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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

23/06/2016 06:15

Mãe trabalha 12h por dia como diarista pelo sonho de ver a filha como debutante

Thailla Torres
Com muito esforço ela realiza o sonho de fazer a festa de 15 anos da filha. (Foto: Fernando Antunes) Com muito esforço ela realiza o sonho de fazer a festa de 15 anos da filha. (Foto: Fernando Antunes)

Aos 38 anos, um sonho de menina ainda existe no coração da mãe Waldirene Corrêa de Souza. Ela, que há muitos anos trabalha como empregada doméstica, está radiante, apesar das 12 horas de esforço diário. O trabalho exaustivo, permitiu realizar o sonho de ver a filha Evelyse entrar como uma princesa no salão de  festas para comemorar os 15 anos.

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"O meu marido até brinca que esse é um sonho meu e realmente é, mas é gratificante poder fazer as coisas para o filho", diz.

O desejo é mais dela, Wal admite, mas a mãe garante que viu o brilho nos olhos da filha quando a garota embarcou no projeto. "Ela não queria no início e acreditava que era jogar dinheiro fora. Só que é mais para celebrar um data eu acho que é importante", justifica. 

Quando Evelyse Michelle Souza fez 14 anos, Wal começou a convencer a filha sobre ser debutante. Juntas, deram começar a fazer orçamento de vestido, buffet, DJ e buffet. Tudo para tornar o momento único.

Há quatro meses da festa, que será realizada em outubro, Wal afirma que já está com quase 50% da festa paga, tudo com dinheiro do emprego fixo como doméstica e as horas como diarista em outras residências.

Depois do dia todo fora de casa, no período da noite, Wal ainda produz doces e chocolates para que Evelyse venda na escola

Wal é filha adotiva. Foi entregue à nova família quando tinha apenas 2 anos de idade. Talvez, pelo fato de não ter vivido perto da mãe verdadeira, o sofrimento acabou se transformando em amor incondicional quando ela se tornou mãe de três.

Ela ainda lembra que também teve uma festa, sem muito requinte e luxo, mas com uma simplicidade lotada de amor. "Minha família adotiva nunca deixou que algum aniversário passasse em branco. Tive uma festa de 15 anos, feita dentro das possibilidades dos meus pais. Lembro que foi até o meu pai e a minha mãe que pediram para uma costureira fazer o vestido e a surpresa aconteceu em um restaurante", lembra.

Juntas, mãe e filha aguardam o sonho de princesa. (Foto: Thailla Torres)Juntas, mãe e filha aguardam o sonho de princesa. (Foto: Thailla Torres)

Para Wal, mais do que diversão, comemorar os 15 anos é celebrar a emoção de ser menina. "Acredito que as meninas perderam a essência de ter um festa e ser uma princesa. Hoje elas amadurecem muito cedo. Apesar da minha filha ser muito madura, vejo nas pequenas coisas que ela ainda é inocente. E o desejo de ser um dia especial, espero que não se perca", comenta.

Com a ajuda do marido, que também trabalha, Wal separa o dinheiro para as despesas da casa e para manter a família. O restante do salário como doméstica, ela investe todo mês em algum detalhe da comemoração.

Por isso, já conseguiu pagar o buffet, som e iluminação, DJ e os três vestidos que Evelyse vai usar.

Quando ela provou um vestido pela primeira vez, a tristeza bateu por conta do preço que a mãe não teria condições de pagar. "Ela viu um de R$ 1,8 mil. Mas eu disse que não haveria dinheiro, esperamos mais um pouco e o tempo foi ao nosso favor. Ela encontrou o mesmo vestido por apenas R$ 500,00, vendido na internet", conta. 

Hoje, os três vestidos já estão no guarda-roupa. Contando os dias e as horas, Evelyse descreve como está ansiosa para o tão sonhado dia. "É uma ansiedade imensa, eu fico olhando meu vestido e já imaginando o dia da festa", comenta. 

E o sorriso no rosto não nega que trocar a vontade inicial de fazer uma viagem, foi a melhor escolha para comemorar os 15 anos. 

"Eu pensava em viajar, mas sabia que nem todo mundo da minha família estar ao meu lado nesse momento. Por isso pensei em fazer a festa e ficar do lado de todo mundo", diz com os olhos brilhando. 

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