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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

29/11/2015 07:12

Há 4 anos, a 14 de Julho tem Juliely e os panfletos do salão como personagem

Paula Maciulevicius
Transexual, Juliely se formou em cabeleireira, mas o que queria mesmo era ser professora.  (Foto: Marcos Ermínio)Transexual, Juliely se formou em cabeleireira, mas o que queria mesmo era ser professora. (Foto: Marcos Ermínio)

Do cabelo vermelho e do perfume doce. Sempre de batom, blush e rímel nos olhos, Juliely já está na 14 de Julho há quatro anos, entregando e hoje coordenando a divulgação dos panfletos de um salão de beleza. Transexual, como se define, ela se formou em cabeleireira por ser a única via de conseguir emprego, mas o que queria mesmo era ser professora. 

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Juliely Salviano dos Santos tem 26 anos e a "sorte" de nunca ter sofrido preconceito na rua. Ela mesmo diz que por "saber se comportar, entrar e sair dos lugares", nunca ouviu xingamento, olhos tortos ou dedos apontados para si. Enquanto conversa com gente, responde aos cumprimentos pela rua: "Oi meu anjo", "Oi, bom dia". 

Antes de chegar ali, quatro anos atrás, trabalhava como babá. O curso de cabeleireira fez logo que saiu da escola, por insistência da família. "Eles que me falaram: faz, faz, faz e eu fiz", conta. O sonho mesmo era cursar Pedagogia. "Mas aqui no Estado tem muita discriminação", justifica. Ela até cita a amiga que conseguiu se formar em Direito, mas diz que "se para ela foi difícil..." imaginando como seria para si lidar todos os dias com os olhos do preconceito frente à lousa. 

Sobre ser figura conhecida na 14, ela afirma que é mesmo. Todo mundo me conhece, diz. (Foto: Marcos Ermínio)Sobre ser figura conhecida na 14, ela afirma que é mesmo. "Todo mundo me conhece", diz. (Foto: Marcos Ermínio)

E a dificuldade iria também além dos estudos. "É muito complicado ter oportunidade. As pessoas acham que você professora travesti, vai ensinar 'isso' para o meu filho? Eu sei, já vi isso acontecer na TV", descreve Juliely.

Ela chega para trabalhar às 10h da manha e às vezes fica até 8h da noite. Além de entregar panfletos em frente a galeria onde funciona o salão, coordena os outros seis funcionários que espalhados pelo Centro fazem divulgação do espaço. "Quando fica corrido, eu subo para ajudar. Faço tintura, progressiva e escova", conta.

A rua virou trabalho e as atendentes de lojas que lhe fazem companhia, amigas. Cada uma tentando "vender seu peixe". "Sou tratada bem porque depende sempre da atitude da pessoa, da atitude que você tem. Eu convivo aqui, brinco sempre", diz.

Ela mora no Lageado com a mãe e todo dia chega arrumada ao trabalho. O perfume doce é da linha Floratta, de O Boticário. Há seis anos na fila para a mudança de sexo gratuitamente, Juliely diz que só não colocaria prótese no corpo. "Nasci assim, Deus me fez assim, vou ser o que eu sou e não o que quero ser", reflete.

Sobre o modo como é vista, ela diz que o que "queima" as travestis e transexuais são as "depravadas". "Queima quem trabalha dignamente, me prejudica", explica sobre o estigma que as travestis e transexuais carregam.

O que chama a atenção é a naturalidade com que ela fala da vida e da família em casa. "Nunca sofri preconceito porque sempre fui assim, desde pequena. Assim como? feminina na postura, no jeito de falar, na voz. Era totalmente diferente de um menino", se justifica.

Se de casa não teve preconceito, no ramo da beleza, também não. Ela até tentou ser vendedora de loja, mas nunca recebeu ligação nem para ir para uma entrevista depois de deixar currículo. E olha que ela terminou o Ensino Médio. "Em salão não tem preconceito não, as mulheres até preferem ser atendidas por travestis, gays. Por que? Acho que é porque a gente tem mais cuidado", acredita.

Os cabelos vermelhos refletem a felicidade que ela diz sentir. "Sou muito feliz. Meu cabelo? Eu sempre quis ter ele vermelho, era uma curiosidade minha desde os 6 anos de idade". Sobre ser figura conhecida na 14, ela afirma que é mesmo. "Todo mundo me conhece, uma vez me acidentei de moto, fiquei 15 dias fora e as pessoas me ligavam: o que está acontecendo? Estão acostumadas a me ver já".

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Bom... Bela reportagem, mas eu não concordo com a Juliely sobre nunca ter sofrido preconceito por "saber se comportar". Ela nunca sofreu preconceito porque teve sorte, as pessoas são cruéis! Eu já fui abordada por ela na rua, e realmente é extremamente simpática e amistosa, no entanto, ela pode não ter percebido, mas naquele momento em que ela me entregou um panfleto, duas senhoras faziam chacota dela; o que me deixou extremamente irritada. De qualquer forma Juliely: parabéns pela sua coragem em lutar, mas assuma a causa trans, suas parceiras precisam de vc para serem visualizadas e empoderadas.
 
JESSICA MACHADO GONÇALVES em 30/11/2015 08:34:11
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