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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

03/12/2013 06:21

Lata de sardinha vira ralador de queijo e balde é chuveiro para quem vive na BR

Viviane Oliveira
Com uma torneira, o chuveiro está pronto (foto: Cleber Gellio)Com uma torneira, o chuveiro está pronto (foto: Cleber Gellio)

Um balde virou chuveiro e uma lata de sardinha se transformou em ralador de queijo. É assim, improvisando, que os colegas caminhoneiros Ereni Luiz Rosset, 47 anos, e Flávio Carlos Dias Costa, 48, passam até 15 dias na estrada, longe da família. São estratégias antigas, que mostram como a gambiarra é patrimônio da criatividade quando o calo aperta.

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Sentados no meio das duas carretas estacionadas, os dois caminhoneiros que trabalham na mesma empresa aguardavam na manhã desta segunda-feira no Posto Caravagio na BR-163, saída para São Paulo, em Campo Grande, a chegada do dia seguinte para fazerem a entrega do carregamento de frios.

Longe de casa há pelo menos 10 dias, os dois colegas se viram como podem para tentar minimizar a saudade e a falta dos mimos da família. Para economizar e ter uma alimentação melhor, os dois fazem a própria comida e levam de tudo no caminhão, desde calabresa e ovos, até chimarrão e café.

Mais calado, Ereni é solteiro e antes de ser caminhoneiro trabalhava com a família na lavoura em Palmitos (SC), onde mora até hoje. “Comecei a ganhar dinheiro depois que conheci a vida na estrada. No começo pensei em desistir porque não é fácil, mas com o tempo acostumei”, relata.

A comida é feita em um fogão adaptado e a alimentação armazenada dentro de um frigobar. Como não é possível ter de tudo no veículo, algumas coisas precisam ser inventadas como, por exemplo, o ralador de queijo que foi feito da lata de sardinha. “Nós fizemos vários furos pontudos na lata para poder ralar direito”, explica Ereni, o dono do ralador.

Outra “gambiarra” é  o chuveiro. Flávio pegou um recipiente que já tinha sido transformado em balde, colocou uma torneira e na hora do banho o vasilhame é suspenso por uma corda amarrada no caminhão. “Dá para tomar banho numa boa”, diz Flávio orgulhoso,  lembrando que em Mato Grosso do Sul faz muito calor.

Caminhoneiro há 19 anos, ele mora em Passo Fundo (RS), é casado, pai de três filhos e fala satisfeito que já é avô. Ele conta que chegou a ficar 40 dias fora de casa quando rodava pelos países do Mercosul.

Mas do outro lado do improviso, para ajudar existe a tecnologia. Hoje o caminhoneiro não desgruda de um notebook onde manda e-mail e fotos para a família quase que diariamente.

“Foi ai que eu aprendi a me virar. Tudo que eu tenho hoje consegui rodando milhares de quilômetros dentro de uma carreta”, comenta, mostrando fotos da casa que conseguiu construir ao longo desses anos e da família reunida em dia de festa.

Entre as centenas de histórias que os colegas têm para contar, Flávio relembra do dia em que ajudou uma família que estava com o pneu furado no meio da estrada. “Parei e ajudei, também improvisando com as ferramentas que tinha no caminhão. Nessa vida a gente tem que saber dar um jeito pra tudo”, finaliza.

Furos e pronto, a latinha agora é ralador (foto: Cleber Gellio)Furos e pronto, a latinha agora é ralador (foto: Cleber Gellio)
No caminhão há espaço para a pequena geladeira que guarda o indispensável. (foto: Cleber Gellio)No caminhão há espaço para a pequena geladeira que guarda o indispensável. (foto: Cleber Gellio)



Sem desmerecer os motoristas relatados na matéria acima, mas se voltarmos o tempo uns 30 anos, a vida da estrada era muito mais dura.
Não existia celular, a internet estava engatinhando, e a comunicação com a família era por telefone fixo, quando se conseguia completar a ligação via DDD.
Em 1984 comprei um caminhão mercedes para um cunhado trabalhar, ele fretava uma carga para Cuiabá - MT, e depois seguia para Rio Claro - MT, de onde voltava carregado de madeira para Campo Grande.
De vez em quando eu viajava com ele, e participava daquela vida dura da estrada.
Cozinhava no próprio caminhão, tomava banho nos banheiros fedorentos dos postos de gasolina, e dormia na rede para tomar conta do caminhão e economizar despesas de hotel. Que saudade daquela vida dura e feliz. Valeu a pena.
 
VALDIR VILLA NOVA em 03/12/2013 14:16:02
Então...caminhoneiros que transportam o Brasil....juntem-se e montem postos adequados à beira de rodovias e todos ficaram logo ricos, porém terão que ficar perto das esposas. KKKKKKKK
 
juraci furtado em 03/12/2013 13:19:56
Infelizmente, os governantes, não fazem muito pelo trabalhador, responsável em levar o alimento e gerar receita aos seus cofres.
Na estrada, a gente depara com solidariedade de uns para com os outros, mas vê uma total falta de respeito com o motorista, poderiam muito bem, junto aos postos de fiscalização, ter espaço, água potável, banheiro entre outros serviços para que fossem usufruído, por aquele que vive uma boa parte da vida dentro de 2 metros quadrados.
Pagasse um absurdo de imposto e é cobrado a todo momento por produtividade, mas, o bem estar e qualidade de vida, isto a gente não encontra.
Existe regiões que você quer tomar ou pegar uma água e se vê de quem deveria zelar, a seguinte fala: "Vai; vaiiiiiii, vai andando, aqui não e lugar de v..." isto é que recebe por ajudar o Brasil.
 
Digelson Pazeto de Morais em 03/12/2013 10:53:58
Parabéns aos motoristas que vivem na estrada da vida! Que Deus os guarde e livre de todos os males. Pois longe de casa a milhas, dirigindo por horas e horas no volante, aonde para tomar banho tem que comprar ficha nos postos de combustível. A motoristas que dorme dentro dos caminhões, sem minima condições de uma noite tranquila por que se dormir demais corre riso de ter a carga roubada ou ser roubado os pneus. Meu respeito a homens que levanta de madrugada para por pão a mesa dos seus filhos quando olho e vejo pessoas a espera Bolsa família, um jovem soltando pipa na rua, se drogando nas ruas, bebendo ate cair mais hoje quero homenagear homens que não medem esforço em prol de um amanhã. Desejo de coração que Deus os proteja a cada ida e vinda. Que os anjos acampe ao seu redor!
 
Cristhiany Domingues em 03/12/2013 10:05:20
não é diferente uns 40 anos anos atrás foi assim é um meio de quem não tem se fazer para viver, não é novidade
 
angelica mranda em 03/12/2013 08:06:56
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