A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

11/07/2013 06:49

Envolvimento de médico chega ao ponto de deixar escola paga para 9 crianças

Paula Maciulevicius
Um povo que não vive, apenas aguenta. (Foto: Paulo Zanin)Um povo que não vive, apenas aguenta. (Foto: Paulo Zanin)
Parte das crianças do orfanato que Paulo e o grupo de americanos ajudou a dar um futuro, pelo menos por um tempo.Parte das crianças do orfanato que Paulo e o grupo de americanos ajudou a dar um futuro, pelo menos por um tempo.

"Não. Eu não podia ter ido simplesmente embora. Não é tão fácil assim. A partir do momento que você cria um vínculo, você vê o quanto que elas sofrem. Poxa o dinheiro que eu vou utilizar na Europa, eu vou manter uma criança na escola. É até injusta essa comparação. Então, não tinha como, a gente tinha que ajudar". A descrição do último passo dado no Nepal é do estudante de Medicina, Paulo Zanin, de 22 anos. Personagem que o Lado B ontem relatou a vivência de quatro semanas de voluntariado em um hospital da Ásia onde não se pode contar nem com um SUS.

Veja Mais
Astrologia védica mostra o futuro, mas também ensina a aceitar o destino
Como mágica, o amor encontrou o palhaço e romance vive liberdade em belas fotos

A paixão pelo Nepal foi à primeira vista. Se sentir humanamente realizado também. No entanto a impotência diante de tanta falta de sensibilidade para com a dor do paciente fizeram com que o jovem mudasse os planos, mas ainda assim não perdesse o foco ali, de deixar um pouco de si e levar um pouco deles na maior experiência já vivida por ele até hoje. A última semana no Nepal para Paulo foi um fechar de portas do hospital e abertura de sorrisos dentro de um orfanato do Vale de Kathmandu, cidade na região central do País onde as quatro semanas de voluntariado foram vividas no início deste ano.

Ao deixar o hospital de lado, o estudante tentou antecipar a volta ao Brasil, mas não conseguia nem se quer linha para telefonar e remarcar a passagem. O recado foi dado aí. Ainda não era a hora de deixar o Nepal. "Estou aqui, daqui a pouco estou indo embora e preciso fazer mais alguma coisa", sentiu. Paulo e o grupo de sete americanos que juntos trabalharam no hospital já conheciam e visitavam regularmente um orfanato com 13 crianças, de 5 a 11 anos. Mas até então, ele apenas brincava com elas e ia embora.

A missão que faltava ser cumprida nessa viagem toda de renúncias, era com certeza, a ajuda àquelas crianças. O rapaz então conversou com a dirigente do orfanato que escancarou as portas. O lugar em nada parece com o que o Brasil chama de lar provisório para os pequenos. Lá não se recebe nenhuma ajuda do Governo e a administração se resume à pessoas que têm casas e as abrem para receber crianças. Nada é legalizado e não há qualquer documentação. Para entender a falta total de protocolos, adoção lá é pegar e levar embora, sem que ninguém saiba ao certo para onde eles vão.

Um lugar onde não se sabe que futuro os pequenos terão. Um lugar onde não se sabe que futuro os pequenos terão.
Poluição, sujeira, miséria, abandono. O lado predominante de um país precário de tudo.Poluição, sujeira, miséria, abandono. O lado predominante de um país precário de tudo.
Contrastam de uma maneira gritante com o colorido da feira de corantes.Contrastam de uma maneira gritante com o colorido da feira de corantes.

As crianças e adolescentes que ali moram vem de situações onde os pais morreram ou ainda vivem, mas de certa maneira sem condição nenhuma de criá-las. Algumas delas foram retiradas do abandono nas ruas e no orfanato, dormiam em colchões da finura de uma folha de papel. "Elas dormem todas juntas para se protegerem do frio. É uma situação super precária, as casas são muito geladas, sem nenhum sistema de aquecimento. Elas não tem dinheiro, comida e não tem escola. Lá não existe ensino público, elas que tem que pagar e elas são extremamante carentes no emocional", detalhou Paulo.

