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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

09/01/2016 07:12

Hoje na cadeira de rodas, Ari sofre vendo abandono da praça que leva seu nome

Adriano Fernandes
No Aero Rancho, praça era xodó de morador.No Aero Rancho, praça era xodó de morador.

Quando se mudou para o Aero Rancho, ainda no ano de 1989, Ari Flores tomou para si um espaço que até então estava abandonado. O terreno baldio em frente ao novo endereço, na Rua José Gonçalves Aguilera, deu lugar a um bosque, com bancos e o titulo dado pelos vizinhos de “Praça do Senhor Ari”.

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Mas a dedicação diária do morador, no plantio das mudas e na manutenção do espaço, foi comprometida pelo diabetes. Hoje em dia, sobre a cadeira de rodas, Ari se queixa do descaso dos moradores com o espaço que ele sempre manteve com tanto carinho.

Ele descreve em detalhes como era o local, antes da revitalização que quis iniciar por conta própria. “Era completamente abandonado, tinha entulhos de areia, pedra, não era bem cuidado. Foi então que eu comecei a zelar, varrer, recolher o lixo para manter sempre limpo”, conta.

Segundo Ari, a iluminação já era precária e o que tinha de mais próximo do visual de uma praça, eram as poucas mesas. “Mas que logo os vândalos vieram e destruíram. Nem sequer parecia uma praça de verdade”, recorda.

Ari mostra as fotos de como a praça era antes.Ari mostra as fotos de como a praça era antes.

Então ele aliou o gosto pelo trabalho na terra com o desejo de tornar o terreno em um ponto de lazer para os moradores.

Ali, plantou dezenas de mudas de pés de manga, cocos, abacate, amora e goiaba. Do próprio bolso, tirou o dinheiro para instalar 13 bancos de concreto no local. Chegou a desembolsar R$ 250,00 por mês nos cuidados com a praça.
Dessa época, ele guarda os registros do lugar que se tornou ponto das dezenas de fotografias dele, da família e amigos. Ari aparece em todas elas, cuidando da neta que se aventurava subindo no pé de seriguela. Árvore que também fazia a alegria das outras crianças do bairro.

Sempre cuidou daquela praça como se fosse a extensão da própria casa. “Porque é isso que todo mundo necessita para viver bem: cuidar do lugar onde vive”, ensina.

A “Praça do Senhor Ari” serviu para receber festas de Nossa Senhora Aparecida, Santo Antonio, churrascos entre os moradores e até quadrilhas.

Ele fez até uma varandinha de madeira entre os pés de manga. “Para quem quisesse se proteger da chuva”, diz. Onde antes a lama tomava conta em dias de temporal, Ari mandou cascalhar.

Diabetes deixou Ari na cadeira de rodas.Diabetes deixou Ari na cadeira de rodas.

Ainda segundo o morador, teve uma época em que a praça era toda cercada com toras de eucalipto. Uma tentativa de fazer do local espaço para caminhadas e outras atividades físicas, mas que não deu muito certo.

“Em meados de 2002 eu mandei cercar toda ela, mas então eu adoeci e os moradores começaram a arrancar a madeira, os vândalos a depredar”, se queixa. O diabetes fez com que Ari fosse parar numa cadeira de rodas.
Em novembro de 2014, a perna direita teve de ser amputada.

“Eu fui adoecendo, o coração foi ficando fraco, mas eu não culpo a doença. Faz parte, foi uma consequência da vida. Eu continuo na ativa”, brinca.

De planos para o futuro, o morador pretende criar uma associação composta por outros moradores, que assim como ele, se dedicam a preservar os espaços públicos. “O poder público não tem o devido interesse com estes locais, então o meu sonho é viabilizar o trabalho desses moradores”, conta.

Atualmente, Ari é aposentado, depois de anos trabalhando como oficial de justiça, mas até carroceiro ele já foi. Do mercadinho que montou em frente a sua praça, ele ainda admira tudo que plantou, mas sente pela falta de colaboração dos moradores em manter o local.

“Aquele amontoado de lixo está ali há pelo menos dois meses", aponta. "Eu não jogo lixo na rua, eu sempre mantive limpo o ambiente onde eu vivi, mas as pessoas não tem essa consciência, nem o município. Eu vou mandar limpar minha praça. Não é só porque eu adoeci que eu vou abandonar”, conclui.

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Lugar hoje é depósito de entulho.Lugar hoje é depósito de entulho.



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