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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

23/10/2015 06:12

Lado B testa beijo gay em público e a reação nas ruas é surpreendente

Paula Maciulevicius
Beijo na praça. (Foto: Gerson Walber)Beijo na praça. (Foto: Gerson Walber)

Na semana anterior, a polêmica surgiu quando um bar de blues da cidade chamou atenção de um casal gay que trocava um beijo. A repreensão saiu num pedido de "menos rapazes", o que levantou o questionamento: se fosse um casal hétero, a postura teria sido a mesma? Por isso, o Lado B resolveu testar a reação de quem vive em Campo Grande ao ver um beijo gay ou a troca de carícias entre dois iguais.

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A ideia inicial era por um manifesto pelo carinho sem preconceito. Mas foi um pouco difícil encontrar casais homossexuais que dessem a cara à tapa nos pontos mais movimentados da cidade: no cruzamento da 14 com a Afonso Pena e da praça de alimentação de um shopping.

Finalmente, em parceria com o blog Dois Iguais, chegamos até Igor, de 32 anos e Theodoro, de 29, casal que está junto há quase 2 anos. Corajosos, os dois toparam sair durante dois dias com o Lado B e namorar em locais públicos.

Coitados, sofreram mais do que a gente esperava e olha que a perseguição começou antes mesmo da troca de um beijo na boca. Pessoas chegam a virar o pescoço, torcer o nariz, ou no caso levantar para discutir. Mas o casal também recebeu apoio.

Só de andarem de mãos dadas e abraçados, quem via a cena virava a cara para acompanhar. (Foto: Fernando Antunes)Só de andarem de mãos dadas e abraçados, quem via a cena virava a cara para acompanhar. (Foto: Fernando Antunes)

Primeiro Dia - As carícias

Pelas ruas da cidade o que teve foi gente virando, cutucando, comentando. Igor e Theodoro estavam só de mãos dadas e depois se abraçaram na porta de uma loja. Ao entrarem na praça de alimentação de um shopping, a reação foi a pior de todas. Os olhares tortos chegaram a tal ponto que teve gente que se sentiu mal, levantou e foi questionar se "atrás do casal gay, ele aparecia". Detalhe: a gente nem tinha chegado no beijo ainda.

O rapaz incomodado chegou a pedir para ver a fotografia. Ele aparecia, embaçado e de fundo, quando o casal apenas trocava carinho com as mãos, mas se revoltou sob o argumento de que se algum parente visse ele de fundo na foto dos gays, "não ia pegar bem".

Jovem, de 26 anos, ele ocupa um cargo administrativo como chefe de consignados de uma empresa de Cuiabá, mas que presta serviços aqui. O primeiro questionamento foi: incomoda? "Lógico, claro. Porque é totalmente constrangedor. Se eu estou com o meu filho, minha família, eu vou me sentir constrangido. Hoje em dia o povo acha normal, não tenho anda contra, mas olha para eles? Eu acho que vocês deveriam assim, estar em casa e não ter os seus momentos em público".

O discurso é dito na cara do casal. E o rapaz continua questionando o que diria ao filho quando crescer e ver aquela cena, que poderia achar "normal" e querer fazer também. O argumento não para por aí, ele cita a Bíblia e a definição de que família é constituída só por homem e mulher. Se nega ainda a aceitar o casal como família e descreve que os dois são: "um homem satisfazendo os desejos do outro".

Pergunto se ele não acha que isso é preconceito? Para o rapaz não. É apenas a opinião dele. "Só acho que tinham que ter mais respeito, assim como vocês querem mais respeito. Se quer se tocar, acariciar, se beijar, faça isso entre quatro paredes".

Ao lado, um pai e uma filha também são fotografados olhando. Alex Almeida, de 30 anos, é cozinheiro e explica que o que chamou atenção foi a câmera e não a troca de carícias. "Não existe lugar apropriado para beijar uma pessoa, é a demonstração de um sentimento. Por que causa tanta reação? Aí já não sei o que dizer. É que tem pessoas que são bem preconceituosas".