E numa mistura de pai e irmão, que ao mesmo tempo em que dava bronca, brincava, Paulo se viu num dilema maior do que o encontrado nas macas do hospital. "Elas não tinham futuro. Essa visão de que lá para frente é complicado. Ninguém sabe o futuro que as espera". Ele então resolveu deixar todo o dinheiro que tinha para que elas pudessem ter uma educação.

"Meus pais mandavam dinheiro e eu resolvi não usar e os americanos, depois de voltarem para os Estados Unidos, mandaram dinheiro para mim. Resumindo, nós pagamos para nove crianças, seis meses de escola. As outras quatro de lá ainda tinham como estudar. A gente deu caderno, comida, brinquedo, tudo o que era mais ou menos necessário para que elas tivessem pelo menos um tempo. Eu sempre acreditei e vou acreditar que podem te tirar tudo, menos a sua educação. Então a gente fez um investimento que achou que seria melhor para o futuro deles", narra.

Nas quatro semanas que se seguiram no Nepal, Paulo ou qualquer um que fosse viver a experiência se daria conta do choque das diferenças de vida andando pelas ruas. Olhando para os olhos daquelas pessoas. Nas cenas que ficaram na memória do estudante, o palco de tanta sujeira e poluição que de início provocaram tantas crises de tosse. O que também gritou aos olhos do estudante foi ver um menino que mal devia ter 2 anos acender o crematório dos pais. "Pela religião, eles não enterram, eles cremam e isso quem tem que fazer é o filho homem mais velho. Eu vi uma criancinha, um menininho quase carregado no colo ter que acender".
E entre tanta miséria, um festival de cores em plena feira. Um contraste entre o belo e o deplorável. Da vida do colorido ao preto e branco de se viver de esmolas.

"Mas muita coisa me marcou para o positivo. Vi um casamento que foram quatro dias de pura cerimônia, cheio de ritual e nas feiras onde se vende corante, tudo muito colorido. A natureza é muito bonita, as maiores montanhas do mundo estão lá. Os templos e os rios são maravilhosos, mas o Nepal não. As pessoas que têm que viver e não tem condições. Não dá pra ser uma cidade bonita, mas ainda assim as pessoas têm uma beleza natural", descreve.

Ao contrário do que se possa imaginar, mesmo em meio à miséria, a taxa de criminalidade é baixíssima. Ninguém pega o que é o seu, mesmo com toda curiosidade. O estudante contou que em muitos lugares, ao fotografar, eram os nepaleses que pediam para sair na fotografia ao lado dele. Muitos nunca tinham visto uma câmera.

Na tentativa de descrever o que os olhos de quem vive no Nepal, Paulo resume ao trecho de Elis Regina. "Gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta".
Os pais de Paulo o fizeram prometer que essa seria a última vez que ele faria algo tão radical. Mas os planos como médico de ir à África não estão descartados. "Eu acho que é o meu dever, pessoalmente. Eu tenho que ajudar pelo menos um pouco e é com o meu trabalho de médico que vou fazer isso. Ele pode ajudar. Lá eu tive mil motivos para desistir, mas o único motivo, que era ajudá-los, foi suficiente para me manter lá".




Seus pais com certeza ficaram muito preocupados por tudo o que passou. Mas de uma coisa fique certo, na próxima viagem, talvez a África e por que não, aqui mesmo no nosso país, certamente o ajudarão a afivelar as malas. Que Deus o proteja por todo sempre amém.Beijos nesse coração!
 
vania ligia gutierrez em 11/07/2013 22:43:57
Parabéns Paulo!
 
Antonio Ferreira em 11/07/2013 16:06:15
Parabéns pelo seu gesto, pelos seus pensamentos e pelos seus sentimentos Paulo....pessoas como você me fazem sentir que viver, em um mundo tão cruel, vale a pena...espero que você continue pensando e agindo assim e não se deixe influenciar "por ninguém" para o contrário disso. God bless and protect you today and forever. espero algum dia poder, de alguma maneira, colaborar com você.
 
