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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

24/03/2015 06:12

Finalmente, reuni forças para dizer em voz alta: eu sou gay, sim, e daí?

Elverson Cardozo
O processo começa com você. E é libertador. Mostre-se pro mundo. (Foto: Arquivo Pessoal)"O processo começa com você. E é libertador. Mostre-se pro mundo". (Foto: Arquivo Pessoal)

Na 4ª matéria da série "Saindo do Armário", o Lado B traz a história do estudante de Arquitetura e Urbanismo Leonardo Sales, 22. Para agradar os outros, ele se escondeu por muito tempo, mas, em 2011, conseguiu, com a ajuda de amigos, dar um chute na porta do armário. Desde então, tem orgulho de dizer: "Sim, sou gay".

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"Nunca foi uma escolha. Eu sempre soube quem eu era, apesar de ter lutado contra isso"

"Eu sou gay". Três palavras e um chute na porta do armário. Pode parecer fácil escrever sobre isso agora, porém ser capaz de falar com naturalidade sobre a minha orientação sexual foi um processo longo e doloroso. Trata-se de, primeiro, aceitar quem você é, para só então poder gritar ao mundo que você tem orgulho de ser quem é.

Desde criança eu fui ensinado que ser gay era uma coisa ruim. Por trás de todo o discurso de que eu seria amado, independente do que eu "escolhesse" ser, vinha o porém: 'você precisa ter jeito de homem'. A questão é que nunca foi uma escolha. Eu sempre soube quem eu era, apesar de ter lutado arduamente contra isso.

Não existe fórmula para sair do armário. (Foto: Arquivo Pessoal)"Não existe fórmula para sair do armário". (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de uma vida inteira me escondendo e fingindo para agradar aos outros, foi em 2011, quando ingressei na universidade e conheci amigos que me ajudaram nesse processo, que eu, finalmente, reuni forças para dizer em voz alta: eu sou gay, sim, e daí? Eles me chutaram para fora do armário. Me ensinaram que eu devo, sim, ter orgulho de quem eu sou e que não há nada de errado em amar alguém.

Foi um ano de descobertas. De me aceitar. De olhar pra dentro e entender o que eu estava disposto a aceitar e o que eu não aceitaria mais. Contei primeiro para os amigos mais próximos, os do Ensino Médio, que fizeram parte de muitos momentos na minha vida.

Finalmente, em 2012, aos 19 anos, quando estava em um relacionamento, que eu resolvi contar para minha mãe. Ela era a pessoa que eu mais sentia medo de desapontar, de não me aceitar. Mas, para minha surpresa, ela me abraçou e disse que já sabia, que me aceitava assim e me amava acima de tudo. Com meu pai a história foi um pouco diferente. A negação, para algumas pessoas, é sempre a saída mais fácil.

Não houve planejamento, nem texto ensaiado. Apesar de todas as vezes em que eu ensaiei o longo discurso na frente do espelho, ele apenas aconteceu. E, apesar de todo o preconceito que ainda vemos hoje, respiro aliviado ao poder dizer abertamente que sou gay e que não me envergonho de amar.

Não existe fórmula para sair do armário. Mas o meu conselho para todos que ainda sofrem com essa questão é: começa com você. Autoconhecimento e autoaceitação. O processo começa com você. E é libertador. Mostre-se pro mundo. A idade média já passou e eles vão ter que nos engolir.

Envie seu relato - Se identificou com o relato de Leonardo? Quer contar a sua história? Mande um e-mail, com texto, foto e seu contato, para ladob@news.com.br




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