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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

18/03/2015 06:45

Entre uma xícara e outra de café, me permiti ver a vida passar pela janela

Mariana Monge
Tem dias, que tudo o que procuro é sentar em uma mesa, pedir uma dose de café e olhar pela janela a vida acontecer lá fora (Foto: Rafa Gizzi)Tem dias, que tudo o que procuro é sentar em uma mesa, pedir uma dose de café e olhar pela janela a vida acontecer lá fora (Foto: Rafa Gizzi)

Não sei dizer ao certo se os dias realmente estão bem malucos ou se foi a tal “vida adulta” que anda fazendo o tempo passar por mim tão despercebido.

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Só sei que mal vejo a vida acontecer e os 365 dias do ano misteriosamente escorrem pelos vãos dos meus dedos. Nesta loucura total, fico realmente confusa e não consigo ponderar se é melhor viver em um frenesi diário para não perder o compasso da dança ou se coloco o pé no freio e desfruto dos momentos com mais calmaria, nem que eu perca algum pedaço da festa.

Acho que esta escolha depende muito da fase que cada pessoa se encontra. Tem dias, que tudo o que procuro é sentar em uma mesa, pedir uma dose de café e olhar pela janela a vida acontecer lá fora. E o melhor de tudo, é que a maturidade me trouxe segurança o suficiente para fazer isso sem que eu me sinta uma mera expectadora da vida.

Posso, sim, ser protagonista e ao mesmo tempo me permitir desfrutar dos momentos com um pouco mais de calma e até mesmo pela janela. Hoje, enxergo que este ato é até uma questão de sobrevivência e sabedoria. É a tal máxima que diz: “quantidade não é sinônimo de qualidade”.

Gosto de metáforas e costumo dizer que às vezes sento no meio fio da calçada para ver a mim mesma caminhar pela estrada. Gosto de, vez ou outra, parar e ler a minha própria história. Pra mim, isso é um baita exercício de autoconhecimento.

Diz aí, qual foi a última vez que você parou para se olhar? Para olhar para dentro de si e fazer aquela faxina na alma?

Eu entendo que a vida anda bem corrida, que sempre temos que nos multiplicar em dez para conseguir dar conta de tudo e que estamos sempre pedindo mais umas 4 ou 5 horas nos nossos dias (para arrumarmos mais coisas para fazer).

Mas tirar um tempo para si e simplesmente olhar a vida passar é também fazer um reconhecimento de território. O mundo muda e nós sempre mudamos com ele. Mas quase nunca temos tempo de avaliarmos as nossas próprias mudanças, até que chega um momento que não sabemos sequer quem realmente somos.

A atitude (corajosa) de olhar a si mesmo é libertadora e capaz de fazer nascer em nós uma nova pessoa.

Mariana Monge é jornalista e colaboradora do Lado B. Mais textos na página Mariana Monge.




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