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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

26/08/2016 07:15

Filho de japonês, para quem chegou só com uma mala na mão, hoje família é grande

Paula Maciulevicius
Casal Sakai - Edna e Octacílio, com filhos e netos. (Foto: Alcides Neto)Casal Sakai - Edna e Octacílio, com filhos e netos. (Foto: Alcides Neto)
Com os filhos ainda pequenos, no início da vida em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)Com os filhos ainda pequenos, no início da vida em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Entre os Sakai, a história de amor com Campo Grande é linda, apesar de recente. Mais uma das famílias da colônia japonesa que encontrou na Capital seu lugar. Seu Octacílio Sakai chegou aqui aos 28 anos, noivo de Edna, com uma mala na mão. Vindo de São Paulo, de longe, estranhou a cidade, mas se sentiu em "casa" quando os olhos encontraram a muvuca da 14 de Julho. E hoje vê a família toda em casa, para o almoço, todos os dias. Entre o vai e vem de gente, são 11 pessoas. 

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"Lá no Estado de São Paulo já não tinha muito espaço. Então a gente precisava abrir um caminho. Na época, Campo Grande era muito ruim de comunicações. Só tinha trem, então aqui tinha muito espaço,  pra ???. Ônibus quase não tinha . Então aqui ainda tinha espaço. Esse é o começo", conta Octacílio Sakai, de 77 anos.

Comerciante, trouxe o mesmo ramo para cá, o "Bazar Cerejeira", que por 44 anos funcionou em dois endereços na Capital. A esposa, que toda a vida trabalhou com salão, mantém um estabelecimento de mesmo nome até hoje, em casa, na 13 de Junho.

Edna veio depois de casada, em janeiro de 1969. (Foto: Fernando Antunes)Edna veio depois de casada, em janeiro de 1969. (Foto: Fernando Antunes)
Casamento do dois. (Foto: Arquivo Pessoal)Casamento do dois. (Foto: Arquivo Pessoal)

Visionário, Sakai enxergou - à época - uma Campo Grande estratégica, que juntava muita gente. "Uma ilha de turco e rodeada pelo japonês. Não era assim que falava?, brinca. Como era um local que já tinha uma grande concentração de japoneses, decidiu que seria o melhor lugar para construir família.

A camiseta "baseball" é o reflexo do esporte que ele e os demais japoneses trouxeram para cá e abraçaram. Pela imigração que a modalidade chegou à Capital. "É um esporte coletivo, antigamente, o nipônico não tinha muito contato com demais descendentes. Então eles agrupavam e faziam o time e jogavam e é um esporte onde precisa ter nove pessoas. Só tem que ter várias famílias para montar o time", explica.

Em Campo Grande, Sakai teve três filhos e hoje vê os seis netos se aventurarem no esporte e brincar numa cidade que ele viu crescer. "Essa rua aqui não era asfalto, na Maracaju tinha córrego, agora é asfalto em tudo, mas naquela época era tudo taboco e para atravessar para o lado de lá, precisava pegar a Calógeras e subir", recorda. 

Agradecimento depois que o bazar fechou, pelos 44 anos de funcionamento na cidade. (Foto: Arquivo)Agradecimento depois que o bazar fechou, pelos 44 anos de funcionamento na cidade. (Foto: Arquivo)

Se o orgulho bate no peito de ter participado do crescimento da cidade? E como. Antes de vir a Campo Grande, seu Sakai tentou Presidente Prudente, mas as subidas e descidas não animaram o japonês que tinha a bicicleta como meio de transporte.

A responsabilidade de ter ajudado a construir a cidade é sentida ao relembrar o passado. "A gente também ajudou a construir tudo, não é? E na época em que faltava água, energia piscava. Eu vim com uma malinha na mão, não sabia o dia de amanhã, quando subi onde agora é a Mato Grosso, entrei na 14 de Julho, aí começou aquela muvuca e me animei de ficar por aqui. A gente chega no local e sente alguma coisa. Eu me senti bem aqui em Campo Grande", descreve.

A chegada foi em outubro de 1968, logo depois a abertura do bazar e o casamento em janeiro do ano seguinte. Nove meses depois, nasceu o primogênito e a família fincou raízes na Capital. "Eu, como paulista, me orgulho de ser da cidade. Me orgulho porque minha vida é aqui. E não é terra natal, mas a gente se considera como cidadão campo-grandense com muito orgulho", declara.

O sentimento em relação a Campo Grande não mudou, em nada. "Uma cidade bem plana, ruas bem largas. Tem tudo. Eu não errei de ter vindo. Eu acho que é a melhor do Brasil", agradece.

E em japonês, seu Octacílio Sakai dá os parabéns à cidade, pelo aniversário de 117 anos: 




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