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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

24/06/2015 06:57

Embarquei no avião com passagem só de ida e não imaginava a saudade que nascia

Mariana Monge
E por eles que eu vivo todos os dias tentando fazer dar certo por aquiE por eles que eu vivo todos os dias tentando fazer dar certo por aqui

Há quase um ano, a vida me pediu para escolher um caminho diferente. Foi uma das decisões mais difíceis que tive que tomar. Mas coloquei a coragem na mala e vim descobrir o que o destino me reservava. Vim com empolgação e com bastante determinação para fazer dar certo. Na jornada de la pra cá, ate ocorreram alguns imprevistos, mas nada que não desse para contornar. Afinal, a caminhada tem destas coisas, de pregar pecas na gente. Mas eu provei que sou dura na queda e, aqui, continuo na gincana do cotidiano.

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Sem olhar para trás, sigo em frente dando um passo de cada vez. E hoje, me sinto mais segura e mais madura para encarar os problemas. Superei muitos medos, descobri que dentro de mim há uma fortaleza bem maior do que eu pensava, aprendi a cuidar da casa, de mim e do meu marido (acredite, isso era um desafio que muitos duvidavam que eu daria conta).

Mas ainda não aprendi a dar conta da saudade... Vez ou outra, meu coracao amanhece apertado e a dor parece grande demais para caber dentro do peito. É que ao arrumar as malas e entrar em um avião com passagem só de ida, assumi a conta de morar a 1300 quilômetros de distância das pessoas mais importantes da minha vida: minha família.

Sei que Deus me deu a graça de construir, junto com meu marido, uma nova família, e isto tem sido outro desafio saboroso, pois transformar uma casa em lar não e nada fácil e exige muita paciência, amor e vontade. Mas me refiro aqueles que me amaram antes de tudo isso e que nunca mediram esforços para me apoiar nas minhas escolhas e decisões.

São pedaços de mim que agora não estão comigo, que precisei ter longe para descobrir quão valiosos são na minha vida. Sinto saudades do cheiro da casa limpa que minha mãe sempre fazia questão de nos receber quando chegávamos do trabalho, do olhar de cumplicidade da minha irmã ao ouvir minhas historias, de velar o sono da minha sobrinha, da voz desafinada do meu pai cantando "Ana Maria entrou na cabine"...

Sinto saudade dos detalhes, das pequenas coisas, do dia a dia... Sinto saudade dos abraços, dos beijos, dos colos, do cafune na cabeça... Sinto saudade de ter para aonde correr quando alguma coisa não vai bem... Sinto saudade de relembrar, de jogar conversa fora na mesa da cozinha durante um lanche no final da tarde... 

E é por isso que eu vivo todos os dias tentando fazer dar certo por aqui, para fazer valer a pena cada gota de saudade que escorre diariamente pelos meus olhos.

*Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página Mariana Monge.




Experiência diferente, mas que traz muita maturidade. Aos 17 anos me casei no Rio de Janeiro, sou de lá, e fiz as malas e mudei no dia seguinte para Campo Grande. São 1.500km de distância e um desmame da família aos 17 anos. Vida nova, família nova e tudo o que começava a enfrentar era agora eu e o esposo e Deus. Ninguém pra ajudar em nada, ninguém pra pedir colo nem pra socorrer. Momentos difíceis e outros de descobertas e, hoje, se passaram mais de 27 anos. Continuo indo ao Rio sempre, para ver meus pais, avó, irmão e família etc....Cresci muito, aprendi a vencer os desafios da vida do nosso jeito e disso tudo renderam dois frutos maravilhosos...uma já com 26 anos e outra com quase 18. Valeu a pena, exceto a saudade que sempre fica...
 
Ana em 24/06/2015 07:59:15
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