esquecer de reservar na agenda o horário da terapia, né?! Porque não sou obrigada a administrar sozinha todas essas conquistas femininas, que nós, mulheres, sabemos o sabor que têm.

Mas nem tudo é tão doce. Apesar de saber de todo o meu potencial e ter plena convicção de que tenho capacidade o suficiente para ir atrás dos meus sonhos, sinto também uma cobrança de ter que ser tudo isso. Às vezes sinto que ao invés de termos conquistado uma liberdade de ir e vir, apenas mudamos a forma de aprisionamento. Pois, em tempos de tantas bandeiras feministas, é quase impossível viver sendo a "bonequinha do papai".

Somos pressionadas, até por nós mesmas, a sermos "super mulheres" o tempo todo. E confesso que isso muitas vezes cansa minha beleza e tira minha paz. Volta e meia, ouço em rodinhas de amigas o assunto inflamar com tanta indignação, porque os homens são intolerantes e querem sempre uma mulher impecável ao lado deles. Será?

Será que a cobrança maior é por parte deles ou será que exigimos muito de nós mesmas? Não nos permitimos ser menos do que um dia nos falaram que somos. Temos sempre que ser o supra sumo da competência. Talvez esse sentimento venha por medo de por abaixo tudo o que conquistamos dia a dia.

Outra coisa que me incomoda muito é o fato de termos que ser fortes o tempo todo. Vivemos uma geração que tem a música Pagú como um verdadeiro hino. "Nem toda brasileira é bunda e o meu peito não é de silicone... Eu sou mais macho que muito homem". (Oi?)

Tenho a impressão de que passamos a viver uma eterna competição com o sexo oposto (que fadiga!). E qual é o prêmio para quem ganha??? (cri cri cri)

E antes que as feministas de plantão me massacrem, quero deixar claro que acho importantíssimas todas essas conquistas e acredito que as mulheres precisam lutar por seus direitos. Não somos menos do que os homens e não devemos deixar que nos tratem com inferioridade. Mas também não acho que somos mais. Acredito que somos simplesmente diferentes e que no mundo há um bom lugar para todos nós.

Precisamos entender que essas diferenças precisam ser harmonizadas na convivência entre homens e mulheres, com respeito aos limites do outro e admiração às potencialidades também. Não consigo enxergar um mundo no qual eu precise enfrentar uma barata ou trocar um pneu sozinha só para provar a sei lá quem que "sou mais macho do que muito homem".

Quero ser livre. Nem 8 nem 80. Quero só fazer o que gosto, ser mulher, esposa, amiga, jornalista, escritora, filha, mãe, irmã, sapeca, atrapalhada, desorganizada, engraçada... E por que não a bonequinha do papai? 

*Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página Mariana Monge.




Simplesmente amei! Muito inteligente o texto, as analogias, a idéia. Concordo plenamente com TUDO, que está escrito. Realmente também penso que simplesmente mudamos nossa forma de estar aprisionadas. As consequências deste "novo aprisionamento" são terríveis. Quem dera todas pudéssemos experimentar a beleza de simplesmente "ser quem eu sou", e não precisássemos nos impor padrões só pela necessidade de vencer a batalha (?). Não há necessidade alguma de lutar por igualdade. Simplesmente porque homens e mulheres não iguais. Não há superior e inferior, apenas diferentes.
 
Dayse em 04/03/2015 09:53:16
Infelizmente, em se tratando de opinião sobre o feminismo, a da reportagem representa a ideia da maioria. Feminismo não tem a ver com ser ou não feminina. Tampouco ser feminina tem a ver com banalizar as conquistas que hoje as mulheres gozam. Feminismo tem a ver com ser dona do próprio corpo, das próprias opiniões e escolhas, sem que padrões sociais historicamente impostos interfiram. É mais relacionado a escolher ser uma "super mulher" ou não. Acho que foi infeliz nas analogias e termina cometendo um machismo descomunal, ao indagar se a cobrança vem ou não dos homens. Numa sociedade paternalista e cheia de preconceitos onde o macho tem regalias e fêmea tem obrigações, de quem poderia vir a cobrança? Mas... Opinião é opinião né?
 
SarahM em 04/03/2015 07:53:32
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