Marga Freire em 11/07/2013 15:28:43
Você faz a diferença Dr. Paulo...
 
Jéssica Santos em 11/07/2013 15:07:27
Me emocionei ao ler essa reportagem,fiquei pensando que por causa de pessoas como o Paulo da reportagem,ainda dá para se acreditar no ser humano,que Deus multiplique a ele tudo o que doou e abençõe a sua vida,e da seus pais.
 
Teresa Moura em 11/07/2013 14:38:40
sere humanos desse planeta. imaginem se ao invés de gastarmos nossas economias em viagens a lugares já desenvolvidos como Nova York, Paris, etc. viajássemos pelo menos uma vez na vida para um desses lugares mais pobres e gastássemos nosso dinheiro lá! imaginem o bem que a circulação desse dinheiro poderia fazer nesses locais, alem de nos mostrar que existem pessoas em situações muito, mais muito pior que a nossa.
 
joao de deus em 11/07/2013 13:54:20
Ah se todos fôssemos comprometidos como ele!!!! O mundo seria bem melhor.
 
Damares Ramos em 11/07/2013 13:28:34
Tenho certeza que vc fara muita diferenca pra muitas vidas africanas como tb de todas as vidas onde te dedicares, com esse coracao!
Deus te abencoe mais ainda!!
 
Agnes Amalie Zielke Maltzahn em 11/07/2013 13:26:08
Parabéns, grande exemplo de cidadania!
 
Kátia Reis em 11/07/2013 12:44:10
Meus parabéns e que Deus te de em dobro!
 
flaviane maximo da paz em 11/07/2013 12:20:57
É triste ler isso: "Os pais de Paulo o fizeram prometer que essa seria a última vez que ele faria algo tão radical".
Os pais deveriam querer e estimular a busca da felicidade pelos filhos e não se arvorarem serem os donos em saber está essa felicidade...
Você foi grande na sua atitude e seus pais parece não entenderam isso...talvez eles te querem ganhando muito dinheiro num consultório chique, atendendo as madames da sociedade...mas você pode ser infeliz fazendo isso... até porque sabe que você seria muito mais útil na vida de outras pessoas...pense nisso - assuma as rédeas do seu destino e não permite que ninguém pode as suas aspirações - "DA VIDA SÓ SE LEVA O QUE SE DEU"! Parabéns pela atitude!
 
Marcos Santos em 11/07/2013 12:06:22
Rapaz!!! que coisa linda, que feito por essas belas crianças.
Meiriele, faço minhas suas palavras...
Éh, pessoal existem médicos e médicos. Uns abençõados por Deus e outros pelo capeta.
PAULO X Adalberto Siufi o tal Dorsa e companhia(aliás, e quadrilha).
Paulo Zanin, apesar de tão jovem ,com uma cabeça incrível de um grande HOMEM.
Que Deus, ilumine esse jovem eternamente...e toda sua família, pelos bons ensinamentos.
 
Neyde de Oliveira em 11/07/2013 11:36:53
Parabéns pelo ato grandioso como homem, pessoa e um futuro profissional que o Dr.Paulo espera , com esta atitude mostra sua capacidade como ser humano .
A matéria foi tão interessante que a cada linha emociona qualquer leitor com o mínimo de sensibilidade , seu gesto não tem palavras e sim um exemplo .
Sucessos !!
 
Rosemeiry Ribeiro da Silva em 11/07/2013 11:26:53
São histórias como essa que me fazem acreditar que ainda existe uma fagulha de bondade no ser humano. São histórias como essa que me fazem acreditar, também, que o papel do jornalista é sensibilizar, por meios louváveis, o seu leitor.
Uma história bonita, um experiência com certeza inesquecível para o personagem, Paulo Zanin, e um exemplo para muitas pessoas que não sabem mais onde "enfiar dinheiro".
infelizmente, essas mazelas estão ao nosso redor em qualquer lugar, inclusive aqui mesmo, no nosso país, na nossa cidade.
Li as duas partes do relato, e me emocionei muito!
Parabéns ao Paulo pelo relato, à Paula Maciulevicius pela reportagem, e ao Campo Grande News pelo espaço!
Uma observação: Paulo, posso imaginá-lo fazendo parte do "Médicos Sem Fronteiras"!
 