A filha de 10 anos diz que não viu nada demais e mesmo se tivesse visto... "Eu não ligo, já vi uma vez um beijo gay, quando saí com a minha mãe. Acho que assustei só porque eu nunca vi, quando olho da primeira vez que assusta", argumenta a menina.

Pai com filha acompanham a conversa do casal. Entrevistado explicou que espanto foi para a câmera e não por eles. (Foto: Fernando Antunes)Pai com filha acompanham a conversa do casal. Entrevistado explicou que espanto foi para a câmera e não por eles. (Foto: Fernando Antunes)
Bastou um carinho para que o jovem que aparece embaçado atrás da foto levantasse para questionar. (Foto: Fernando Antunes)Bastou um carinho para que o jovem que aparece embaçado atrás da foto levantasse para questionar. (Foto: Fernando Antunes)
Corajosos, Igor e Theodoro aceitaram dar a cara à tapa para levantar bandeira de que beijo gay pode ser dado em público. (Foto: Gerson Walber)Corajosos, Igor e Theodoro aceitaram dar a cara à tapa para levantar bandeira de que beijo gay pode ser dado em público. (Foto: Gerson Walber)

Segundo dia - O beijo

O relógio marcava 18h, pleno horário de pico no Centro da cidade. Rua 14 de Julho, esquina com a Avenida Afonso Pena. Enquanto pedestres corriam para pegar ônibus, eles protagonizavam um beijo, como de quem se encontra no fim do expediente. De imediato começaram as reações: um jovem balança a cabeça, o outro olha torto, mas se policia e segue adiante e uma mulher até "corre" como quem não quer ver.

"Não incomoda não, é normal. Cada um tem sua vida, escolhe o que quer da vida. Você só toma um choque, porque não é normal. Mas tem que começar a aceitar", diz Amauri Adão Sabino, vendedor, de 29 anos.

O que balança a cabeça em negativo é o assistente administrativo Lucas Souza, de 18 anos. Ele não se assustou porque via de longe a cena e ao mesmo tempo em que argumenta que não incomoda, diz que a vida é deles desde que o casal não "encha o saco". O que seria encher então? "Perturbação. Não quero falar, mas muita gente 'desse tipo aí' gosta de dar muito bafão".

Para Theodoro a experiência foi revolucionária e para nós também. (Foto: Gerson Walber)Para Theodoro a experiência foi revolucionária e para nós também. (Foto: Gerson Walber)

Os beijos não eram agressivos. Com um ar romântico, fomos até o chafariz da Praça Ari Coelho. De imediato, quem estava ao redor nos bancos respondia com um balançar negativo de cabeça e "olha aí" ainda apontavam.

De novo as respostas são ditas na cara de um deles. Theodoro me acompanha. "É nojento. É uma coisa que para mim, sei lá. Ainda mais por causa das crianças, como elas vão crescer hoje em dia? Vendo esse tipo de coisa errada diante de Deus. Na minha opinião eu não acho legal não. Como sou cristão, da minha parte, não aceito. Tenho nojo", pregava o eletricista Marcio Lopes Pereira, de 27 anos.

O mesmo pensamento foi compartilhado por quem lhe fazia companhia no banco. Rosana Gonçalves é manicure, tem 48 anos. "Eu fiquei triste diante de Deus, porque Deus criou o homem para ser homem e a mulher para ser mulher. Isso é um pecado total".

O discurso em nome de um Deus é propagado assim, para quem quiser escutar, sem papas na língua. "Não pode beijar. É a lei de Deus e a gente não pode aceitar isso. É errado, é o carimbo de um passaporte para o inferno", diz o montador de móveis Fabio Deghiche, de 36 anos.

Em todas as discussões, as entrevistas foram gravadas. Os entrevistados ainda se "desculpavam", ou pensavam que estavam fazendo isso ao dizer "nada contra, viu, nada contra".

Para quem está do outro lado, o discurso não mudou. Theodoro ouve isso desde a escola e já até se "acostumou". É sorrindo que ele devolve as críticas e quando cabe, responde.

