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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

11/09/2016 07:10

Gays e transexual disputam eleições por espaço contra conservadorismo na Câmara

Thailla Torres
Gays e transexual disputam eleições por espaço contra conservadorismo na Câmara

Levantar a bandeira em apoio ao movimento LGBT é carta na manga para alguns candidatos, graças ao politicamente correto. A questão é até que ponto as pautas contra preconceito e pelos direitos iguais continuam firmes depois das eleições e contra bancadas conservadoras. Em Campo Grande, pelo menos três candidatos não só incorporaram a luta ao discurso, como também assumiram publicamente serem homossexuais e esperam apoio de quem sente na pele a falta de representativade na política. 

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Advogada, e a primeira presidente transexual da União Nacional dos Estudantes MT/MS, Amanda Anderson, de 35 anos, é candidata a vereadora pelo PDT. Surgiu se apresentando como alternativa nestas eleições, contra o blá-blá-blá de quem muito fala, mas pouco faz. Para vencer, espera que o eleitorado de gays, lésbicas e transexuais mude a forma de pensar na hora de decidir o voto.

“Eles votam naquele que dão uma expectativa quanto a essa bandeira. No entanto, esquecem que o próprio candidato LGBT tem uma capacidade muito maior, porque viveu toda essa essa luta. Sabe das dores, agressões físicas e psicológicas. Temos que parar para pensar que a luta é de quem realmente viveu e não é só defender quando alguém está indo contra, mas sim lutar todos os dias, receber as pessoas no gabinete, ouvir as propostas e colocar em pauta”, defende.

Mas Amanda sabe que o caminho é longo até uma cadeira na Câmara Municipal. Começa pelo envolvimento do público LGBT no debate e com o entendimento de que, independente da sexualidade, brigar por igualdade é algo importante para todos. "Infelizmente aqui no nosso estado, a gente tem uma briga entre os próprios LGBT, porque as pessoas preferem muito mais confetes do que ir a luta”, crítica.

Amanda foi uma das primeiras a receber a carteira com nome social em MS. (Foto: Marcelo Victor)Amanda foi uma das primeiras a receber a carteira com nome social em MS. (Foto: Marcelo Victor)

Vagner Campos, do PT, é o mais experiente em campanhas e há muito tempo é visto na militância pelos direitos humanos. Gay, nunca teve problema de assumir a bandeira e se engajar em lutas contra absurdos como a homofobia. Ele sabe que encarar uma eleição é dar visibilidade ao movimento, mas afirma que não alimenta expectativa quanto ao apoio segmentado.

"Para quem é militante, jamais vou omitir minha orientação e o movimento sempre tem como foco a visibilidade do público, que é uma organização que tem pauta e reivindica. Mas nunca trabalho exigindo a eles essa necessidade de me eleger", garante.

Para o candidato a vereador, as pessoas têm de escolher gente capacitada, independente da orientação sexual, desde que tenham compromisso com a igualdade. "Não acho que gay tem que votar em gay, assim como mulher não tem a obrigação de votar em mulher", comenta Vagner.

Como candidato a vice-prefeito, Henrique Nascimento, de 24 anos, encontrou espaço no PSOL para ser o primeiro homem assumidamente gay em uma chapa majoritária em Campo Grande. Ele acredita no apoio da comunidade homossexual, mas acha que poderia ser muito maior a adesão aos projetos políticos que levantam essa bandeira se os movimentos incentivasse isso.

"Eu faço parte, além da comunidade, do movimento que é um instrumento para fazer o enfrentamento necessário a essa sociedade conservadora. Então, tem que incentivar votar em LGBT sim, porque a gente precisa dessa pluralidade na política, que é um campo ocupado por homens brancos e ricos", argumenta.

Mesmo sem chances de ganhar e ainda correndo o risco de não concorrer, por conta da impugnação da candidatura de Rosana Santos (PSOL), à prefeitura, Henrique avalia que só os espaços abertos nessa época para debate já vale muito a pena. "A gente quer disputar e conversar com essas pessoas, que sentem na pele o preconceito e a opressão sofrida pelo conservadorismo, que proíbe a gente de amar, se relacionar. Além de sofrer com a precarização do trabalho", pontua.

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Henrique Nascimento é candidato a vice prefeito em Campo Grande. (Foto: Alcides Neto)Henrique Nascimento é candidato a vice prefeito em Campo Grande. (Foto: Alcides Neto)
Vagner Campo é candidato a vereador. (Foto: Reprodução Facebook)Vagner Campo é candidato a vereador. (Foto: Reprodução Facebook)



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