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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

30/09/2016 06:05

Hit "Metralhadora" no palanque e roupas bizarras provam que política não é séria

Naiane Mesquita
Nilson Júnior apelou para caça-fantasmas para campanha (Foto: reprodução/Facebook)Nilson Júnior apelou para caça-fantasmas para campanha (Foto: reprodução/Facebook)

Eleição após eleição, o que sobra é candidato com propaganda bizarra em mais uma demonstração de que nada evoluiu na política nacional. Esse tipo de comportamento mostra que muita gente ainda não entendeu para que serve a política, nem o candidato que investe em apresentações ridículas, nem os partidos que aceitam performances do tipo.

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Com jingles de músicas chicletes, discursos evasivos ou roupas inusitadas, sobra exemplo de quem não respeita a seriedade de uma campanha política. Nessa onda, há casos por todo o Brasil, inclusive, em Mato Grosso do Sul.

Em Jardim, por exemplo, a candidata Marcinha, do Partido Verde, dança a música tema da candidatura por onde passa, a famosa "Metralhadora".

No discurso, Marcinha diz que, se eleita, vai dar aulas de dança gratuitas na cidade. No começo de vídeo, enviado por um dos leitores do Lado B, ela é chamada de “delícia” e avisa que não vai ganhar a campanha por causa do corpo. “Eu tenho mente também. Eu sei trabalhar, eu sei pensar, eu sei fazer meus projetos e atuar dentro da minha área”, declara.

Para o cientista político e jornalista, Eron Brum, a bizarrice das campanhas políticas é um problema endêmico. “É algo pitoresco do Brasil, que mostra que a campanha prioriza muito a forma e pouco o conteúdo. Se você pensa muito a forma e não o conteúdo, o que aparece é muita promessa e pouca proposta. Aparecem coisas bizarras, com muita alegoria, parece uma escola de samba e não uma eleição”, afirma Eron.

Em Campo Grande, Nilson Júnior, do PTB, anda com carro adesivado e roupa inspirado no filme Caça-Fantasmas, sucesso nos anos 90 e que teve um remake recentemente. Usando o nome “O Caça-Fantasmas” ele faz campanha contra os funcionários que são lotados, mas não comparecem ao trabalho em órgãos públicos e não liga de encarar o calor com o macacão marrom.

Segundo Eron, essas atitudes começaram a piorar depois que os candidatos entregaram suas campanhas para o setor de marketing. “Como ciência, o marketing é bom e importante, mas sem isso, os políticos se tornam objetos, em que importa apenas a venda, de qualquer maneira. Você quer ser vendido, sua imagem e não como pessoa. Nisso, a campanha cai em um imenso vazio, cheio de formatos e sem essência”, ressalta.

Nilson explica que há quem não o leve a sério, porém, jura que tem recebido um bom retorno. "Eu me visto de caça-fantasma dos órgãos públicos para representar o povo. Me deram essa roupa, a produção e eu decidi adesivar o carro. É pela causa e não tinha a ideia da vida pública. Tem gente que bate foto, pede o santinho, isso tem me surpreendido. Alguns não levam a sério, mas a maioria leva", garante.

Enquanto isso, Eron destaca a falta de propostas dos candidatos. “Esses dias sai recolhendo as informações de cada candidato e percebi que não há projeto, programa. São muitas promessas, que eles falam o tempo todo que vão fazer, mas não dizem como. Um exemplo é a educação, que eles citam como prioridade há anos, mas que só piora a cada dia”, reforça Eron.




Há tempos que a aparência e a forma sem conteúdo tomaram de assalto a vida social moderna. Cantores sem talento, com vozes patéticas, mas embalados com muito marketing e aparência da moda são um ótimo exemplo. Com a política não seria diferente, exatamente por refletir o comportamento do povo. Mário Vargas Llosa explica esse fenômeno com maestria em seu livro "A Civilização do Espetáculo".
 
Dean_Winchester em 30/09/2016 07:39:23
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