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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

24/02/2016 06:23

Freis bancaram o cupido e casamento foi marcado quando noiva decidiu se separar

Paula Maciulevicius
Casal comemorando a benção religiosa, 22 anos depois. (Foto: Unilton Cavalcante)Casal comemorando a benção religiosa, 22 anos depois. (Foto: Unilton Cavalcante)

Foram os freis da comunidade da Paróquia Nossa Senhora de Fátima que fizeram Irineu e Betina subirem ao altar, depois de 22 anos juntos. Na quarta tentativa de trocar as alianças na igreja, Betina estava para desistir. O casamento só foi marcado quando ela pensou em separação. Os freis "casamenteiros" da comunidade não só insistiram para que o casal formalizasse, como organizaram tudo. Da ornamentação à música, passando pela celebração.

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Há dois anos, quando chegou à comunidade, o frei Eliomar vem acompanhando o casal, passou por momentos de crise junto com os dois e levou quase 12 meses empenhado em fazer sair dali, um casamento. "Fazia tempo que eles queriam se casar, mas tinham essa dificuldade. Comecei a incentivar até eles casarem, quando decidiram, me falaram: é tudo por sua conta", brinca Eliomar de Brito, de 36 anos.

Eles levaram a intimação ao pé da letra e correram atrás de tudo. Eliomar esteve à frente como responsável geral pela cerimônia, junto de toda uma equipe de frades. "Fiquei como referencial para o evento, mais o frei Pedro Henrique como responsável pelo rito da liturgia, o frei Ronaldo pela música, o frei Everaldo pela ornamentação e o frei Oscar foi quem presidiu a missa", detalha.

Nas reuniões que anteciparam o casamento,Nas reuniões que anteciparam o casamento,
participavam os freis. (Fotos: Arquivo Pessoal)participavam os freis. (Fotos: Arquivo Pessoal)

A data do tão esperado sim foi no último dia 13, um sábado, 7h30 da noite, diante de 240 convidados. "Já era a quarta vez que as pessoas arrumavam da gente se casar, eu já não tinha mais esperanças", brinca a funcionária pública Betina Ferreira de Lima, de 42 anos. Ela se surpreende com a nossa curiosidade pela sua história de amor e anuncia que não tem nada de conto de fadas, pelo contrário. "É uma história de construção e superação".

Os dois se conheceram e começaram a namorar 25 anos atrás, nas corridas pelas ruas da Capital. Ela é gaúcha, ele é mineiro, mas ambos já moram há décadas em Campo Grande. Da trajetória juntos, os dois têm 22 anos e um casal de filhos. O casamento, no civil, foi realizado há sete anos.

"Em setembro ele falou que não estava preparado ainda. Mas eu estou com ele há 21 anos e ele não está preparado ainda? O que eu estou fazendo com esse homem? Aí decidi separar", conta Betina. No coração, a noiva diz que sempre sentiu uma coisa em relação ao marido, de que não era para se separar. "Mas a realidade da nossa vida me mostrava o contrário..."

Diante do frei, no altar, na quarta tentativa de Betina. (Foto: Unilton Cavalcante)Diante do frei, no altar, na quarta tentativa de Betina. (Foto: Unilton Cavalcante)
Filha levou pai para o altar. (Foto: Unilton Cavalcante)Filha levou pai para o altar. (Foto: Unilton Cavalcante)
E o filho, a noiva. (Foto: Unilton Cavalcante)E o filho, a noiva. (Foto: Unilton Cavalcante)

No final do mesmo mês, uma viagem para compromissos da igreja em Sidrolândia, fez Irineu mudar de ideia. "O frei conversou com ele, não sei que conversa foi essa e ele veio pedir. Minha vontade era de falar não. Mas falei: você quer agora? Então se vira, eu não vou fazer nada", diz.

Em sua defesa, Irineu responde que casamento no religiosa era coisa séria e que nos altos e baixos da relação, ele sempre pensava em esperar mais um pouco. "Mas acho que tudo ocorreu na hora que era para ser, foi providência divina", justifica ele, agora casado.

As tentativas de levar o casal para o altar começaram na família, pela cunhada de Betina e terminou no "sim" por influência dos freis. Já fazia 10 anos que o assunto rondava os dois. O casamento sempre esteve nos planos de Betina e ganhou mais força a medida em que ela avançava nas responsabilidades dentro da Igreja Católica, por entender que casamento era sacramento.

Casal trocou votos diante de 240 convidados. (Foto: Unilton Cavalcante)Casal trocou votos diante de 240 convidados. (Foto: Unilton Cavalcante)
Os filhos de Betina e Irineu que levaram as alianças. (Foto: Unilton Cavalcante)Os filhos de Betina e Irineu que levaram as alianças. (Foto: Unilton Cavalcante)

Até o "sim" chegar, foram várias as reuniões dos freis com a equipe de música e a filha e a amiga que fariam a decoração. Os ensaios das canções já emocionavam Betina. Foram dois meses de planejamento que teve toda ajuda dos freis, até no buquê que Betina carregou nas mãos ao cruzar a igreja.

A filha quem levou o pai até o altar, e o filho, a mãe. Juntos, os irmãos fizeram uma segunda entrada, dessa vez para as alianças. Entre os padrinhos, Betina conta que como sua história acontece de traz para frente - primeiro os filhos, uma vida a dois, para depois o casamento - quem testemunhou os votos foi quem os direcionou até ali.

Depois de casada no religioso, Betina fala que viveu o momento tão intensamente que precisa rever as imagens para prestar atenção aos detalhes. "Agora eu me sinto inteira", diz aliviada. O marido, numa fala apaixonada, afirma que realizou um sonho que também era dele.

"Foi a realização de um sonho que a gente tinha, eu também tinha, mas algumas coisas sempre impediam, mas a partir do momento que eu falei: vamos casar e ela aceitou, foi maravilhoso e ver os nossos filhos entrando com aliança, foi lindo", resume Irineu Evaristo da Cunha, de 51 anos.

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Essa é uma sugestão de pauta da jornalista e leitora Ohanna Braga.

Agora casal se sente completo. (Foto: Unilton Cavalcante)Agora casal se sente completo. (Foto: Unilton Cavalcante)



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