Meriele Oliveira Pereira em 11/07/2013 10:12:32
Paulo, meus parabéns!
Não pela "doação" de si mesmo, mas pelo desapego e pelo comprometimento com um mundo melhor! Se cada um de nós fizesse um pouquinho...
 
Carolina Leite em 11/07/2013 09:44:16
Que coisa maravilhosa você tem feito menino!! Que Deus jamais permita que você se se iguale a maioria dos médicos de hoje que só pensam nas finanças. Esta humanidade em seu coração é um dom. Deus cubra de bençãos você e seus amigos americanos.
Ja imaginou como seria diferente o mundo se cada um se doasse um pouquinho?
Quero ler num futuro próximo as suas ações como medico,hem? Um grande abraço.
 
Nilva Alves em 11/07/2013 09:32:26
Só quero lhe dar os parabéns pelo lado humano que desempenhou no Nepal, e pedir que continue olhando as pessoas como irmãos em DEUS, e que não faça como muitos médicos que junto ao juramento de fazer de tudo para salvar vidas, dizem: Desde que eu receba por isso!!! Dinheiro é necessário e justo pelo nosso trabalho, mais lembre-se que DEUS não nos valoriza pelo que passa em nossa conta bancária, e sim pelo que passa em nossa mente e coração!!! DEUS lhe abençoe...
 
Nivaldo Silva em 11/07/2013 09:29:29
Enquanto uns usam a medicina única e exclusivamente para ganhar dinheiro, outros fazem dela um instrumento de humanização.
Meus parabéns ao futuro Dr. Paulo e que ele nunca se esqueça: Deus irá recompensá-lo grandemente por tudo isso e por tudo mais que ele fará em sua jornada.
 
Willian Salviano em 11/07/2013 09:11:45
Bastante emocionante! Mais uma vez parabéns ao Paulo. O sentimento humanitário está impregnado na sua essência. Parabéns aos pais que transferiram valores e princípios tão importantes para uma sociedade que ultimamente tem banalizado a vida do próximo. E um VIVA ao Nepal....
 
cida guerra em 11/07/2013 09:09:21
Parabéns!Paulo pelo seu ato de humanidade e principalmente pela sua atitude de tentar amenizar a tristeza daquelas crianças, vc com certeza jamais se esquecido elas sempre lembrarão de vc com muito carinho. Continue seguindo seu coração e levando as pessoas o q vc tem de melhor A M O R pela vida.
 
luciene nogueira em 11/07/2013 08:23:47
Parabéns Paulo é isso aí, se cada um fizesse um pouquinho, teríamos um mundo melhor, que Deus te abençoe
 
Adriana de Menezes em 11/07/2013 08:11:02
Relato lindo! Amar ao próximo como a si mesmo. como disse Jesus, é isso aí. Quem dera que no mundo existisse milhares como esse jovem Grande Homem. Emocionante.
 
marcia maria em 11/07/2013 07:56:55
Nos passos da vida, herói é um anjo disfarçado, em nosso meio, que surge e faz, o simples, mas, de tão simples, não acreditamos que o fez...assim, a vida segue seu caminho, onde poucos tem muito, e nada faz, e, os que tem um pouquinho fazem muito sem pedir nada em troca, com isto a vida se renova; e ao ler uma matéria como esta, faz acreditar que o amanhã ainda pode ser melhor!
São tantas "mazelas" feitas como o direito da vida que ao sentir nos olhos o que o Paulo presenciou, leva-me, a pensar fiz muito pouco, preciso melhorar e agradecer sempre...
Parabéns, para a equipe do Lado B, em trazer o gosto de ler uma matéria carregada de muitos sonhos.
 
Digelson Pazeto de Morais em 11/07/2013 07:37:49
imagem transparente

Compartilhe

Classificados


Copyright © 2016 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.