A experiência para ele foi revolucionária e para o Lado B também.

"Para mim é uma felicidade imensa ter vivido essa experiência: beijado no Centro da cidade, no cruzamento. Porque independente do que as pessoas sejam e da minha história de vida com o preconceito e a discriminação, a gente vai se amar em todos os espaços. Queiram as pessoas ou não".

Se você também considera justa toda forma de amor, curta o Lado B no Facebook.




Por favor...quanta ignorância hem!!!
Esses pais achando que os filhos podem se transformar em GAYS só pelo fato de presenciar um beijo entre gays. Por que não os reporteres não fazem as perguntas certas? Tipo: De onde vcs pais tiraram essa conclusão quanto à se tornar gay pelo fato de presenciar uma cena dessas? Outra pergunta: Se educar os filhos em ambiente héteros fosse certeza pra não ter um filho gay, de onde vieram os gays, ja que seus pais são héteros? Ultima pergunta: Se vc acha que alguém pode VIRAR gay pelo simples fato de presenciar ou conviver com os gays, vc então está me falando que vc é BISSEXUAL e que pode virar GAY?
Mas nos dias de hj o certo, o bonito e o plausível é ser preconceituoso, intolerável, violento perante as diferenças. Isso, ninguém acha errado. INDIGNADO
 
Buzati em 28/10/2015 15:39:29
e só pra lembrar, eu apoio o direito de respeito para sociedade gay, más recrimino a atitude de querer contrariar níveis de respeito para sociedade hetera ... a exposição dos fatos foi imprudente, foi agressiva e desrespeitosa com o publico.. que fique bem claro.
 
Eduardo em 27/10/2015 01:55:35
eu acho incrível o modo visionário de ambos os lados..
más infelizmente, eu sendo gay não concordo com essa atitude em partes, a exposição do lado homo afetivo foi imprudente as questões impostas foram imprudentes as expectativas então melhor nem comentar.
agora eu quero fazer uma pergunta bem simples,
eu estou tentando entender oque os gays querem de verdade, porque nos tempos de hoje oque eu mais vejo e reclamação de preconceito exigências de igualdade e etc.
o mais legal e que os gays costumam questionar, se uma criança ver um casal de héteros se beijando ou etc vai ser prejudicada psicologicamente.?
então porque gays também não podem ter a mesma atitude ?
ai eu me perguntei será que os gays querem respeito ou igualdade, ou será que eles querem competir o grau de baixaria com héteros.?
 
Eduardo em 27/10/2015 01:50:38
Quem não tenha pecado atire a primeira pedra.

Bom isso foi dito ao uma prostituta, eu não estou preparada psicologicamente para ver beijo gay, mas não tenho nada contra até que se for julgar pela passagens bíblicas e mandamentos todos somos pecadores, um dos mais cometidos sexo antes do casamento então: Quem não tenha pecado atire a primeira pedra.
 
Van em 24/10/2015 05:01:13
Nem li a matéria, só vim ver o bixo pegar nos comentários!
 
henrique em 23/10/2015 22:44:52
1º a Bíblia fala tantaaaaaaa coisa que hoje os seres humanos fazem errado, para que ficar batendo nessa tecla? Essas pessoas que a citam, seguem à risca? São puras e perfeitas? 2º Ser gay não é opção e sim condição. Quando você escolheu ser hétero, se lembra? Ver gays se beijando, trocando carícias não faz uma criança "virar" gay, ninguém vira, se ela futuramente se assumir é porque já nasceu e viveu por muito tempo tentando se esconder por medo. Fui criado com pais héteros, vendo se beijarem, abraçarem, pai jogador de futebol, e daíííí´? "Virei hétero"? Me influenciou? NÃOOOOOOOOO, porque não influencia, gente sem informação. Por fim, parabéns ao casal pela coragem, e sempre digo, todo excesso é feio, independente da relação. "Consideramos justa, toda forma de amor."
 
