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Campo Grande, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

01/05/2016 08:08

Mecânico há 40 anos, seu João deixou as ferramentas e agora só cuida dos peixes

Naiane Mesquita
Suzy e João, filha queria homenagear o pai pelos 40 anos de trabalho na mecânica (Foto: Alcides Neto)Suzy e João, filha queria homenagear o pai pelos 40 anos de trabalho na mecânica (Foto: Alcides Neto)

Seu João tem 59 anos, desses mais de quatro décadas dedicadas a mecânica. O funcionamento das rodas e dos motores sempre o intrigou na infância e virou paixão na vida madura. Quando precisou aprender uma profissão foi o que apareceu. Com o tempo veio o casamento, de 39 anos completos com dona Creuza, e a oficina, que mantinha na avenida Fernando Correa da Costa desde o tempo em que o córrego ainda passava livremente por ali.

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João no tanque que construiu sozinho (Foto: Alcides Neto)João no tanque que construiu sozinho (Foto: Alcides Neto)

Em dezembro do ano passado, João Hideu Akamine decidiu se aposentar. Pensou bastante, procurou na internet conselhos para superar essa fase, ouviu de amigos que poderia “entrar em depressão”. Ficou assustado. “Tive medo mesmo”, confessa. As dores na coluna aumentavam a cada dia, além dos problemas na audição pelo constante barulho dos motores. A mulher e a filha o apoiaram, achavam que era hora de largar as ferramentas, mas foi tudo como ele mesmo diz, com “dor no coração”.

Os resquícios do pequeno império Seu João Centro Automotivo ainda estão nos fundos de casa, mas muita coisa já foi vendida. Suziany Akamine Machado, 35 anos, filha de seu João, confessa que ver a mecânica fechada foi difícil, mas que o orgulho do trabalho do pai é maior. “Sempre fui como ele, curiosa. Fiz o curso de mecânica também e o ajudava na loja, só que mais no atendimento ao cliente”, confessa. Apaixonada por tudo que eles construíram, ela procurou a reportagem do Lado B para uma homenagem. “Acho a história dele linda”.

Meio sem jeito com o elogio, seu João é todo simples. Fala com aquela calma nipônica sobre os anos de trabalho duro e os momentos de folga que ainda está aprendendo a aproveitar. “Me apertou muito o coração, a mecânica é um amor, mas quando decidi parar, decidi mesmo. Foi assim. Os clientes até estranharam, começaram a ligar, perguntar o que estava acontecendo. Eu atendia até os netos dos meus primeiros clientes. São 40 anos de trabalho”, explica.

De pedras e restos de peças de automóveis, o aquário é uma paixão do mecânico (Foto: Alcides Neto)De pedras e restos de peças de automóveis, o aquário é uma paixão do mecânico (Foto: Alcides Neto)

Mesmo assim, ele confessa que os funcionários já estavam preparados. Depois da morte prematura do filho há 13 anos, ele sabia que ficaria difícil encontrar um sucessor.

“Nunca quis que ele fosse mecânico no início. Pedi para ele estudar, fez três anos de engenharia. Um dia chegou e disse que não era aquilo que ele queria e sim trabalhar na mecânica. Achei que ele daria continuidade”, diz. O acidente em uma piscina acabou mudando os planos do filho de 25 anos. “É como diz, Deus entrega o filho para a gente amar, cuidar, e depois devolvemos a Ele”, acredita, resiliente.

Religioso, seu João vai à missa com frequência, em uma comunidade próxima de casa. As duas paixões dele, a mecânica e Deus estão no altar um pouco diferente que ele construiu em casa. Feito todo de pedras e restos de peças de carro, como uma roda, o aquário guarda várias espécies de peixes.

“Agora eu me dedico aos meus peixes. Continuo mexendo, inventando as coisas, não parei, estou seguindo os conselhos que eu li e dos amigos. Tento não entrar na rotina, buscar coisas novas, sempre tive o tanque, é algo que eu gosto igual da mecânica”, afirma, sorridente.




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