Elias_Netto em 23/10/2015 15:48:02
Gente hipócrita, um casal gay não pode ser considerado família, um casal gay não pode adotar uma criança, lembrando que toda a criança adotada por um casal GAY, foi gerada e abandonada por um HÉTERO!
Realmente ninguém tem direito de julgar a pessoa do lado, seja lá qual for a sua condição.
 
Sângela Lima em 23/10/2015 15:29:43
Ai ai, fazem isso só pra provocar reações nas pessoas pra elas se sentirem incomodas e perpetuar a polêmica, "religiosos ignorantes x gays que querem aparecer"]

O QUE VCS QUEREM QUE OS HOMENS HETEROS SINTAM? Aplaudam? saim falando "uau que legal, eu quero ser assim tb" "Urrul agora eu posso beijar homens". De todos os heteros que eu conheço NUNCA ouvi UM só deles falar em "homofobia"

E o que vc espera desses fundamentalistas religiosos?
tá escrito no livro do velho testamento "LEVITIGO 18:22 não dormirás com homem como se fosse mulher, aberração é. "
eles sempre vão discriminar o que não conhece, já faz parte dos seguidores desse livro.
Então é isso. O OBJETIVO DISSO É CAUSAR!




 
Neutro em 23/10/2015 13:44:25
Parabéns ao campograndenews, é muito bom ter em nossa cidade um meio de comunicação que se importa e da espaço as minorias.
Como dito no comentário a baixo, ser gay não é uma escolha, é uma condição, ninguém em sã consciência escolheria passar por isso, e parabéns ao casal também pela atitude.
 
ARTHUR em 23/10/2015 11:37:31
Não acho muito legal essa exposição pública da beijos, nem pra héteros ou gays, mas, parabéns ao casal. Sinceramente da nojo do comentário que as pessoas fizeram, e isso na cara do casal e da jornalista, imagina o que não comentam entre si. É uma pena que ainda existam pessoas pensando assim, cultura mais ridícula que essa não deve existir...
 
Jaziel Dorneles em 23/10/2015 11:23:20
Faço de minhas as palavras da Renata, e acrescento que muitas dessas pessoas que condenam, que usam Deus para criticar o ato do próximo devem sim ser os verdadeiros pecadores. Pq até onde eu sei, Deus mandou amar ao próximo como a si mesmo, e esses dois rapazes são apenas dois seres humanos que estão felizes celebrando o amor. O que tem de errado nisso?? Diariamente vejo inúmeros casais héteros ditos como "normais" se esfregando, se engolindo, praticamente em cenas de sexo explicito pelo centro da cidade, por essa praça onde os rapazes estavam e isso é visto como normal, feio seria se eles estivessem fazendo mal a alguém. Tenho pena das pessoas preconceituosas. Parabéns aos meninos Igor e Theodoro, por enfrentarem de cabeça erguida esse tipo de falso moralismo e desejo que sejam felizes.
 
Karla em 23/10/2015 10:44:11
por atos semelhantes ao narrados na reportagem DEUS acabou com Sodoma e Gomorra
 
Alex André de Souza em 23/10/2015 10:40:59
Depois de tudo isso ainda vem gente dizer que os gays ESCOLHERAM ser gays. Gente quem ESCOLHE ser tratado assim? Quem ESCOLHE ser olhado assim?
Parem de ver o demônio nas pessoas, parem de condenar. Você não tem esse direito, ninguém conhece o coração nem o intimo dos outros apenas o criador. Chega de tanto ódio! Vão cuidar da vida de vocês... todos os dias vocês andam pelas ruas e assistem crianças passando fome, pessoas doentes sofrendo nas ruas, só que isso não motiva vocês a agir pelos ensinamentos que foram educados na religião, seus filhos podem ver isso e não são sensibilizados? mas ver um casal gay os motiva a agir, a condenar, a desprezar??? Que Deus é esse que vocês servem que é rápido em condenar mais não se importa em ajudar? Se o seu Deus é assim eu prefiro mesmo o inferno!
 
Renata em 23/10/2015 09:52:57
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